Operação mira grupo que fabricava armas com impressoras 3D no Brasil

Força-tarefa cumpre mandados em diversos estados e já prendeu quatro suspeitos ligados a esquema de produção e venda de armamentos sem rastreio.
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Uma força-tarefa formada pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública deflagrou nesta quinta-feira (12) a Operação Shadowgun, que investiga um esquema interestadual de fabricação e comercialização de armas produzidas com impressoras 3D. A ação ocorre em vários estados do país e tem como objetivo desarticular um grupo suspeito de produzir armamentos sem rastreabilidade.

Até a última atualização da operação, quatro homens haviam sido presos, entre eles o apontado como líder da organização, localizado na cidade de Rio das Pedras.

Ao todo, as equipes policiais saíram para cumprir cinco mandados de prisão e 36 mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e em outras nove unidades da federação. Todos os investigados foram denunciados pelo Ministério Público.

De acordo com as investigações conduzidas pela 32ª Delegacia de Polícia (Taquara) e pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Gaeco, o grupo se especializou na produção e venda de peças de armamento feitas em impressoras 3D, principalmente carregadores de armas de fogo. Além disso, os suspeitos divulgavam na internet projetos de chamadas “armas fantasmas”, que não possuem numeração ou qualquer forma de rastreamento oficial.

Os investigados deverão responder na Justiça por organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas de fogo.

A operação também conta com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça, da Agência Brasileira de Inteligência e de policiais civis de outros estados.

Foto: Reprodução / Policia Civil do Rio de Janeiro

Estados onde a operação ocorre

Mandados judiciais estão sendo cumpridos em diversas regiões do país, incluindo: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.

Como funcionava o esquema

As investigações começaram após um alerta enviado por um órgão internacional ao laboratório cibernético do Ministério da Justiça. O comunicado indicava a existência de perfis em redes sociais que ofereciam armas produzidas em impressoras domésticas.

Segundo a polícia, o principal produto divulgado pelo grupo era uma arma semiautomática fabricada em impressora 3D. O projeto era acompanhado por um manual técnico detalhado e por um texto com teor ideológico defendendo o acesso irrestrito a armamentos.

O líder do esquema, apontado como engenheiro especializado em controle e automação, utilizava pseudônimo e aparecia mascarado em vídeos publicados na internet. Nessas gravações, ele demonstrava testes balísticos, apresentava melhorias no design das armas e ensinava técnicas de calibração e montagem.

Ainda segundo os investigadores, o suspeito elaborou um manual com mais de 100 páginas, explicando passo a passo o processo de fabricação das armas. O conteúdo permitiria que pessoas com conhecimento intermediário em impressão 3D montassem armamentos em casa utilizando equipamentos de baixo custo.

Foto: Reprodução / Policia Civil do Rio de Janeiro

O material era distribuído em redes sociais, fóruns online e também na dark web. As autoridades também identificaram o uso de criptomoedas para financiar e movimentar recursos ligados ao esquema.

As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e ampliar o rastreamento da rede de distribuição das chamadas “armas fantasmas”.

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