Um relatório de engenharia identificou condições compatíveis com um sinkhole sob o complexo residencial The Rialto, na região de Orlando, na Flórida. O problema provocou movimentação do solo e danos estruturais no edifício que precisou ser evacuado em março deste ano.
Ao todo, 358 moradores foram retirados do prédio após relatos de fortes estalos, portas emperradas e rachaduras. Seis meses depois, o condomínio continua desocupado, enquanto engenheiros e autoridades avaliam se existe uma solução segura e viável para estabilizar o terreno e recuperar a estrutura.
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Laudo aponta condições de sinkhole sob prédio
A investigação estrutural e geotécnica concluiu que o deslocamento do edifício provavelmente está relacionado a um mecanismo profundo de subsidência compatível com condições cársticas, também conhecidas como condições de sinkhole.
Na prática, o processo ocorre quando partículas do solo se deslocam para espaços vazios existentes na camada de calcário abaixo da superfície, reduzindo progressivamente o suporte do terreno.
O relatório foi elaborado pela empresa de engenharia Simpson Gumpertz & Heger e entregue às autoridades locais em 17 de setembro, após aproximadamente seis meses de investigação.
Os engenheiros não encontraram evidências de que sistemas hidráulicos, drenagem, proteção contra incêndios ou outras instalações do edifício tenham provocado o movimento do terreno.
Terreno apresenta movimentação há anos
A análise revelou que o problema não começou no dia em que os moradores perceberam os primeiros sinais mais graves dentro dos apartamentos.
Dados utilizados na investigação indicam que partes da propriedade apresentam deslocamento descendente desde pelo menos abril de 2016.
Em média, algumas áreas teriam afundado aproximadamente duas polegadas, pouco mais de cinco centímetros, nesse período. Nas partes mais danificadas do complexo, o deslocamento registrado foi maior.
Os engenheiros também concluíram que o movimento do terreno continua ocorrendo e não está restrito somente aos apartamentos onde apareceram os primeiros danos.
Vazio de cerca de 90 centímetros foi encontrado
Uma das descobertas mais importantes ocorreu abaixo de uma área particularmente afetada do edifício.
Os engenheiros encontraram um espaço vazio de aproximadamente três pés de profundidade, equivalente a cerca de 90 centímetros, e aproximadamente 15 pés de largura entre o solo e a laje térrea.
O vazio ficava abaixo de uma parede estrutural que sustentava parte dos apartamentos.
A ausência de apoio abaixo da laje provocou deslocamento descendente e contribuiu para alguns dos danos mais graves observados no complexo.
A investigação posterior identificou ainda outros vazios menores em diferentes pontos sob o edifício.
Moradores relataram estalos e portas travadas
A emergência começou na madrugada de 19 de março, quando moradores ligaram para o serviço de emergência relatando fortes estalos dentro do prédio.
Alguns residentes perceberam que as portas dos apartamentos haviam ficado emperradas e não conseguiam sair normalmente das unidades.
Equipes de emergência encontraram rachaduras próximas a portas residenciais e corta-fogo e precisaram utilizar ferramentas para abrir algumas delas.
Diante dos sinais de possível instabilidade estrutural, todo o edifício foi evacuado.
O complexo possuía cerca de 200 unidades residenciais e estava aproximadamente 93% ocupado. Segundo as autoridades locais,
358 pessoas foram deslocadas.
Prédio permanece vazio seis meses depois
O The Rialto continua sem moradores desde a evacuação de março.
Até 17 de setembro, moradores de 181 apartamentos, equivalentes a 96% das unidades que estavam alugadas, já haviam optado pelo encerramento dos contratos.
Os responsáveis pelo condomínio informaram ainda que moradores de 178 apartamentos já haviam concluído suas mudanças.
Durante o período de interdição, a administração ofereceu diferentes formas de auxílio aos residentes, incluindo ajuda financeira, serviços de mudança e possibilidade de transferência para outros empreendimentos da mesma empresa.
Engenheiros avaliam se prédio pode ser recuperado
O relatório não encerra o problema. A próxima etapa consiste em determinar se existe uma solução técnica confiável para estabilizar o terreno a longo prazo.
Entre as possibilidades avaliadas para as áreas mais afetadas estão reparos localizados, elevação e nivelamento de partes da estrutura ou até retirada e reconstrução de trechos danificados.
A escolha dependerá da viabilidade técnica das medidas de estabilização do solo.
As autoridades do Condado de Orange afirmam que, como o imóvel permanece desocupado, não existe atualmente um risco imediato à vida dos moradores. Isso não significa, porém, que o prédio esteja liberado para voltar a ser habitado.
Por que sinkholes são associados à Flórida
A ocorrência de sinkholes está relacionada à geologia de regiões onde existem rochas subterrâneas que podem ser dissolvidas pela circulação de água.
O calcário é particularmente suscetível a esse processo. Ao longo do tempo, a água subterrânea pode ampliar fissuras e espaços dentro da rocha, criando vazios abaixo da superfície.
Quando o material localizado acima desses espaços perde suporte ou passa a se deslocar para as cavidades, o terreno pode afundar gradualmente ou sofrer um colapso mais abrupto.
Nem todo movimento de solo na Flórida é necessariamente provocado por um sinkhole. Por isso, investigações geotécnicas são necessárias para determinar a origem de cada ocorrência.
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Entenda O Contexto
O The Rialto fica na West Sand Lake Road, na região de Orlando, e reúne apartamentos e estabelecimentos comerciais em um mesmo complexo.
Na madrugada de 19 de março, moradores começaram a relatar ruídos semelhantes a fortes estalos, portas que não abriam e sinais de movimentação na estrutura. O Corpo de Bombeiros e equipes de segurança determinaram a retirada completa dos ocupantes.
Uma avaliação inicial encontrou um grande espaço vazio entre o solo e a laje do edifício. Em abril, trabalhos de engenharia chegaram a utilizar material de preenchimento abaixo da estrutura para restabelecer apoio em uma das áreas atingidas, enquanto a investigação sobre a origem do problema continuava.
O relatório final divulgado em setembro concluiu que a explicação mais provável é um processo profundo de subsidência associado ao deslocamento de solo para vazios presentes no calcário, característica compatível com atividade de sinkhole.
O estudo também mostrou que o afundamento se estende além da área inicialmente danificada e vem ocorrendo há anos. Agora, engenheiros precisam determinar se uma solução de estabilização de longo prazo é tecnicamente viável antes que seja decidido o futuro do empreendimento.
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