El Niño tem 75% de chance de ser o mais forte desde 1950, diz agência dos EUA

NOAA elevou a previsão para um fenômeno histórico entre outubro e dezembro; evento já está provocando impactos no clima e deve ganhar força até o fim do ano
Redação NC News
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O El Niño que está se formando em 2026 pode se tornar o mais intenso já registrado desde 1950. A previsão foi divulgada nesta quinta-feira (10) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

De acordo com a agência, existe 75% de probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade histórica entre outubro e dezembro, superando os níveis registrados nos episódios anteriores desde 1950. A NOAA também aponta mais de 90% de chance de o El Niño atingir uma categoria considerada muito forte no outono e inverno do Hemisfério Norte.

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El Niño deve ganhar força nos próximos meses

A NOAA informou que o fenômeno deve continuar se intensificando até o fim de 2026.

A previsão atual indica 97% de chance de o El Niño atingir uma intensidade muito forte a partir do fim de setembro. Também há 93% de probabilidade de as temperaturas do Pacífico equatorial permanecerem em níveis muito elevados até janeiro.

O cenário aumenta a possibilidade de que o episódio entre para a lista dos eventos mais extremos observados desde o início da série histórica utilizada pela NOAA.

O que significa um El Niño histórico

O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.

Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

Um fenômeno mais intenso não significa que todos os locais terão necessariamente calor ou chuva acima do normal. Os efeitos variam conforme a região e também dependem de outros sistemas atmosféricos.

Temperatura do Pacífico já está muito acima da média

O Pacífico Equatorial já apresenta temperaturas bastante elevadas. Segundo a atualização divulgada nesta quinta-feira, a água da região está cerca de 1,8°C acima da média, nível que já coloca o fenômeno na categoria forte.

Outro sinal de intensidade está abaixo da superfície do oceano. Dados analisados por pesquisadores indicam a presença de grandes volumes de água quente, que podem contribuir para a manutenção do aquecimento nos próximos meses.

Fenômeno pode prolongar os impactos climáticos

A quantidade de calor acumulada no oceano é um dos fatores que preocupam os especialistas.

Com mais água quente disponível, o El Niño pode permanecer ativo por mais tempo e influenciar os padrões atmosféricos em diferentes regiões do planeta.

A previsão atual indica que o fenômeno deve começar a perder força no início de 2027. A NOAA estima 55% de chance de retorno a condições neutras no trimestre iniciado em abril de 2027.

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El Niño não significa calor permanente

Apesar da previsão de um fenômeno excepcionalmente forte, isso não significa que todas as regiões ficarão mais quentes durante todo o período.

O El Niño atua principalmente alterando padrões climáticos de larga escala. Frentes frias e massas de ar polar, por exemplo, continuam podendo atingir determinadas regiões mesmo durante um episódio forte.

Por isso, a ocorrência de frio em partes do Brasil não contradiz a presença do El Niño. O fenômeno influencia tendências de semanas e meses, enquanto sistemas meteorológicos de curta duração continuam provocando variações no tempo.

Por que 2026 chama tanta atenção

O que diferencia a previsão atual é a possibilidade de o fenômeno atingir uma intensidade excepcional.

A NOAA calcula 75% de chance de um evento histórico no trimestre de outubro a dezembro, enquanto a probabilidade de um El Niño muito forte ultrapassa 90%.

O cenário também ocorre em um planeta que já está mais quente por causa das mudanças climáticas. Isso significa que os efeitos de um El Niño intenso acontecem sobre uma base de temperaturas globais elevadas.

Entenda o contexto

O El Niño não provoca o mesmo efeito em todas as regiões do mundo. No Brasil, o fenômeno costuma estar associado a mudanças importantes no regime de chuvas e nas temperaturas, mas os impactos dependem da intensidade do evento e de outros fatores meteorológicos.

No episódio atual, já há sinais de efeitos em diferentes partes do planeta. A ocorrência de chuvas intensas no Sul do Brasil, por exemplo, está entre os impactos associados ao padrão climático atual. Ao mesmo tempo, regiões da Indonésia enfrentam condições de seca extrema e incêndios florestais.

O fenômeno também está influenciando a atividade de tempestades e furacões em diferentes áreas. Nos Estados Unidos, a combinação entre El Niño e outros fatores atmosféricos já aparece nas análises da temporada de furacões e no padrão de temperaturas.

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