Viver Sertanejo celebra 30 anos de O Rei do Gado com elenco e música

Especial reúne elenco e músicos para relembrar trama, bastidores e trilha sonora de sucesso.
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O Viver Sertanejo celebra neste domingo (27) os 30 anos de O Rei do Gado em um especial dedicado à novela de Benedito Ruy Barbosa. Apresentado por Daniel, o programa reúne Jackson Antunes, Silvia Pfeifer, Nil Bernardes, Leandro Lima e Guito para relembrar personagens, músicas e histórias dos bastidores da produção exibida originalmente entre 1996 e 1997. O especial vai ao ar depois do Globo Rural e também está disponível no Globoplay. A edição combina depoimentos do elenco, imagens de arquivo e apresentações musicais ligadas à trilha da novela, que se tornou um dos elementos marcantes da produção.
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Elenco revisita personagens de O Rei do Gado

Jackson Antunes volta ao personagem Regino Pereira, líder de um grupo de trabalhadores sem-terra na novela. O ator participa das lembranças sobre a construção do personagem e sobre o trabalho realizado ao lado de Benedito Ruy Barbosa, que levou conflitos relacionados à posse da terra para o centro da dramaturgia do horário nobre. Silvia Pfeifer, que interpretou Léia Mezenga, também participa do encontro e revisita a caracterização de sua personagem. O programa recupera cenas da atriz na novela e aborda as escolhas de visual utilizadas para construir a mulher de Bruno Mezenga. A novela acompanhava a rivalidade entre as famílias Mezenga e Berdinazi, descendentes de imigrantes italianos. Na primeira fase, a história apresentava o romance entre Enrico e Giovanna em meio ao contexto da Segunda Guerra Mundial. Anos depois, a trama avançava para a história de Bruno Mezenga e Luana, colocando novamente o conflito entre as duas famílias no centro da narrativa.

Reforma agrária e MST entraram na dramaturgia

Na segunda fase, O Rei do Gado ampliou o espaço dedicado aos conflitos fundiários. A novela mostrou trabalhadores sem-terra, acampamentos, assentamentos e discussões sobre reforma agrária, incluindo a presença do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na narrativa. Segundo o Memória Globo, a novela foi a primeira produção de teledramaturgia da emissora a abordar a reforma agrária e o MST. O tema ultrapassou a ficção e gerou repercussão na imprensa e na sociedade da época, incluindo controvérsias relacionadas às cenas protagonizadas pelo senador Roberto Caxias, interpretado por Carlos Vereza. A discussão sobre a posse da terra foi incorporada à estrutura do folhetim sem deixar de dividir espaço com romances, disputas familiares e conflitos entre personagens. Esse conjunto ajudou a estabelecer a identidade de uma novela que combinava saga familiar e temas sociais.

Música ganha espaço no especial

A trilha sonora ocupa uma parte central da homenagem. Nil Bernardes, integrante da Orquestra da Terra, participou da trilha de O Rei do Gado com quatro músicas, incluindo o tema de abertura. No programa, ele conta que a composição nasceu originalmente para uma peça publicitária e chamou a atenção de Benedito Ruy Barbosa durante uma visita ao estúdio. Nil também relembra o impacto da novela em sua trajetória. Segundo o músico, apesar dos discos que já havia lançado, foi com O Rei do Gado que ganhou projeção como cantor fora do Brasil. A produção foi comercializada em mais de 50 países, ampliando também a circulação internacional de sua música. Leandro Lima e Guito participam da parte musical com uma homenagem a Pirilampo e Saracura, dupla interpretada por Almir Sater e Sérgio Reis na novela. Entre as canções apresentadas estão Travessia do Araguaia e Cabecinha no Ombro, associadas ao universo musical da produção. Daniel também participa das apresentações ao lado dos convidados. O repertório do especial inclui músicas relacionadas à novela e ao sertanejo, retomando uma característica importante da produção original: a utilização da música como elemento de ambientação e construção dos personagens.

Bastidores e repercussão internacional

O especial também recupera histórias relacionadas às gravações e à construção da novela. As cenas externas em propriedades rurais e o uso de animais ajudaram a definir a estética da produção, que apostou em locações fora dos estúdios e em uma ambientação ligada ao interior brasileiro. O Rei do Gado foi exibida pela Globo entre 17 de junho de 1996 e 15 de fevereiro de 1997, em 209 capítulos. A produção recebeu o Certificado de Honra ao Mérito no San Francisco International Film Festival, concorrendo com 1.525 produções de 62 países. A primeira fase da novela também foi transformada pela Divisão Internacional da Globo na minissérie Giovanna e Henrico. Essa parte da produção foi selecionada hors-concours no Festival Banff, no Canadá, entre 720 produções de 38 países.

Novela também recebeu o Troféu Imprensa

O reconhecimento não ficou restrito aos festivais internacionais. O Rei do Gado recebeu o Troféu Imprensa de melhor telenovela, enquanto Raul Cortez foi premiado como melhor ator pela interpretação de Geremias Berdinazi. A trilha sonora também teve forte desempenho comercial. Foram lançados dois CDs relacionados à novela, e a produção musical se tornou parte importante da identidade do folhetim, especialmente pela presença de artistas ligados à música sertaneja e à tradição caipira.

Especial recupera uma novela que permanece em circulação

Ao reunir atores e músicos três décadas depois da estreia, o Viver Sertanejo recupera diferentes dimensões de O Rei do Gado: a saga das famílias Mezenga e Berdinazi, os conflitos relacionados à terra, os personagens do núcleo rural e a trilha sonora que acompanhou a história. A homenagem também acontece em um ano de nova exibição da novela na televisão brasileira. O retorno da produção às telas e o especial de 30 anos recolocam no circuito de entretenimento uma obra que permanece associada à dramaturgia rural da Globo e à representação de questões fundiárias na televisão.
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