A Polícia Civil de Roraima trabalha com a hipótese de que a morte do líder indígena Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos, tenha sido consequência de um acidente de trânsito seguido por ataque de formigas e desorientação na mata.
Apesar da conclusão pericial indicar esse cenário como o mais provável, a possibilidade de homicídio ainda não foi descartada e segue sob investigação.
Jovem desapareceu após sair de comunidade
Gabriel foi visto pela última vez na madrugada do dia 1º de fevereiro, quando saiu de uma comunidade pilotando uma motocicleta pela rodovia RR-203, no município de Amajari.
O corpo foi localizado apenas no dia 10 de fevereiro, já em avançado estado de decomposição, após nove dias de buscas.
Ataque de formigas pode ter provocado pânico
Segundo a reconstituição da perícia, há indícios de que o jovem tenha sofrido uma queda de moto na altura do quilômetro 26 da rodovia.
Após o acidente, ele teria caído sobre um ninho de formigas tucandeiras, conhecidas pela ferroada extremamente dolorosa. A dor intensa pode ter causado desespero e desorientação, levando a vítima a entrar na mata, mesmo estando próximo da estrada.
Causa da morte segue indeterminada
Devido ao estado do corpo, a causa da morte não pôde ser definida com precisão. A identificação foi feita por meio da arcada dentária.
Exames não apontaram fraturas ou lesões fatais. Marcas encontradas no pescoço inicialmente levantaram suspeitas, mas foram atribuídas à ação de animais após a morte.
Celular não indica ameaças ou conflitos
A análise do aparelho celular da vítima não identificou registros de ameaças ou indícios de envolvimento em conflitos.
Segundo a Polícia Civil, também não há boletins de ocorrência que indiquem qualquer situação de risco envolvendo o líder indígena.
Conselho indígena pede cautela e novas investigações
O Conselho Indígena de Roraima afirmou que ainda existem pontos sem esclarecimento e defende cautela na conclusão do caso.
A entidade destacou que objetos pessoais, como motocicleta, celular e roupas, foram encontrados a cerca de 250 metros do corpo, o que levanta dúvidas entre as comunidades.
Caso pode ter novas perícias e acompanhamento federal
O conselho informou que pretende solicitar análises independentes e novas diligências. Também deve acionar a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para acompanhar o caso.
O MPF já iniciou um procedimento para monitorar a situação e deve solicitar acesso ao inquérito para avaliar possíveis medidas na esfera federal.
Comunidades seguem cobrando respostas
A morte de Gabriel gerou mobilizações na região, com manifestações pedindo esclarecimento sobre o caso.
Lideranças indígenas afirmam que continuarão acompanhando as investigações até que todas as circunstâncias sejam esclarecidas.