Conflito no Oriente Médio acende alerta para o agronegócio de Rondônia

Região foi destino de 13,4% das exportações do estado em 2025; dependência de fertilizantes e exportação de grãos e carne bovina são pontos críticos em relatório da Faperon.
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A Federação da Agricultura e Pecuária de Rondônia (Faperon) divulgou no relatório geral de março de 2026, um documento técnico que analisa os impactos dos conflitos no Oriente Médio para o produtor rondoniense. O relatório aponta que a instabilidade na região ameaça uma balança comercial que movimentou mais de US$ 610 milhões entre exportações e importações em 2025. Com a escalada das tensões, cadeias produtivas de soja, milho e carne bovina podem sofrer impactos logísticos e financeiros, além do risco no fornecimento de fertilizantes essenciais para a lavoura local.

O que está em jogo?

O agronegócio de Rondônia monitora com atenção a crise geopolítica no Oriente Médio, já que a região é um parceiro estratégico para o escoamento de grãos e proteína animal. Em 2025, o bloco foi destino de 13,49% das exportações estaduais e origem de 8,59% das importações. O setor teme que o prolongamento dos conflitos encareça os custos de produção, especialmente pela alta dependência de insumos como a ureia e o potássio, fundamentais para a produtividade rondoniense.

Parceiros Estratégicos e Pauta Exportadora

Em 2025, as vendas de Rondônia para o Oriente Médio somaram US$ 417,38 milhões. A Turquia lidera o ranking de compradores, sendo responsável por 41,82% desse montante, seguida pelo Egito (24,85%).

Os principais produtos que saíram dos campos rondonienses para o mercado árabe e adjacências foram:

  • Soja: US$ 208,33 milhões.
  • Milho: US$ 119,48 milhões.
  • Carne Bovina: US$ 67,57 milhões.
  • Algodão: US$ 10,07 milhões.

A dependência de fertilizantes

O relatório destaca que a importação de insumos é o ponto de maior vulnerabilidade. Das importações oriundas da região (total de US$ 193,14 milhões em 2025), a maior parte é composta por fertilizantes destinados à produção agrícola. A ureia lidera a lista (US$ 67,85 milhões), acompanhada por superfosfatos (US$ 26,50 milhões) e cloretos de potássio (US$ 10,70 milhões).

O fator Irã: Milho e Ureia

Um dado que chama a atenção no início de 2026 é a intensificação da relação com o Irã. O país se tornou o principal destino do milho rondoniense no primeiro bimestre deste ano. Enquanto em todo o ano de 2025 o Irã comprou 7,85% do milho exportado pelo estado, apenas entre janeiro e fevereiro de 2026 essa fatia saltou para impressionantes 53,46% (US$ 13,08 milhões).

No sentido inverso, o Irã consolidou-se como a principal origem da ureia importada por Rondônia, fornecendo 42,08% de todo o insumo que entrou no estado nos dois primeiros meses de 2026.

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