Milionário, 86, vive hoje recluso em um sítio em Mogi Mirim, interior de São Paulo, enquanto o parceiro José Rico, morto em 2015, e o compositor Rick Sollo ganham novas homenagens nas redes, impulsionadas por vídeos feitos com inteligência artificial.
Retiro em Mogi Mirim após a despedida dos palcos
O cantor que ajudou a transformar o sertanejo em fenômeno nacional trocou a rotina de estrada por uma vida de interior. Desde a morte de José Rico, ele se afasta gradualmente dos grandes shows e se concentra em preservar a saúde após procedimentos cardiológicos.
O sítio em Mogi Mirim tem cenário típico de área rural, com casa avarandada, pomar e tanques para pesca esportiva. “Milionário também cuida de pequenos animais e costuma receber amigos para encontros informais acompanhados de rodas de viola”, descreve quem convive com o artista.
A mudança é radical para quem, durante décadas, lotou casas de show pelo país. Em vez de caravanas de fãs, Milionário hoje convive com familiares próximos, alguns vizinhos e poucos amigos de longa data, que mantêm a viola soando em reuniões discretas.
Do palco à memória: José Rico e a força de uma dupla clássica
José Rico, parceiro de Milionário, se consagra como uma das vozes mais marcantes da música sertaneja. “Foi ao lado de José Rico que o cantor construiu uma das parcerias mais conhecidas da música sertaneja”, lembra um colaborador antigo da dupla.
Os dois ficaram conhecidos como “Os Gargantas de Ouro do Brasil” e venderam milhões de discos. Canções como “Estrada da Vida”, “Vontade Dividida” e “Decida” ajudam a popularizar arranjos com orquestra e trompetes em plena era das duplas de raiz, abrindo caminho para o sertanejo moderno sem abandonar a melodia sofrida.
A ausência de Milionário dos palcos pesa no segmento das duplas clássicas, que moldaram o gênero a partir das décadas de 1970 e 1980. A cena atual, dominada por artistas mais jovens e pelo chamado sertanejo universitário, perde uma presença histórica, mas conserva o repertório em rádios, plataformas digitais e novos intérpretes.
IA recria reencontros no “céu” e emociona fãs
A morte recente de Rick Sollo, aos 59 anos, em um acidente de helicóptero em Santa Catarina, reacende o debate sobre memória e tecnologia no sertanejo. Em poucas horas, fãs passam a usar ferramentas de inteligência artificial para criar vídeos que simulam um reencontro do cantor com artistas já falecidos, como José Rico, Marília Mendonça e Leandro.
Nas imagens, Rick chega ao “céu” e recebe as boas-vindas dos colegas de profissão. O tom é abertamente emocional, com abraços, diálogos imaginados e cenários luminosos. Os vídeos circulam com força em redes sociais e aplicativos de mensagens, com milhares de compartilhamentos e comentários saudosos.
O fenômeno não se limita ao luto imediato. A mesma estética de reencontros celestiais passa a ser aplicada também a outros ídolos, como o próprio José Rico, em montagens que o mostram revivendo a parceria com Milionário em um plano espiritual. Para parte do público, é uma forma de conforto; para outros, uma fronteira delicada entre homenagem e exploração da saudade.
Rick Sollo, o compositor por trás de 22 sucessos
Rick Sollo “ficou conhecido nacionalmente como cantor da dupla com Renner, mas sua trajetória na música sertaneja também foi marcada pela composição”. Ele constrói, ao longo da carreira, um catálogo com centenas de obras registradas, das quais ao menos 22 ganham destaque em vozes alheias.
Essas músicas ajudam a costurar a história recente do gênero. João Paulo & Daniel gravam canções como “Só Dá Você na Minha Vida” e “Poeira da Estrada”. Chitãozinho & Xororó transformam “Página de Amigos” em clássico instantâneo. Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano, Gino & Geno, Bruno & Marrone e Daniel reforçam a onipresença do compositor em rádios e bailões sertanejos.
Milionário & José Rico também se beneficiam desse repertório. A dupla grava “Agenda Rabiscada”, “Nenhuma Esperança” e “Tempestade de Paixão”, que se encaixam naturalmente no universo de dores de amor e estradas sem fim que sempre marcou suas letras. O elo entre os dois artistas, agora ambos fora de cena, alimenta ainda mais a onda de tributos digitais.
Um patrimônio que migra do palco para o arquivo digital
As homenagens com IA apontam para um novo ciclo da memória sertaneja. O mercado de shows sente a falta de figuras lendárias que, como Milionário, reduzem a agenda ou saem de cena. Ao mesmo tempo, cresce a construção de um acervo virtual de imagens, áudios e recriações que mantêm esses nomes vivos para quem nunca os viu ao vivo.
O sertanejo tradicional sai dos grandes rodeios e aparece em playlists de streaming, documentários e vídeos recriados por fãs. Cada montagem, por mais simples, reforça a ideia de que a obra supera o corpo do artista. A tendência é que esse patrimônio digital se consolide, com iniciativas mais profissionais e maior participação de famílias e herdeiros na gestão dessas memórias.
A vida reservada de Milionário em Mogi Mirim sintetiza esse momento. O artista escolhe o silêncio do sítio para cuidar do coração, enquanto sua voz e a de José Rico seguem circulando em discos, plataformas e agora também em tributos artificiais. O futuro do gênero parece caminhar entre o respeito à história e a adoção de novas ferramentas para contá-la.
O que aconteceu com José Rico?
José Rico, cantor da dupla Milionário & José Rico, morreu em 2015 após complicações de saúde, encerrando uma das parcerias mais marcantes da música sertaneja e abrindo caminho para o retiro de Milionário no interior de São Paulo, onde o parceiro passa a priorizar a própria saúde e a vida em família.
Qual era a doença de José Rico?
José Rico morre em 2015 em consequência de problemas de saúde, associados a complicações cardíacas e respiratórias, após anos de rotina intensa de shows, mas os detalhes clínicos específicos permanecem preservados pela família, que evita expor laudos e prontuários médicos do cantor ao público desde a época da perda.
Quem é Milionário, parceiro de José Rico?
Milionário é Romeu Januário de Matos, cantor sertanejo de 86 anos, parceiro histórico de José Rico na dupla Milionário & José Rico, conhecida como “Os Gargantas de Ouro do Brasil”, que emplacou sucessos como “Estrada da Vida” e hoje vive recluso em um sítio em Mogi Mirim, no interior de São Paulo.
Como os filhos de José Rico estão mantendo o legado do cantor?
Os filhos de José Rico mantêm o legado principalmente por meio da preservação da obra do pai, da participação em homenagens e do incentivo à regravação de clássicos, enquanto fãs alimentam tributos nas redes, mas detalhes sobre projetos formais ou carreiras artísticas próprias não são amplamente divulgados pela família.
Por que José Rico cantava com a mão no ouvido?
José Rico cantava com a mão no ouvido para se ouvir melhor em meio ao som alto das bandas e dos palcos, recurso comum entre vocalistas para ajustar a afinação, e o gesto acabou virando marca registrada de suas apresentações ao lado de Milionário, ajudando a compor a imagem intensa e dramática do cantor.
Como José Rico está sendo lembrado em seu sítio após a morte do parceiro?
José Rico é lembrado hoje no sítio de Milionário em Mogi Mirim em rodas de viola, conversas entre amigos e na audição frequente dos sucessos da dupla, enquanto o parceiro, recluso aos 86 anos, mantém a memória viva em encontros informais e acompanha homenagens que se multiplicam nas redes com apoio de inteligência artificial.