O primeiro jogo do Brasil depois da Copa do Mundo de 2026 terminou com um empate que resume bem o momento de transição da Seleção. Nesta sexta-feira (25), a equipe comandada por Carlo Ancelotti ficou no 1 a 1 com a Austrália, no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville, e precisou do último lance da partida para evitar a derrota.
Rayan, que havia começado no banco de reservas, entrou aos 31 minutos do segundo tempo e apareceu no momento decisivo. Aos 49 minutos da etapa final, o atacante aproveitou cobrança de escanteio e cabeceou para as redes, garantindo o empate brasileiro. Antes dele, Nestory Irankunda havia colocado os australianos na frente, aos 23 minutos do segundo tempo.
O resultado marcou o início de uma nova etapa da Seleção sob o comando de Ancelotti. O treinador aproveitou o amistoso para observar jogadores e alternativas depois da campanha brasileira no Mundial, em que a equipe foi eliminada pela Noruega nas oitavas de final. O italiano havia destacado antes da partida que não pretendia começar um trabalho completamente do zero, mas dar sequência ao que já vinha sendo construído.
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Brasil começa com dificuldades para criar
Ancelotti escalou Hugo Souza no gol; Matheuzinho, Marquinhos, Vitor Reis e Douglas Santos na defesa; Danilo e Bruno Guimarães no meio; Raphinha, Estêvão, Endrick e Vinicius Junior no ataque.
Matheuzinho e Vitor Reis fizeram suas estreias pela Seleção principal. A escalação também mostrava a tentativa de manter uma base do Mundial, ao mesmo tempo em que o treinador começava a observar novas peças para o ciclo seguinte.
O Brasil teve mais posse de bola durante a partida, mas encontrou dificuldades para transformar esse domínio em oportunidades claras. Segundo os dados do jogo, a Seleção terminou com 65% de posse e cinco finalizações no alvo, contra duas da Austrália.
A equipe brasileira circulava a bola, mas não conseguia encontrar espaços com frequência no último terço. Vinicius Junior, Endrick, Raphinha e Estêvão tiveram participação ofensiva, porém o ataque encontrou uma Austrália compacta e disposta a explorar os espaços deixados pelo adversário.
O primeiro tempo terminou sem gols, mas teve um momento importante já nos acréscimos. Estêvão chegou a balançar as redes após receber passe de Endrick, mas o lance foi revisado pelo VAR e o gol acabou anulado por falta do atacante brasileiro na jogada.
O lance manteve o placar zerado e aumentou a sensação de que o Brasil precisava encontrar uma solução ofensiva para transformar a posse em perigo real.

Austrália aproveita uma das melhores oportunidades
A segunda etapa começou sem mudanças imediatas no placar, mas Ancelotti passou a mexer na equipe conforme o jogo avançava.
Douglas Luiz entrou no lugar de Bruno Guimarães aos 16 minutos do segundo tempo. Pouco depois, Samuel Lino substituiu Vinicius Junior e Pedro entrou na vaga de Endrick.
As mudanças buscavam dar novo ritmo ao ataque brasileiro, mas foi a Austrália quem conseguiu aproveitar uma oportunidade decisiva.
Aos 23 minutos, Nestory Irankunda recebeu espaço e colocou os donos da casa em vantagem. O atacante, uma das principais promessas australianas, finalizou para fazer 1 a 0.
O gol obrigou o Brasil a acelerar a busca pelo empate.
A equipe passou a ocupar ainda mais o campo de ataque, enquanto a Austrália recuou e tentou proteger a vantagem. O cenário deixou o Brasil mais exposto, mas também aumentou a pressão sobre a defesa australiana.

Rayan entra e muda o destino do jogo
Aos 31 minutos da etapa final, Ancelotti colocou Rayan em campo no lugar de Estêvão.
O atacante, que já havia sido utilizado pela Seleção durante a Copa do Mundo, ganhou pouco mais de 15 minutos para tentar mudar o panorama da partida. E mudou.
Quando o empate parecia cada vez mais distante, o Brasil teve uma última oportunidade em cobrança de escanteio. Raphinha fez a cobrança e Rayan apareceu dentro da área para cabecear e mandar a bola para o fundo das redes.
O gol saiu aos 49 minutos do segundo tempo, no último lance da partida, e decretou o 1 a 1.
O atacante comemorou bastante depois do gol e afirmou que a Seleção precisa aproveitar a próxima oportunidade para buscar a vitória contra os mesmos adversários.
“Vamos buscar”, disse Rayan ao falar sobre o próximo encontro com a Austrália.
Ancelotti vê espaço para evolução
Depois da partida, Ancelotti reconheceu que a atuação brasileira ficou abaixo do que a equipe pode apresentar, mas destacou o caráter de observação e testes do início de ciclo.
O treinador também pediu paciência ao torcedor diante das mudanças que começam a ser feitas na Seleção. Para Ancelotti, o momento exige avaliação de jogadores e construção gradual da equipe.
Marquinhos, capitão da Seleção, também reconheceu que o Brasil precisa evoluir. Segundo o zagueiro, a equipe tem condições de apresentar um futebol melhor nos próximos compromissos.
A partida serviu, portanto, para mostrar dois lados do novo ciclo: a manutenção de uma base considerada importante e a entrada de jogadores que podem ganhar espaço nos próximos anos.

Próximo desafio será contra a própria Austrália
O empate não encerra a sequência de confrontos entre as duas seleções.
Brasil e Austrália voltarão a se enfrentar na próxima terça-feira (29), desta vez em Brisbane. Será mais uma oportunidade para Ancelotti testar jogadores e corrigir os problemas apresentados no primeiro duelo.
Depois do segundo confronto contra os australianos, a Seleção enfrentará a Índia, em 3 de outubro, em Calcutá, encerrando a sequência de três amistosos desta Data Fifa.
A sequência é importante justamente porque o Brasil entra em um período de reconstrução. Sem alguns nomes experientes que estiveram presentes no ciclo anterior, como Neymar e Casemiro, Ancelotti começa a definir quais jogadores terão maior participação na formação da equipe para os próximos anos.
Entenda o contexto
O empate em Townsville foi o primeiro compromisso do Brasil desde a eliminação para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. A partir de agora, a Seleção inicia um novo ciclo, tendo como horizonte a próxima edição do Mundial.
Ancelotti chegou ao cargo com a missão de conduzir essa transição sem necessariamente romper com toda a estrutura construída anteriormente. Por isso, a primeira convocação combinou jogadores que participaram da Copa com novidades e atletas que buscam espaço.
Contra a Austrália, dois jogadores fizeram suas estreias como titulares: Matheuzinho e Vitor Reis. Outros nomes também receberam oportunidade ao longo da partida, como Rayan, Pedro, Samuel Lino, Douglas Luiz, Jair Cunha e Mauro Júnior.
O resultado também manteve um dado importante do confronto histórico: antes deste jogo, Brasil e Austrália haviam se enfrentado oito vezes, com seis vitórias brasileiras, uma australiana e um empate. A partida de Townsville acrescentou mais um empate à série.
Mais do que o resultado, o amistoso serviu como primeiro retrato do que Ancelotti pretende observar neste novo ciclo. A Seleção teve maior posse de bola, mas criou pouco para o volume apresentado, sofreu quando a Austrália encontrou espaço e precisou de uma jogada de bola parada no último lance para sair de campo com o empate.
Rayan acabou sendo o personagem da noite. Mas, para o Brasil, o 1 a 1 deixou uma série de questões que serão novamente testadas na próxima terça-feira, no segundo encontro com os australianos.
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