O Rio Grande do Sul celebra neste 20 de setembro um Dia do Gaúcho que vai muito além do lenço no pescoço. Entre chimarrões, bombachas e cavalgadas, a data movimenta negócios, reforça o cooperativismo e transforma tradição em renda para milhares de famílias.
Na ervateira de um pequeno município do Norte gaúcho, na vitrine de uma loja em Santa Catarina e nas agências de uma cooperativa financeira espalhadas pelo Estado, o orgulho de origem se converte em investimento, crédito e expansão.
Chimarrão que sustenta família e exporta cultura
Em Novo Barreiro, Dalvino Ribeiro comanda a Ervateira Prenda e Peão, empresa familiar que produz cerca de cinco toneladas de erva-mate por mês. O que sai dos secadores e pacotes abastece o consumo local e ajuda a manter viva a roda do chimarrão, símbolo maior do cotidiano gaúcho.
Dalvino não enxerga apenas um produto na linha de produção. “Mais do que produzir erva-mate, nós ajudamos a manter viva uma tradição que faz parte da nossa identidade. O chimarrão está presente na vida do gaúcho, nos encontros, nas conversas e nos momentos compartilhados em família e com os amigos. Para nós, é uma satisfação poder fazer parte dessa cultura e, através do nosso trabalho, contribuir para que esse costume continue passando de geração em geração”, afirma.
O negócio nasce da roça, mas hoje se insere em um setor robusto. O Rio Grande do Sul produz cerca de 300 mil toneladas de erva-mate em mais de 170 municípios e se consolida como maior exportador nacional, com embarques para 34 países registrados no ano passado. A planta nativa, por muito tempo associada apenas à tradição regional, vira ativo estratégico na balança comercial e na geração de emprego no interior.
Para ampliar estrutura, renovar máquinas e segurar a produção em épocas de safra fraca, a cooperativa Cresol entra como parceira. Linhas de investimento e capital de giro ajudam a acomodar oscilações de preço e demanda, mantendo a ervateira de pé e a tradição do chimarrão acessível nas gôndolas.
Bombacha, chapéu e e-commerce na rota da Semana Farroupilha
A cultura gaúcha também atravessa fronteiras estaduais. Em Curitibanos, no Meio-Oeste catarinense, o casal Carlos e Rose Goeten comanda há 11 anos a Agro Caíque, mistura de agropecuária com loja de artigos tradicionalistas, selaria e cutelaria. A aposta no universo campeiro nasce do desejo pessoal de Carlos.
“Eu sempre quis ter uma agropecuária e para ter um diferencial a gente apostou nessa parte de artigos tradicionalistas, selaria e cutelaria. Era uma vontade que eu tinha desde jovem. A gente investiu nisso e deu certo”, conta o empresário.
Nesta Semana Farroupilha, o movimento aumenta. Gente de cavalo ou de carro busca renovar o visual para os desfiles e bailes. “A data reflete nas nossas vendas, porque a pessoa quer se apresentar na Semana Farroupilha bem pilchado, então busca uma bombacha nova, um chapéu novo ou outro artigo. A nossa região é de tropeiros e por isso a procura aqui por esses produtos também é grande. O pessoal quer se apresentar bonito”, explica Rose Goeten.
A vitrine, porém, não se limita ao centro da cidade. A Agro Caíque aposta no comércio eletrônico para vender guaiacas, esporas e facas artesanais para estados distantes, como Amazonas, Amapá e Pernambuco. O próximo passo é a exportação de artigos tradicionalistas para Argentina e México, encurtando distâncias com a cultura gaúcha por meio de caixas despachadas pelos Correios e transportadoras.
Na lógica da família Goeten, negócio e identidade caminham juntos. A memória dos tropeiros, que cruzavam o Sul com tropas de gado e mercadorias, inspira o presente. Valores de respeito, família e trabalho duro, frequentemente lembrados em rodas de chimarrão e nas escolas, se desdobram em estratégia comercial e fidelização de clientes.
Cooperativa cresce e vira engrenagem da economia regional
Em meio a produtores de erva-mate, lojistas e pequenos empreendedores, a Cresol se consolida como um dos pilares financeiros do interior gaúcho. A cooperativa mantém 285 agências no Rio Grande do Sul e atende mais de 345 mil cooperados, da agricultura familiar aos comércios urbanos.
