Brasileira é detida pelo ICE nos EUA após aborto espontâneo e crise de saúde mental

Iara do Carmo Santana, de 29 anos, foi entregue ao serviço de imigração após a polícia ser acionada pelo noivo durante um episódio de instabilidade emocional; caso segue na Justiça americana.
Redação NC News
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A brasileira Iara do Carmo Santana, de 29 anos, foi detida pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) após passar por um aborto espontâneo e enfrentar uma crise de saúde mental em Massachusetts. O caso aconteceu em Malden, nos Estados Unidos, após o noivo dela acionar o serviço de emergência preocupado com o estado emocional da companheira.

Segundo relatos do casal, a intenção era que Iara recebesse atendimento médico e apoio durante o episódio. Após a atuação da polícia local, porém, a brasileira acabou sendo encaminhada ao ICE, órgão responsável pela fiscalização das leis de imigração nos Estados Unidos.

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Brasileira enfrentava luto após perda gestacional

Iara relatou que sofreu um aborto espontâneo no fim de agosto, quando estava com aproximadamente seis semanas de gestação. Após a perda, ela precisou passar por um procedimento médico e iniciou tratamento com medicamentos, incluindo antibióticos e analgésicos, após desenvolver uma infecção.

De acordo com o casal, a perda gestacional provocou um período de sofrimento emocional. O noivo, Gabriel Lemos, afirmou que acionou a emergência porque estava preocupado com o bem-estar dela durante a crise.

Prisão ocorreu após chamado de emergência

Segundo registros judiciais citados pela imprensa americana, autoridades afirmaram que Iara teria agredido o noivo durante o episódio. Ela foi presa sob acusações relacionadas a agressão. Gabriel Lemos, porém, negou que tenha sido vítima e afirmou que chamou ajuda justamente para que ela recebesse atendimento.

Após algumas horas sob custódia da polícia de Malden, a brasileira foi entregue ao ICE. O órgão teve acesso às informações da prisão por meio de bancos de dados compartilhados usados para identificar pessoas com pendências migratórias.

Iara ficou quatro dias em centro de detenção

A brasileira permaneceu quatro dias em um centro de detenção do ICE em Burlington. Segundo seu relato, durante o período ela não recebeu adequadamente os medicamentos que utilizava para tratar a infecção decorrente do procedimento médico realizado após o aborto espontâneo.

Iara também afirmou que informou aos agentes que enfrentava sintomas de ansiedade e depressão e que ainda estava em recuperação de um procedimento de saúde.

Justiça determinou libertação da brasileira

O caso chegou à Justiça americana e, em 8 de setembro, o juiz Leo T. Sorokin determinou a libertação de Iara. A decisão também impediu que ela fosse transferida para outro estado ou deportada enquanto o processo segue em análise.

Após deixar a detenção, a brasileira passou a responder em liberdade pela acusação de agressão e continua aguardando uma definição sobre sua situação migratória nos Estados Unidos.

Situação migratória segue em análise

Iara entrou nos Estados Unidos em 2021 pela fronteira com o México, segundo o Departamento de Segurança Interna americano. Ela solicitou asilo e possui uma audiência marcada no tribunal de imigração para 2029.

A brasileira conseguiu autorização de trabalho durante esse período e vivia com o noivo e o filho de seis anos. Gabriel Lemos possui residência permanente nos Estados Unidos, conhecida como Green Card.

Entenda o contexto

O caso envolve a atuação do ICE, órgão responsável pela aplicação das leis de imigração nos Estados Unidos, e ocorre em meio ao debate sobre políticas migratórias mais rígidas no país.

A situação de Iara passou a envolver duas frentes: o processo criminal relacionado à acusação de agressão e a análise da condição migratória dela nos Estados Unidos.

A defesa da brasileira questiona a condução do caso e afirma que o chamado de emergência feito pelo noivo tinha como objetivo buscar ajuda durante uma crise de saúde mental.

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