Mais de 25 mil estrangeiros foram deportados pelos Estados Unidos (EUA) para países diferentes de sua nacionalidade entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, segundo uma investigação internacional que acompanha a política migratória do governo de Donald Trump.
Cerca de 20 mil dessas pessoas foram enviadas ao México, que se tornou o principal destino das chamadas deportações para terceiros países.
A apuração encontrou migrantes que chegaram ao território mexicano sem dinheiro, documentos locais, emprego ou uma rede de apoio capaz de recebê-los.
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Cubano viveu 31 anos nos EUA antes de ser enviado ao México
Um dos casos documentados é o de José Alejandro Aponte Delgado, de 66 anos.
O cubano viveu por 31 anos nos Estados Unidos e foi detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega por causa de uma condenação relacionada a drogas ocorrida cerca de três décadas antes.
Depois de uma viagem de ônibus de aproximadamente 30 horas, ele foi deixado em Villahermosa, no estado mexicano de Tabasco.
“Não recebo mais minha aposentadoria americana. Também levaram minha carteira de motorista e meu cartão do Seguro Social, que servia como documento de identidade. Levaram tudo”, relatou José Alejandro.
Cerca de 4,3 mil cubanos foram enviados ao México
Os cubanos aparecem como um dos principais grupos atingidos pela política.
A investigação estima que aproximadamente 4,3 mil cidadãos de Cuba tenham sido expulsos dos Estados Unidos para o México desde 2025.
Parte deles enfrenta dificuldade adicional porque Cuba não aceita automaticamente todos os cidadãos submetidos a processos de remoção nos Estados Unidos.
Isso pode deixar deportados sem possibilidade imediata de regressar ao país de origem e, ao mesmo tempo, sem situação migratória estável no México.
Advogado aponta “limbo jurídico”
Salvador Guerrero, coordenador da Clínica Jurídica Alaide Foppa, que oferece assistência a refugiados na Cidade do México, afirma que o processo ocorre com pouca transparência.
“As deportações de estrangeiros para o México têm ocorrido longe dos holofotes”, afirmou Guerrero.
Segundo ele, estrangeiros enviados dos Estados Unidos podem encontrar dificuldade para trabalhar legalmente, obter documentos e definir se permanecerão no México ou tentarão retornar ao país de origem.
“Eles não têm acesso ao mercado de trabalho, não sabem se poderão retornar aos seus países de origem, não possuem documentos mexicanos e perderam seus vínculos com os Estados Unidos”, declarou.
Após 45 anos nos EUA, deportado passou a viver nas ruas
Outro caso relatado é o de Lorenzo, também cubano.
Ele viveu aproximadamente 45 anos nos Estados Unidos antes de ser enviado ao México por causa de uma antiga ordem de deportação.
Já em território mexicano, passou a dormir nas ruas.
“Eu moro na rua, durmo nas calçadas”, contou.
Lorenzo conseguiu posteriormente o reconhecimento como refugiado no México, mas relatou permanecer sem recursos financeiros suficientes para reorganizar a própria vida.
Investigação aponta cooperação sem acordo público específico
A apuração afirma que as transferências para o México ocorrem por meio de cooperação entre os dois governos, mas sem um acordo público específico que detalhe as regras aplicáveis a estrangeiros enviados ao território mexicano.
Essa ausência de regras claras é um dos principais pontos questionados por especialistas e organizações que acompanham os deportados.
O governo mexicano foi procurado pelos responsáveis pela investigação e não comentou as conclusões apresentadas.
Política faz parte do endurecimento migratório de Trump
As deportações fazem parte do endurecimento da política migratória adotado pelo governo Donald Trump desde o retorno do republicano à Casa Branca, em janeiro de 2025.
A administração sustenta que o aumento das remoções é necessário para aplicar as leis migratórias e ampliar o controle sobre a permanência irregular no país.
Advogados e organizações de direitos dos migrantes, por outro lado, questionam a falta de transparência em determinadas remoções para terceiros países e as condições oferecidas a quem é enviado a locais onde não possui vínculos.
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Entenda O Contexto
A investigação internacional analisou deportações realizadas desde o retorno de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025.
Entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, mais de 25 mil estrangeiros foram removidos para terceiros países.
Cerca de 20 mil foram enviados ao México.
O governo Trump apresenta o aumento das deportações como parte da aplicação das leis migratórias. Especialistas e entidades de assistência questionam especialmente o destino de estrangeiros enviados a países onde não possuem documentação, renda ou rede familiar.
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