Zezé Di Camargo transforma a homenagem a Rick Sollo em palco de posicionamento político e religioso durante shows em Cáceres (MT) e Frutal (MG), e provoca forte reação nas redes sociais.
Homenagem em palco lotado vira discurso sobre “lado direito”
Três dias após a morte de Rick Sollo na queda de um helicóptero em Urubici, Santa Catarina, o sertanejo sobe ao palco em Cáceres, na quinta-feira (24), decidido a falar do amigo. Diante do público, afirma que o cantor, morto aos 59 anos, está “ao lado direito de Deus” e associa o lado direito às “coisas boas”.
No dia seguinte, em Frutal, Minas Gerais, repete a homenagem e amplia o recado, agora com contornos nitidamente políticos. “Que Deus o tenha bem do lado direito. É do lado direito que ficam as coisas boas. Apesar do Brasil estar do lado esquerdo, quando você fala que uma pessoa é do bem, diz que é uma pessoa direita. O Rick está do lado direito de Deus. Eu espero que o Brasil, logo, logo, também esteja totalmente do lado direito”, diz, sob aplausos e celulares erguidos.
O tom mistura fé, intimidade e militância às vésperas das eleições municipais e estaduais. Em vez de apenas celebrar a trajetória de Rick, parceiro de Renner por décadas, Zezé encaixa na despedida uma defesa explícita da direita como sinônimo de moralidade. A fala viraliza em vídeos curtos, replicados em diferentes plataformas.
Velório em Sorocaba, tragédia aérea e histórico político do cantor
O acidente que mata Rick Sollo ocorre na segunda-feira (21), quando o helicóptero em que ele viajava perde contato após decolar de Porto Belo rumo a São Joaquim, em Santa Catarina. A aeronave cai em área de mata em Urubici. Os cinco ocupantes morrem, entre eles o empresário Bruno Avelar. O país acompanha as buscas e o desfecho trágico.
Zezé conta ao público que reorganiza a rota para se despedir do amigo em Sorocaba, no interior paulista, antes dos shows. “Mudei a minha logística para chegar aqui hoje, porque eu tinha um compromisso com o meu coração, que era passar para fazer a despedida de um grande amigo meu da música”, afirma, em clima de comoção. O relato reforça a proximidade entre os dois e prepara o terreno para a frase que, em seguida, desloca o roteiro do luto para a arena política.
A trajetória de Zezé ajuda a explicar a repercussão. Ao longo da carreira, ele alterna apoios públicos a campos distintos. Participa de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva no início dos anos 2000 e, anos depois, aproxima-se da direita e de Jair Bolsonaro. Em 2025, critica duramente a presença de Lula e do ministro Alexandre de Moraes em evento televisivo, acusa a direção da emissora de “se prostituir” e vê um especial de Natal seu ser retirado da programação.
Luto, eleição e redes sociais em ebulição
O novo discurso cai em um ambiente já inflamado. O governo Lula intensifica anúncios de medidas de forte apelo popular, como mudanças em tributos de importados, novos programas de renegociação de dívidas e ampliação de benefícios sociais. Adversários classificam os pacotes como eleitoreiros. Admiradores defendem como resposta a demandas urgentes. Nesse cenário, toda manifestação de artista ganha peso extra.
Os vídeos das falas de Zezé se espalham rapidamente. Em perfis de música sertaneja, páginas políticas e contas pessoais, os comentários se dividem. Parte do público vê apenas uma homenagem emocionada, alinhada à visão conservadora do cantor e ao vocabulário que associa “direita” a “pessoa direita”. Outra parte enxerga uma ultrapassagem de limite ético.
“Falta de respeito, misturar a morte do cara com política”, critica um internauta, em comentário que sintetiza a indignação de muitos. Usuários apontam oportunismo, acusam o sertanejo de instrumentalizar a tragédia e lembram que familiares, amigos e fãs de Rick não necessariamente compartilham da mesma orientação ideológica. Para esse grupo, luto deveria significar recolhimento e cuidado com as palavras.
Impacto na imagem e nas fronteiras entre arte e militância
No setor artístico, a fala reacende uma discussão recorrente: até que ponto figuras públicas podem ou devem misturar dor pessoal e posicionamento político em shows abertos? Artistas convivem com uma cobrança difusa de neutralidade, sobretudo em gêneros populares como o sertanejo, que dependem de plateias amplas e heterogêneas.
