Um professor universitário foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por suspeita de cometer injúria e discriminação contra uma pessoa com deficiência em Belo Horizonte. O caso teria começado após uma discussão envolvendo um veículo estacionado sobre uma faixa de pedestres com rampa de acessibilidade.
Segundo a denúncia, as ofensas teriam ocorrido em dois momentos diferentes e causado impactos emocionais na vítima, que utiliza cadeira de rodas por causa de uma condição neurológica degenerativa.
Carro bloqueava rampa de acessibilidade em BH
De acordo com o MPMG, o episódio aconteceu quando um casal, acompanhado de uma profissional de apoio, tentava atravessar uma faixa de pedestres adaptada para pessoas com mobilidade reduzida.
O local fica em frente a um estabelecimento comercial da família da vítima. Conforme a investigação, o veículo do professor estava estacionado sobre a faixa, bloqueando totalmente a passagem e impedindo o acesso à rampa.
Após ser procurado e informado sobre a irregularidade, o homem retirou o carro do local.
Professor teria feito comentários ofensivos após perceber deficiência
Ainda segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, depois de retirar o veículo, o professor teria feito comentários considerados ofensivos e depreciativos ao perceber que o homem utilizava cadeira de rodas.
O MPMG afirma que as declarações teriam sido direcionadas especificamente à condição da vítima, configurando uma conduta de menosprezo relacionada à deficiência.
Cerca de duas horas depois, conforme os autos, o professor teria ido até o restaurante da família e repetido referências ofensivas diante de funcionários e outras testemunhas.
Vítima teria apresentado sofrimento emocional após episódio
Para o Ministério Público, as supostas ofensas tiveram consequências que ultrapassaram o momento da discussão.
A vítima possui uma condição neurológica degenerativa que afeta movimentos e comunicação oral. Segundo relatos reunidos na investigação, após o episódio, o homem teria apresentado intenso sofrimento emocional, chorado ao chegar em casa e passado a evitar sair e frequentar o restaurante da família.
Testemunhas também relataram mudanças no comportamento, como aumento da tristeza, insegurança e receio de circular em espaços públicos.
Esposa relatou medo e contratou segurança para estabelecimento
A profissional que acompanhava a vítima afirmou ter percebido alterações físicas após o ocorrido, como aumento da rigidez corporal.
Já a esposa relatou ter se sentido vulnerável e com medo de novas abordagens. Segundo o depoimento, ela chegou a contratar um segurança particular para o estabelecimento no dia seguinte ao episódio.
MPMG aponta violação à dignidade de pessoa com deficiência
Na denúncia, o Ministério Público destacou que manifestações ofensivas baseadas em deficiência violam direitos fundamentais, como dignidade, igualdade e o direito à não discriminação.
O órgão afirma que a responsabilização criminal busca combater práticas discriminatórias e reforçar o direito de pessoas com deficiência ocuparem espaços públicos com respeito, segurança e autonomia.
A denúncia agora será analisada pela Justiça, que decidirá sobre o andamento do processo. O professor ainda não foi condenado.