A fumaça que voltou a encobrir Manaus provocou 132 atendimentos por problemas respiratórios na rede estadual de saúde do Amazonas entre 1º de julho e 22 de setembro. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) nesta quarta-feira (23), durante uma coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).
O levantamento foi apresentado em meio a mais um episódio de forte concentração de fumaça na capital amazonense, que registrou índices de poluição acima da faixa máxima de referência do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva). O cenário também levou a novos pedidos de medidas judiciais e administrativas para enfrentar o problema.
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Fumaça aumenta procura por atendimento médico
Segundo a SES-AM, os 132 atendimentos registrados ocorreram principalmente na rede de urgência e emergência, incluindo os Serviços de Pronto Atendimento (SPAs).
A secretaria informou que crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da fumaça.
A exposição aos poluentes presentes no ar pode agravar problemas respiratórios já existentes e provocar novos sintomas em pessoas sensíveis.
Sintomas exigem atenção
A SES-AM orienta a população a observar sinais como tosse, desconforto respiratório, crises de rinite, dor no peito, náusea e dor de cabeça.
Nos casos considerados leves, a recomendação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou utilizar serviços de telessaúde.
Já pessoas com sintomas mais intensos devem buscar atendimento em unidades de urgência e emergência.
Saúde recomenda evitar exposição
Entre as orientações estão manter a hidratação, evitar permanecer por longos períodos exposto à fumaça e, quando possível, ficar em ambientes fechados durante os horários de maior concentração de poluentes.
A recomendação também inclui atenção especial para pessoas que já possuem doenças respiratórias ou cardiovasculares.
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Defensor pede intervenção federal e Mesa de Situação
A nova onda de fumaça também motivou o defensor público Carlos Alberto Almeida a anunciar pedidos de intervenção federal à Procuradoria-Geral da República (PGR) e de criação de uma Mesa de Situação junto à Justiça Estadual.
Segundo Almeida, as medidas são uma tentativa de cobrar respostas mais efetivas para um problema que, segundo ele, atinge Manaus desde 2022 durante o período de maior intensidade das queimadas.
O defensor afirmou que já havia apresentado pedidos semelhantes em anos anteriores, mas que eles não avançaram.
“Este é o novo normal e parece que ninguém está fazendo nada para mudar essa situação”, afirmou Carlos Alberto Almeida.
Pedidos anteriores foram arquivados
Segundo Almeida, o pedido de intervenção federal apresentado em 2023 foi arquivado pela PGR no início deste ano.
A justificativa apresentada foi de que medidas preventivas e ações de combate às queimadas já estavam sendo adotadas pelos órgãos responsáveis.
O pedido de criação de uma Mesa de Situação também não foi aceito pela Justiça Estadual, que considerou que as ações de combate já estavam sendo realizadas.
O defensor criticou o entendimento e afirmou que a situação continua se repetindo em Manaus.
O que é uma Mesa de Situação?
A Mesa de Situação é uma estrutura criada para acompanhar problemas que exigem monitoramento constante e decisões rápidas.
Na prática, reúne representantes de diferentes áreas, concentra informações e permite acompanhar a evolução de uma crise para coordenar ações.
Como funciona uma intervenção federal
A intervenção federal é uma medida prevista na Constituição que permite à União assumir temporariamente determinadas áreas de responsabilidade de um estado ou governo local em situações específicas.
O procedimento envolve a indicação de um interventor e possui regras próprias previstas na legislação.
Casos anteriores incluem a intervenção federal no Rio de Janeiro, em 2018, quando a área de segurança pública passou a ser comandada por um interventor federal.
Entenda o contexto
A fumaça que atinge Manaus está relacionada ao período de queimadas na região amazônica, que costuma provocar piora na qualidade do ar durante determinadas épocas do ano.
O problema afeta a rotina dos moradores e aumenta a preocupação dos órgãos de saúde devido ao impacto sobre pessoas com maior vulnerabilidade.
Enquanto a Secretaria de Saúde monitora os atendimentos, representantes da sociedade civil e autoridades discutem novas medidas para enfrentar o avanço da fumaça na capital amazonense.
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