Empresários, assessores e equipes de marketing de grandes nomes do entretenimento acompanham o caso com atenção. A postura de Zezé pode reforçar a fidelidade de fãs alinhados à direita, aumentar o engajamento de quem o vê como porta-voz de valores conservadores e abrir portas em eventos e campanhas ligadas a esse campo. Ao mesmo tempo, pode afastar parte do público, reduzir convites em espaços que evitam polarização e alimentar boicotes organizados.
No ambiente político, a fala vira munição simbólica. Grupos de direita usam o vídeo como prova de que artistas “acordaram” para o que chamam de “esquerda no poder”. Militantes de esquerda e perfis progressistas o citam como exemplo de tentativa de colar virtude em uma corrente ideológica específica, esvaziando a ideia de empatia universal em momentos de perda.
A trajetória de Rick, conhecido por sucessos românticos e pelo vínculo duradouro com Renner, aparece, em muitos comentários, como contraponto. Fãs lembram o profissional dedicado, o compositor prolífico, o homem de família. Questionam se ele aprovaria a associação entre sua morte e um slogan político.
O episódio expõe como qualquer gesto em torno de uma tragédia se torna leitura ideológica em um Brasil em que até o vocabulário do luto – “do bem”, “direito”, “esquerda” – carrega pesos partidários. A imagem de Zezé entra em uma nova fase: a de um artista que assume o risco de falar sem filtro em momentos de comoção, disposto a pagar o preço da divisão.
Até agora, o cantor não divulga nota oficial para rebater críticas ou contextualizar as frases. A equipe monitora a repercussão, enquanto agendas de shows seguem mantidas. A depender da escalada da polêmica, ele pode ser pressionado a se explicar, dobrar a aposta em sua posição ou tentar reaproximação com parte do público ofendido. Enquanto isso, o país enterra Rick Sollo ainda sob choque da queda do helicóptero, e a discussão sobre quem se apropria de sua memória, e com que intenção, permanece em aberto.
O que Zezé Di Camargo disse sobre Rick Sollo?
Zezé Di Camargo afirmou, em shows em Cáceres (24) e Frutal (25), que Rick Sollo “está ao lado direito de Deus”, associando esse lado às “coisas boas” e à ideia de ser “pessoa direita”, e declarou esperar que o Brasil “logo, logo, também esteja totalmente do lado direito”, unindo homenagem, fé e mensagem política.
Por que Zezé Di Camargo foi criticado nas redes sociais?
Zezé Di Camargo é criticado porque, poucos dias após a morte de Rick Sollo em queda de helicóptero, usa a homenagem ao amigo para defender que o Brasil esteja “totalmente do lado direito”, misturando luto, religião e disputa ideológica; muitos internautas classificam a fala como “falta de respeito” e acusam oportunismo político.
Qual foi a declaração política de Zezé Di Camargo sobre as eleições de 2026?
A declaração política de Zezé Di Camargo surge quando ele diz, em show na sexta-feira (25), esperar que “o Brasil, logo, logo, também esteja totalmente do lado direito”, frase entendida como apoio explícito ao campo conservador às vésperas das eleições de 2026, ao associar direita à ideia de ser “pessoa do bem”.
Como Zezé Di Camargo relacionou a morte de Rick Sollo com política?
Zezé relaciona a morte de Rick Sollo com política ao dizer que o amigo, morto em acidente de helicóptero aos 59 anos, está “do lado direito de Deus”, onde estariam “as coisas boas”, e em seguida desejar que o Brasil também esteja “totalmente do lado direito”, transformando uma fala de luto em mensagem pró-direita.
Qual é a posição política que Zezé Di Camargo deseja para o Brasil?
A posição política desejada por Zezé Di Camargo para o Brasil é que o país esteja “totalmente do lado direito”, expressão que ele usa em show ao associar o lado direito às “coisas boas” e a ser “pessoa direita”, sinalizando preferência pelo campo conservador em meio à polarização pré-eleitoral de 2026.
Quem foi Rick Sollo, mencionado por Zezé Di Camargo?
Rick Sollo foi cantor sertanejo da dupla Rick & Renner, compositor de centenas de músicas românticas e figura conhecida do gênero, que morre aos 59 anos na queda de um helicóptero em Urubici (SC) em 21 de setembro, junto com outras quatro pessoas, entre elas o empresário Bruno Avelar.