O fantasma que assombra os dois lados. O caso Master deixou de ser um escândalo financeiro para se tornar o principal ativo de desgaste cruzado da eleição presidencial de 2026. E quem paga a conta, por ora, é o eleitor indeciso.
O caso envolvendo o Banco Master entrou de vez no coração da disputa presidencial, e ninguém que está concorrendo à cadeira do Planalto saiu ileso.
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Entenda o que aconteceu
De um lado, Flávio Bolsonaro (PL) carrega o peso dos áudios vazados com Daniel Vorcaro, o banqueiro preso que comandou um rombo de dezenas de bilhões de reais. A justificativa da campanha é que a negociação girava em torno de um contrato de patrocínio privado.
Mas nos bastidores, quem acompanha o comportamento do eleitorado sabe que a moldura da narrativa importa tanto quanto a narrativa em si, e a moldura que ficou foi a mais inconveniente possível para a campanha: um candidato que promete combater a corrupção captado em conversa com um investigado por fraude bilionária.
Jaques Wagner na mira da Operação Compliance Zero
Do outro lado, Lula (PT) tenta fazer do Master uma arma unilateral, mas o tiro resvala. O senador Jaques Wagner (PT-BA), um dos nomes mais próximos da cúpula petista, virou alvo da Operação Compliance Zero. A PF apura indícios de que ele teria recebido vantagens econômicas ligadas ao grupo Vorcaro. Apartamento, aeronaves, transferências, ingressos de show.
O presidente pediu votos para Wagner em convenção e manteve o apoio público. Essa fidelidade tem custo eleitoral.
O que os bastidores chamam de cancelamento cruzado
O resultado desse empate de desgaste está nas pesquisas: parte do eleitorado enxerga o Master como um problema de ambos os lados, e não de apenas um. Isso tem nome nos bastidores: cancelamento cruzado.
Os votos duros de Lula e de Flávio não se movem. Mas o eleitor que ainda está escolhendo, esse se move, e pode definir o primeiro turno.
Augusto Cury aproveita o vácuo e salta nas pesquisas
É justamente nesse vácuo que Augusto Cury (Avante) apareceu. O escritor e psiquiatra, sem cargo eletivo na história, saltou de 2% para a casa dos 10% nas pesquisas mais recentes, assumindo a terceira posição na corrida presidencial.
Ronaldo Caiado (PSD), que foi lançado com a expectativa de representar uma alternativa consistente ao campo da direita, perdeu espaço para esse novo personagem do tabuleiro.
A aposta de Flávio Bolsonaro no voto útil
A campanha de Flávio, percebendo o risco da fragmentação no campo à direita do PT, intensificou a pregação do voto útil. A lógica é fechar o primeiro turno e evitar que o indeciso se disperse.
Mas nos bastidores avalia-se que essa estratégia tem dupla face: pode funcionar e consolidar a campanha, ou pode ser lida como sinal de fragilidade, acelerando o efeito inverso.
Faltam nove dias para o dia 5 de outubro. Quem errar menos, passa. Quem o Master atingir mais fundo, perde a largada.
Entenda o contexto
O caso Master passou a ocupar espaço central no debate político após uma série de acontecimentos envolvendo o banco, seus dirigentes e diferentes personagens do cenário nacional.
A Operação Compliance Zero, as investigações relacionadas ao grupo comandado por Daniel Vorcaro e os desdobramentos envolvendo nomes ligados aos principais campos políticos passaram a ser explorados pelas campanhas em meio à disputa presidencial.
Os áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro e as apurações envolvendo Jaques Wagner ampliaram a repercussão do caso, que passou a ser utilizado como elemento de confronto entre grupos políticos adversários.