O Inep publicou a Cartilha do Participante da Redação do Enem 2026, documento que reúne as orientações para a prova, detalha as cinco competências avaliadas e apresenta exemplos comentados de redações do exame anterior. Entre os principais alertas está o uso do chamado “repertório de bolso”, expressão usada para referências prontas que podem ser encaixadas em diferentes temas sem uma relação consistente com o assunto proposto.
A orientação interessa diretamente aos candidatos que se preparam para o exame. A redação será aplicada no primeiro dia do Enem, em 8 de novembro, e poderá ter até 30 linhas. A nota varia de zero a 1.000 pontos, distribuídos entre cinco competências, com até 200 pontos em cada uma.
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Entenda o que aconteceu
A cartilha mantém a estrutura conhecida da redação. O candidato deve produzir um texto dissertativo-argumentativo em língua portuguesa formal, apresentar um ponto de vista, desenvolver argumentos e elaborar uma proposta de intervenção para o problema discutido, respeitando os direitos humanos.
As cinco competências também permanecem. Elas avaliam o domínio da escrita formal, a compreensão da proposta e o uso de conhecimentos para desenvolver o tema, a organização dos argumentos, os mecanismos de coesão e a elaboração da proposta de intervenção. Cada competência vale até 200 pontos.
O que ganhou destaque na edição de 2026 é a explicação mais detalhada sobre o repertório sociocultural. O Inep chama de “repertório de bolso” aquela referência previamente decorada e utilizada de maneira genérica, como se pudesse servir para praticamente qualquer tema.
A cartilha explica que o problema não está em citar filósofos, escritores, obras literárias, acontecimentos históricos, leis ou outros conhecimentos. O ponto central é a maneira como essa informação é utilizada: ela precisa ter relação com o tema e contribuir para a construção do argumento.
Quando a citação pode prejudicar a nota
Segundo o material, uma referência inserida de maneira decorada, automática ou forçada pode ser considerada não produtiva e prejudicar o desempenho na Competência II.
Na prática, isso significa que mencionar um autor conhecido não garante, por si só, uma boa avaliação. O candidato precisa demonstrar que compreendeu aquela referência e explicar sua relação com o problema apresentado na proposta de redação.
O próprio Inep utiliza exemplos para mostrar a diferença entre uma referência apenas mencionada e outra efetivamente articulada ao argumento.
O exemplo de Aristóteles
Um dos exemplos apresentados envolve o tema do Enem 2025, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”.
Em uma redação analisada, o estudante escreveu: “Além disso, Aristóteles afirmou que o homem é um animal político. Dessa maneira, é possível perceber que o envelhecimento na sociedade brasileira precisa ser discutido”.
Na avaliação do Inep, a referência ao filósofo não estabelece uma relação suficientemente específica com o envelhecimento da população brasileira. A ideia de que o ser humano vive em sociedade é ampla, mas não é desenvolvida para explicar aspectos concretos relacionados às pessoas idosas no país.
O exemplo mostra o que o Instituto considera uma referência de caráter ornamental, que aparece no texto, mas não fortalece efetivamente a argumentação.
Não existe uma lista de autores proibidos
O alerta não significa que determinados filósofos, livros ou conceitos estejam proibidos na redação.
O próprio material orienta que o candidato escolha referências que tenham relação com o tema, articule o conhecimento citado às ideias defendidas e demonstre compreensão sobre o conteúdo utilizado. A questão, portanto, é menos sobre quem está sendo citado e mais sobre como e por que aquela referência aparece no texto.
Como funciona a correção
Cada redação é inicialmente avaliada por dois corretores, que atribuem notas de zero a 200 em cada uma das cinco competências. A nota final corresponde à média das notas totais atribuídas pelos dois avaliadores.
A cartilha também apresenta situações que podem levar à nota zero ou à anulação da redação, entre elas fuga ao tema, texto com até sete linhas, trecho deliberadamente desconectado do assunto proposto, desobediência à estrutura dissertativo-argumentativa e desrespeito à seriedade do exame.
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Entenda o contexto
A publicação da cartilha ocorre a menos de dois meses da aplicação do Enem. As provas de 2026 serão realizadas em 8 e 15 de novembro, e a redação estará no primeiro dia, junto às provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias.
Para quem está na reta final de preparação, a principal orientação é transformar o repertório em ferramenta de argumentação, e não em uma coleção de frases para serem encaixadas independentemente do tema. O material oficial do Inep apresenta exemplos justamente para mostrar como conhecimentos prévios podem ser relacionados de maneira efetiva ao problema discutido.
A cartilha está disponível gratuitamente no portal do Inep, que também oferece versões adaptadas para participantes com dislexia, TEA e surdez ou deficiência auditiva.
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