Justiça Eleitoral libera candidatura de Antônio Rueda e não analisa acusações do caso Banco Master

Presidente nacional do União Brasil teve registro aprovado por unanimidade nesta terça-feira (22); relator disse que suposta delação de Daniel Vorcaro não fazia parte dos pontos determinados para investigação
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Mesmo após o surgimento de acusações que ligam Antônio Rueda ao caso Banco Master, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) aprovou por unanimidade, na última terça-feira (22), o registro de candidatura do presidente nacional do União Brasil, candidato a deputado federal pelo estado. A decisão, tomada por 7 votos a 0, contrariou o Ministério Público Eleitoral (MPE), que havia pedido o indeferimento da candidatura.

O julgamento estava suspenso desde 11 de setembro, quando a Corte determinou a realização de diligências após o surgimento de novas informações sobre o candidato — entre elas, acusações feitas pelo banqueiro Daniel Vorcaro em uma proposta de delação ainda não aceita pelas autoridades.

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Entenda o que aconteceu

No voto que levou ao deferimento do registro, o relator, desembargador Paulo Cesar Salomão Filho, não analisou as acusações ligadas ao caso Banco Master. Segundo ele, a suposta delação não fazia parte dos pontos que o Tribunal havia determinado investigar e, por isso, não entrou na análise do processo.

De acordo com o relato atribuído a Vorcaro, Rueda e o também dirigente do União Brasil ACM Neto teriam atuado para facilitar negócios do Banco Master com institutos de previdência de diferentes estados, incluindo o Rioprevidência, órgãos do Amapá e do Amazonas e a Cedae, além de uma suposta comissão de 10% sobre R$ 2 bilhões em operações.

O que o relator analisou sobre milícias

O principal ponto avaliado por Salomão Filho foi a relação de Rueda com pessoas apontadas pela Justiça Eleitoral como integrantes ou articuladores de organizações paramilitares, entre elas Eduardo Araújo e Fabinho Varandão, que ocuparam secretarias na Prefeitura de Belford Roxo em 2025 e publicaram apoio à candidatura de Rueda.

Segundo o relator, as diligências não encontraram registros de que a estrutura desses grupos tenha sido usada em favor da campanha. Todas as zonas eleitorais de Belford Roxo informaram não ter identificado, durante o processo eleitoral, casos de ameaça, violência, destruição de propaganda, controle territorial, coação de eleitores ou uso de homens armados em benefício das candidaturas de Rueda e Márcio Canella. O relator destacou ainda que Araújo e Varandão deixaram os cargos na prefeitura em setembro de 2025, e que Rueda nunca ocupou cargo público no município.

O outro lado: posição do Ministério Público

O Ministério Público Eleitoral (MPE) é contrário à decisão e havia pedido ao TRE-RJ o indeferimento das candidaturas de Rueda e de Márcio Canella, apontando supostos vínculos com lideranças ligadas a milícias da Baixada Fluminense. Segundo as manifestações enviadas à Justiça Eleitoral, o órgão sustenta que as campanhas estariam associadas a uma estrutura político-eleitoral apoiada por figuras que tiveram candidaturas barradas anteriormente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por envolvimento com grupos paramilitares, e que essas lideranças continuariam exercendo influência política na região.

A defesa de Rueda argumentou que os documentos apresentados tratam de condutas de terceiros e não atribuem crimes ao candidato, sustentando que apoio unilateral e não solicitado não pode ser usado para vincular alguém a uma estrutura criminosa.

Entenda o contexto

A situação se agravou com a prisão do vereador do Rio Jorge Canella (União Brasil), aliado próximo de Márcio Canella. A Polícia Federal encontrou dois fuzis e uma submetralhadora durante a sétima fase da Operação Unha e Carne, investigação que apura possíveis conexões entre agentes públicos e esquemas criminosos; o parlamentar foi preso em flagrante por posse irregular de armas de uso restrito.

Márcio Canella já havia sido alvo da mesma operação em julho, quando foi preso após a apreensão de um fuzil em veículo ligado à sua escolta — a defesa sustenta que a arma estava regularmente acautelada a um policial responsável pela segurança oficial dele. Com a decisão desta terça-feira, Rueda mantém o registro para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2026, mas o caso segue como um dos mais sensíveis do pleito no estado, em meio à sobreposição entre a crise do Banco Master e as investigações sobre milícias na Baixada Fluminense.

 

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