A alta do petróleo no mercado internacional colocou os preços dos combustíveis novamente no centro das preocupações do governo federal a poucas semanas do primeiro turno das eleições de 2026. Desde o início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, os valores médios de revenda subiram para praticamente todos os principais combustíveis no Brasil.
Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a gasolina comum acumulou alta de 3,98% no período, enquanto o diesel S10 avançou 14,45%. O etanol hidratado foi a exceção, com redução no preço médio.
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Entenda o que aconteceu
A elevação dos preços internacionais do petróleo aumentou a pressão sobre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que adotou uma série de medidas para tentar reduzir o impacto da crise sobre consumidores e setores que dependem dos combustíveis.
Em março, o governo estabeleceu uma subvenção de R$ 0,32 por litro de diesel para produtores e importadores e também zerou PIS/Cofins sobre a importação e comercialização do combustível. Outras medidas foram adotadas nos meses seguintes.
Em julho, uma subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina foi criada por medida provisória. Já em setembro, o governo autorizou uma nova subvenção de R$ 1 por litro de diesel rodoviário, além de reduzir temporariamente tributos sobre gasolina e zerar as contribuições sobre o etanol hidratado.
Medidas aumentaram o custo para o governo
As ações representam um esforço fiscal para amortecer a transmissão da alta internacional do petróleo aos preços praticados no mercado brasileiro.
Segundo dados divulgados pelo governo, as novas medidas anunciadas em setembro substituíram e ampliaram mecanismos anteriores. A redução temporária das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins diminuiu em R$ 0,63 por litro a carga tributária sobre a gasolina, enquanto o etanol hidratado passou a ter as contribuições zeradas no período determinado.
No caso do diesel, a nova subvenção de R$ 1 por litro pode ser acumulada com um benefício que já estava em vigor. A Petrobras aprovou a adesão ao programa em 19 de setembro. Com as duas medidas, o alívio para as distribuidoras chega a R$ 2,12 por litro.
Preços ainda refletem a alta internacional
Apesar das medidas, os dados da ANP mostram que o impacto da valorização do petróleo não foi totalmente eliminado na cadeia de combustíveis.
Desde 28 de fevereiro, o preço médio de revenda do diesel S10 subiu 14,45%, enquanto a gasolina comum acumulou alta de 3,98%. Outros combustíveis também registraram aumentos no período.
A Petrobras também recebeu novas parcelas de subvenções do governo. De acordo com a estatal, o total pago pelo governo federal em programas de subvenção ao diesel, à gasolina e ao gás liquefeito de petróleo chegou a R$ 9,9 bilhões.
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Eleições aumentam a atenção sobre os preços
A discussão ocorre em um momento de proximidade do primeiro turno das eleições de 2026. A manutenção dos preços dos combustíveis tem impacto direto sobre consumidores, transportadores e empresas, além de influenciar custos de frete e de outros produtos.
A conjuntura também provoca debate sobre o custo das medidas adotadas para conter os preços. O governo afirma que as ações buscam reduzir os efeitos da crise internacional sobre a economia brasileira. Já representantes do setor de combustíveis têm manifestado preocupação com a diferença entre os preços praticados no mercado interno e as referências internacionais.
Entenda o contexto
A pressão sobre os combustíveis começou a se intensificar com a alta do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio. Como o Brasil ainda depende de importações para complementar a oferta de determinados combustíveis, principalmente o diesel, alterações no mercado internacional podem repercutir no mercado doméstico.
Ao mesmo tempo, medidas de redução de tributos e subvenções têm prazo determinado e representam custo para o governo federal. No caso do diesel, a nova subvenção de R$ 1 por litro tem validade inicial de 30 dias, prorrogável por mais 30.
O cenário coloca o governo diante de uma combinação de fatores: petróleo mais caro, pressão sobre os preços internos, necessidade de preservar o abastecimento e impacto fiscal das medidas de contenção. A evolução do conflito no Oriente Médio e dos preços internacionais continuará sendo determinante para os próximos passos da política de combustíveis.
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