“Futebol sempre viveu sem apostas”, declara ministro dos Esportes

Governo planeja reunião com clubes após proibição das bets. Encontro previsto para a próxima semana deve discutir o impacto financeiro do fim das plataformas sobre contratos de patrocínio; sites e aplicativos terão de sair do ar até 6 de outubro.
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O governo federal planeja se reunir com representantes de clubes de futebol na próxima semana para discutir os efeitos da proibição das bets sobre as receitas das equipes. A articulação ocorre após a reação de times que mantêm contratos milionários de patrocínio com empresas do setor e terão de retirar as marcas das plataformas após a entrada em vigor das novas regras.

O encontro está sendo articulado pelo ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro. A intenção é ouvir os clubes, dimensionar as perdas provocadas pelo encerramento das apostas de quota fixa e avaliar possíveis medidas para reduzir o impacto financeiro sobre o futebol brasileiro.

Governo acelera plano de até R$ 20 bilhões para ajudar clubes após possível fim das bets

Ministro diz que futebol “sempre viveu sem as bets”

A discussão ganhou peso porque as casas de apostas se transformaram em importantes patrocinadoras do futebol brasileiro. Em 2025, as bets pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país, segundo levantamento da Sports Value citado na apuração.

Apesar da dependência criada por parte das equipes em relação a essa fonte de receita, Paulo Henrique minimizou a ideia de que o futebol não conseguiria se manter sem as empresas do setor.

“O futebol sempre viveu sem as bets.”

A posição do ministro surge em meio à pressão de clubes por uma transição que permita reorganizar contratos e buscar novas fontes de patrocínio. A preocupação envolve principalmente equipes que fecharam acordos de longo prazo e passaram a contar com esses valores em seus planejamentos financeiros.

Flamengo e Fluminense cobram transição

Entre os clubes que reagiram à decisão está o Flamengo. O time carioca afirmou publicamente que mudanças no marco regulatório não deveriam ocorrer de forma abrupta depois de empresas e instituições terem assumido compromissos com base nas regras anteriores.

O impacto é significativo para as contas do clube. O Flamengo recebe R$ 268,5 milhões por temporada em seu contrato com uma empresa de apostas. O Fluminense, que tem acordo de R$ 52 milhões por temporada, também se manifestou e defendeu a existência de um “período de transição adequado”.

Empresas terão de sair do ar até 6 de outubro

A medida provisória que proíbe as apostas de quota fixa foi publicada na sexta-feira (25) e estabeleceu um cronograma para o encerramento das operações. Sites e aplicativos das empresas deverão sair do ar até 6 de outubro.

Os apostadores terão até 5 de outubro para retirar os valores disponíveis nas contas mantidas nas plataformas. O cronograma também alcança a publicidade e os patrocínios associados às empresas de apostas.

Peças publicitárias, campanhas e marcas vinculadas a contratos de patrocínio terão de ser retiradas dentro do prazo estabelecido. Antes da confirmação da proibição, empresas do setor já haviam enviado notificações a clubes sobre a possibilidade de rescisão dos contratos.

Governo já discute alternativas para os clubes

A reunião prevista para a próxima semana ocorre enquanto o governo discute outras iniciativas relacionadas à situação financeira dos times. Uma delas é uma linha de crédito que pode chegar a R$ 20 bilhões para clubes e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), em operações associadas ao BNDES.

O programa de reestruturação financeira já vinha sendo negociado antes da decisão sobre as bets, mas ganhou maior relevância diante da possibilidade de perda de uma das principais fontes recentes de patrocínio do futebol. A proposta prevê financiamentos de longo prazo e juros menores para permitir a substituição de dívidas mais caras.

Criminalização ainda depende do Congresso

Além da medida provisória, o governo enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei para criminalizar a exploração, operação e divulgação de apostas de quota fixa depois da proibição.

Essa parte da mudança ainda não está em vigor. Diferentemente dos efeitos imediatos da medida provisória, a criação de um novo crime depende da aprovação do projeto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado e, posteriormente, da sanção presidencial.

Pela proposta apresentada pelo governo, explorar ou operar apostas de quota fixa após a proibição poderá resultar em pena de quatro a seis anos de reclusão, além de multa. O Congresso ainda poderá alterar o conteúdo durante a tramitação.

Próximos passos

A expectativa é que a reunião entre o Ministério do Esporte e representantes dos clubes ocorra na próxima semana. O encontro deverá servir para calcular de forma mais precisa o impacto da retirada dos patrocínios e discutir alternativas para as equipes afetadas.

Até lá, clubes e empresas terão de avançar na adequação de contratos, publicidade e exposição das marcas para cumprir os prazos estabelecidos para o encerramento das atividades das plataformas.

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