Nas agências, o Dia do Gaúcho também tem significado concreto. Linhas de crédito ajustadas à realidade regional ajudam a custear plantio, compra de equipamentos, estoque para datas festivas e investimentos em tecnologia. Para este ano, a previsão é abrir 25 novas unidades no Estado, ampliando capilaridade em regiões onde muitas vezes não há bancos tradicionais.
O casal Goeten mantém sua conta ali desde o início da Agro Caíque. A decisão se ancora menos em aplicativos e mais na proximidade. “Quando abrimos a loja, nós abrimos a conta na Cresol. Abrimos pela confiança. Hoje em dia nós temos muitas ofertas de bancos digitais, mas o olho no olho faz a diferença. Nada melhor do que sentar e olhar nos olhos da pessoa que você está negociando. Nossa parceria segue firme e só temos a agradecer”, afirma Carlos.
O modelo cooperativista, no qual o cliente também é dono, dialoga com valores frequentemente associados ao imaginário gaúcho: união, coragem e trabalho coletivo. No campo e na cidade, o crédito compartilhado substitui soluções padronizadas por atendimento mais próximo, algo decisivo para perfis que misturam tradição, informalidade e forte vínculo comunitário.
Tradição como motor de futuro
Neste domingo, enquanto crianças vestem bombachas nas escolas, CTGs organizam apresentações e famílias se reúnem em torno do fogo de chão, a cultura gaúcha mostra sua força como vetor econômico. Do mate exportado para 34 países aos chapéus vendidos pela internet, o legado farroupilha se converte em faturamento e empregos.
O impulso não se limita a um único dia. A projeção é de um ciclo virtuoso em que o fortalecimento da identidade regional alimenta o turismo, estimula novos negócios ligados ao campo e ao tradicionalismo e atrai investimentos para pequenas cidades. A expansão planejada da Cresol, com 25 novas agências, tende a ampliar esse efeito, ao facilitar o acesso a crédito e serviços financeiros sob medida.
O risco, apontado por quem vive dessa cultura, é o da acomodação: sem apoio a empreendedores locais, incentivo a escolas e CTGs e crédito adequado ao pequeno produtor, o folclore vira peça de museu. Com a roda do chimarrão girando, porém, o cenário é outro. O Dia do Gaúcho termina com o Estado olhando para frente, mas de bota bem firme no chão da própria história.
Por que 20 de setembro é o Dia do Gaúcho?
O Dia do Gaúcho é comemorado em 20 de setembro porque a data marca, de forma simbólica, o início da Revolução Farroupilha, conflito que consolidou a identidade política e cultural do Rio Grande do Sul e se tornou referência para o tradicionalismo gaúcho contemporâneo.
O que se comemora no Dia do Gaúcho?
O Dia do Gaúcho comemora a cultura, os costumes e os valores do povo do Rio Grande do Sul, celebrando desde o chimarrão e a indumentária tradicional até a música, a dança, o trabalho no campo, a história farroupilha e o espírito de união que marca a identidade gaúcha.
O Dia do Gaúcho é feriado no Rio Grande do Sul?
O Dia do Gaúcho em 20 de setembro é feriado civil no Rio Grande do Sul, com repartições públicas fechadas, atividades escolares adaptadas e forte programação cultural, incluindo desfiles, cavalgadas, apresentações em CTGs e eventos que mobilizam cidades grandes e pequenas em todo o Estado.
Qual a importância do Dia do Gaúcho para a cultura gaúcha?
O Dia do Gaúcho é importante porque concentra ações de preservação da memória farroupilha, fortalece CTGs e escolas, impulsiona negócios ligados à tradição, como erva-mate e artigos pilchados, e reforça valores de comunidade, respeito e trabalho que estruturam a identidade cultural gaúcha.
Como é celebrado o Dia do Gaúcho nas escolas?
O Dia do Gaúcho é celebrado nas escolas com crianças pilchadas, rodas de chimarrão simbólicas para adultos, apresentações musicais, declamação de poemas, comidas típicas e atividades de história, usando a data como recurso pedagógico para ensinar respeito, diversidade cultural e a formação do Rio Grande do Sul.
Quais são as principais tradições do Dia do Gaúcho?
As principais tradições do Dia do Gaúcho incluem mate amargo compartilhado, churrasco, desfiles e cavalgadas, fandangos em CTGs, uso de bombacha, bota e lenço, apresentações de danças típicas e celebrações cívicas que recordam a Revolução Farroupilha e os valores associados ao povo gaúcho.