A vontade de começar a frequentar a academia pode aparecer ainda na adolescência, principalmente com o interesse por esportes, saúde e mudanças no próprio corpo. Mas a prática de musculação nessa fase costuma gerar dúvidas entre pais e responsáveis, especialmente sobre idade, cargas, crescimento e risco de lesões.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), crianças e adolescentes podem realizar treinamento de resistência quando a atividade é adequada ao estágio de desenvolvimento, com técnica correta e supervisão profissional. As evidências atuais não indicam que o treinamento de força, quando realizado de maneira apropriada, prejudique o crescimento.
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[H2] Entenda o que acontece na adolescência
A adolescência é marcada por importantes mudanças físicas e hormonais. O corpo passa por crescimento acelerado, desenvolvimento muscular e alterações na composição corporal.
Nesse período, a atividade física pode contribuir para a saúde dos ossos, músculos e sistema cardiovascular, além de estar associada a benefícios para o bem-estar e a cognição. A SBP destaca que exercícios adequadamente planejados podem fazer parte da rotina de crianças e adolescentes.
O problema não está necessariamente em entrar na academia, mas em como o treinamento é realizado.
[H4] Musculação não precisa esperar o fim da adolescência
A recomendação atual da SBP diferencia treinamento de resistência adequado de exercícios realizados com cargas excessivas.
Em documento científico publicado em 2025, a entidade afirma que programas graduais de treinamento de resistência podem ser iniciados ainda na infância, desde que exista supervisão individual e que a atividade seja adequada à idade e ao desenvolvimento.
A orientação representa uma mudança em relação à antiga preocupação de que exercícios de força necessariamente prejudicariam o crescimento. Segundo a SBP, estudos indicam que o treinamento de resistência não interfere negativamente no crescimento linear quando realizado de maneira apropriada.
[H4] Supervisão é um dos principais cuidados
O adolescente não deve simplesmente receber uma ficha de treino e utilizar os equipamentos por conta própria.
A SBP recomenda supervisão profissional, com exercícios escolhidos de acordo com idade, desenvolvimento motor e condição física. A técnica correta deve ser priorizada antes do aumento das cargas.
Também é importante evitar treinos excessivos em duração ou frequência. A entidade destaca que atividades realizadas de forma inadequada podem aumentar o risco de lesões musculoesqueléticas.
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[H4] Cargas muito altas devem ser evitadas
Um dos principais erros é tentar reproduzir treinamentos de adultos ou buscar rapidamente aumento de massa muscular e força.
A SBP recomenda que, durante o crescimento, sejam evitados exercícios voltados para força máxima. A prioridade deve ser o desenvolvimento da técnica, da coordenação e da força de maneira gradual.
Treinos excessivamente intensos podem aumentar o risco de lesões, especialmente quando não respeitam o estágio de desenvolvimento do adolescente.
[H4] Alimentação também merece atenção
A prática de exercícios precisa estar acompanhada de alimentação suficiente para atender às necessidades de crescimento e atividade física.
A SBP alerta que cargas elevadas combinadas com dietas de baixa disponibilidade energética ou transtornos alimentares podem prejudicar o desenvolvimento puberal.
Por isso, dietas extremamente restritivas não devem ser utilizadas com o objetivo de acelerar a definição muscular.
[H4] Suplementos e hormônios exigem cuidado
O desejo de ganhar massa muscular rapidamente também pode levar adolescentes a procurar suplementos ou substâncias destinadas ao aumento do desempenho.
A SBP afirma que a suplementação não deve ser indicada rotineiramente durante a infância e adolescência, exceto em situações específicas. O uso de hormônios para ganho de massa muscular é contraindicado nessa fase.
Antes de utilizar qualquer produto, a orientação deve ser individualizada por profissionais de saúde.
[H4] Quanto de atividade física um adolescente deve fazer
A recomendação geral para crianças e adolescentes de 6 a 19 anos é acumular pelo menos 60 minutos por dia de atividade física de intensidade moderada a vigorosa.
Também devem ser incluídas atividades que fortaleçam músculos e ossos pelo menos três vezes por semana.
Isso não significa que todo esse tempo precise ser passado na academia. Caminhada, corrida, bicicleta, natação, esportes coletivos, dança e outras atividades também fazem parte de uma rotina fisicamente ativa.
[H4] Quando é necessário procurar avaliação médica
Adolescentes que já são acompanhados regularmente pelo pediatra podem ter a atividade física orientada dentro do acompanhamento habitual. Entretanto, alguns sinais exigem avaliação médica antes ou durante a prática esportiva.
Entre eles estão dor no peito durante o exercício, falta de ar ou cansaço excessivo, pressão arterial elevada, alterações do ritmo cardíaco e histórico familiar de doença cardíaca ou morte prematura.
Em atividades competitivas que exigem esforço intenso, a SBP recomenda avaliação pediátrica específica para verificar se a modalidade é adequada à idade e às condições individuais.
[H4] Entenda o contexto
A antiga ideia de que adolescentes não deveriam fazer musculação simplesmente porque ainda estão crescendo não corresponde ao entendimento científico atual. A questão principal é diferenciar um treinamento de resistência bem planejado de uma rotina excessiva ou inadequada.
Quando há supervisão, progressão adequada e respeito ao desenvolvimento do jovem, exercícios de força podem contribuir para a aptidão muscular e a resistência a lesões.
O cuidado deve ser redobrado quando o objetivo passa a ser exclusivamente estético, especialmente se houver pressão para ganhar massa rapidamente, restrição alimentar ou uso de substâncias para acelerar resultados.
A recomendação, portanto, não é simplesmente definir uma idade mínima para entrar na academia, mas garantir que o exercício seja compatível com a idade, o desenvolvimento e as condições de saúde do adolescente.
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