Flávio Bolsonaro confirma que vai ao debate presidencial da TV Globo e desafia Luiz Inácio Lula da Silva a encará-lo no estúdio, a poucos dias do primeiro turno. O encontro está marcado para quinta-feira, 1º de outubro, e pode ser o único frente a frente entre os dois principais candidatos antes da votação.
Desafio em rede nacional e recado a Lula
O anúncio ocorre neste domingo, em Goiânia, depois de uma carreata pelas ruas da capital goiana. Em cima do carro de som, o candidato do PL transforma a confirmação em ato de campanha e lança um desafio direto ao presidente.
“Vou no debate da Globo. Está confirmado. Ele que lute. Eu quero ir para lá debater com ele, estou chamando o Lula para o debate: ‘Lula, eu quero você no debate da Globo, vem debater comigo porque eu vou esfregar a verdade na sua cara’”, afirma Flávio Bolsonaro, sob aplausos de apoiadores.
Ele eleva o tom e diz que enxerga apenas um rival na disputa. “Eu vou para esse debate só para desmascarar esse mentiroso, esse assassino da esperança do Brasil”, declara, ao se referir a Lula. O presidenciável do PL repete que o petista é seu “único adversário nessa campanha”.
Lula, por sua vez, indica que não pretende ir à Globo. A campanha avalia que, em um palco cheio de candidatos de direita e centro-direita, o presidente seria alvo preferencial de críticas e ataques coordenados. A estratégia busca protegê-lo da exposição num cenário de acirramento e pesquisas apertadas.
Estratégia repetida e debate decisivo
A recusa em participar de debates no primeiro turno não é novidade para Lula. O presidente adota linha semelhante à de uma eleição anterior, quando liderava as pesquisas, evitou confrontos televisivos e apostou em vitória antecipada. Na época, a aposta falhou e a disputa acabou indo para o segundo turno.
Agora, a campanha tenta combinar vantagem estatística com controle de danos. A ausência do petista já levou ao cancelamento do debate marcado para este domingo em outra emissora e à manutenção da decisão de não comparecer ao encontro promovido por um canal concorrente em agosto. A Globo, porém, confirma que mantém o debate de quinta-feira.
Os dados mais recentes mostram uma corrida aberta. Pesquisa Quaest divulgada em 21 de setembro aponta Lula com 37% das intenções de voto e Flávio com 33% no primeiro turno, diferença de quatro pontos dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em cenário de segundo turno medido pelo mesmo instituto, há empate técnico, com Flávio um ponto à frente, 42% a 41%.
Levantamento do Datafolha divulgado em 24 de setembro também indica disputa equilibrada em eventual segundo turno, com Lula a 47% e Flávio a 45%. O conjunto dos números reforça a percepção de que a eleição está indefinida e aumenta o peso político de cada gesto na reta final.
Crise no STF e aposta no confronto
Flávio não esconde que pretende transformar o debate em um tribunal político contra o governo. Ele anuncia que quer questionar Lula sobre a crise no Supremo Tribunal Federal e acusa o presidente de interferir no Judiciário e agravar o conflito entre poderes. O tema domina parte dos discursos do candidato do PL desde o início da campanha.
A linha de ataque deve incluir também a proibição das apostas online, medida provisória assinada por Lula na sexta-feira, a nove dias do primeiro turno. O texto suspende a operação de casas de apostas e jogos virtuais, incluindo plataformas populares entre jovens e apostadores de baixa renda.
Flávio chama a decisão de “estelionato eleitoral” e “solução fajuta”. Em vídeo divulgado nas redes, acusa o presidente de agir por oportunismo e promete “provar que o Lula é o pai do tigrinho”, em referência a um dos jogos de maior apelo nas redes sociais.
Lula responde em outro tom. Durante ato em São Paulo, diz ter tomado “atitude muito drástica” justamente para proteger quem mais sofre com o endividamento. “Quem quiser ganhar dinheiro, que arrume um jeito honesto de ganhar. Não matando o povo pobre e endividando o povo pobre. Ninguém fica rico apostando em bet. Quem fica rico é o dono da bet, o povo fica cada vez mais pobre”, afirma o presidente.
Eleitor indeciso no centro da disputa
A briga em torno das apostas online ilustra o embate por segmentos específicos do eleitorado, em especial jovens, trabalhadores informais e moradores de periferia, onde as plataformas de jogos se espalham com rapidez. Para o governo, a medida sinaliza proteção social e responsabilidade. Para a campanha de Flávio, é munição para acusar Lula de “matar o sonho” de quem enxerga nas bets uma saída de emergência econômica.
A poucos dias da votação marcada para domingo, 4 de outubro, estrategistas de todas as campanhas olham para os indecisos, que ainda podem redefinir o rumo do pleito. A ausência de Lula em debates tira do eleitor a chance de ver confrontos diretos, mas não elimina o impacto dos programas de TV ao vivo, que costumam repercutir nas redes e em grupos de mensagem.
Se Lula mantiver a decisão de não ir à Globo, Flávio terá um palco de alcance nacional para atacá-lo sem réplica em tempo real. Outros candidatos devem tentar ocupar esse espaço, apresentando-se como alternativa à polarização, mas o roteiro da noite tende a girar em torno da figura ausente.
O desempenho de Flávio no estúdio, a capacidade de mobilizar a base e de falar para além dela, e a reação da opinião pública ao boicote de Lula ao debate ajudam a definir não só o resultado do primeiro turno, como também o clima de uma eventual segunda rodada. Na quinta-feira, o país testa mais uma vez até que ponto a televisão ainda é capaz de mexer com uma eleição já marcada pelas redes e pela polarização.
Quando será o debate presidencial da TV Globo?
O debate presidencial da TV Globo está marcado para quinta-feira, 1º de outubro de 2026, às vésperas do primeiro turno, que ocorre no domingo seguinte, 4 de outubro. O encontro reúne os principais candidatos e pode ser o único com presença confirmada de Flávio Bolsonaro, que desafia Lula a comparecer.
Lula é obrigado a participar do debate presidencial?
Lula, como qualquer candidato, não é obrigado a participar do debate presidencial; a presença é facultativa, definida pela própria campanha. A lei eleitoral garante o direito de convite e de participação, mas não impõe sanção a quem decide não comparecer, transformando o custo em essencialmente político, não jurídico.
Como estão hoje as pesquisas entre Lula e Flávio Bolsonaro?
As pesquisas mais recentes mostram disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro, com vantagem pequena e dentro da margem de erro. A Quaest registra 37% para Lula e 33% para Flávio no primeiro turno, enquanto cenários de segundo turno apontam empate técnico, reforçando o peso de cada movimento na reta final.