Professor da Ufac é afastado após estudante denunciar suposto assédio

Docente ficará 60 dias afastado enquanto o caso é apurado; aluna de Medicina Veterinária afirma que situação se prolongou por anos e prejudicou sua vida acadêmica e profissional.
Redação NC News
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A Universidade Federal do Acre (Ufac) afastou cautelarmente por 60 dias o professor Eduardo Mitke Brandão Reis após uma estudante do curso de Medicina Veterinária denunciá-lo por supostas condutas de assédio e importunação sexual. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e vale enquanto o caso é apurado pela instituição.

A denunciante, Isabele da Costa Barbosa, de 27 anos, afirma que as supostas investidas começaram em 2023 e se prolongaram por anos. Segundo a estudante, o episódio afetou sua trajetória acadêmica e profissional. Ela registrou um boletim de ocorrência em 29 de maio na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher Vítima de Violência, em Rio Branco.

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A portaria de afastamento foi assinada pelo reitor da Ufac, Josimar Batista Ferreira. O professor ficará fora do exercício do cargo durante o período determinado, sem prejuízo da remuneração. A medida tem caráter cautelar e não representa conclusão sobre a responsabilidade do docente.

Estudante relata anos de supostas investidas

Isabele afirma que as abordagens teriam começado quando cursava uma disciplina ministrada por Eduardo. Segundo o relato, o professor enviava mensagens pelas redes sociais e fazia convites para que ela fosse até a sala dele.

A estudante disse que evitava confrontar diretamente o docente por receio de possíveis consequências acadêmicas. Ela também afirma ter ouvido relatos de outros estudantes sobre comportamentos semelhantes, alegações que ainda precisam ser apuradas individualmente.

Com o passar do tempo, segundo Isabele, a situação teria se refletido também no desempenho acadêmico. Ela afirma ter sido reprovada repetidamente em uma disciplina ministrada pelo professor, que funciona como pré-requisito para outras matérias do curso.

Isabele ingressou na universidade aos 17 anos e, atualmente, está há quase dez anos na graduação. Segundo seu relato, já concluiu a maior parte do curso, mas as reprovações na disciplina dificultaram o avanço na formação.

“Eu cansei de tudo isso, a minha vida foi destruída por esse cara, eu perdi meu emprego, perdi meu carro, perdi tudo que eu tinha pra tentar passar na matéria desse cara.”

Aluna diz que deixou emprego para se dedicar aos estudos

A estudante trabalhava como auxiliar de veterinário em uma clínica e afirma que decidiu deixar o emprego para conseguir dedicar mais tempo aos estudos. Ela também relatou ter vendido o carro porque, sem a remuneração do trabalho, não conseguiria manter o veículo.

Isabele sustenta que passou a estudar exclusivamente para a disciplina, mas continuou enfrentando dificuldades para conseguir aprovação. Ela também questiona correções de avaliações e outros procedimentos acadêmicos relacionados à matéria.

Outro episódio relatado pela estudante envolve a oferta da disciplina durante as férias. Documentos obtidos pelo g1 indicam que outro professor havia sido inicialmente designado para ministrar a turma, mas Eduardo questionou administrativamente a oferta. Para Isabele, aquela seria uma oportunidade de concluir a disciplina sem voltar a ter aulas com o docente denunciado.

Denúncia chegou à universidade e à polícia

Além do boletim de ocorrência registrado em maio, a denúncia foi encaminhada à Ufac por meio da plataforma Fala.BR, ligada à Ouvidoria da instituição.

A universidade informou que instaurou procedimento e encaminhou o caso à Comissão de Ética para análise de eventual falta ética. Também está sendo feita uma análise de admissibilidade para verificar a possibilidade de abertura de sindicância ou Processo Administrativo Disciplinar contra o professor.

A Ufac informou ainda que o processo tramita de maneira restrita e sigilosa por causa da natureza das acusações e para preservar as partes envolvidas. Segundo a instituição, as condutas denunciadas serão apuradas com respeito à presunção de inocência, ao contraditório e à ampla defesa.

Em janeiro deste ano, a própria universidade instituiu uma política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras formas de violência no âmbito da instituição.

O que diz a defesa

A defesa de Eduardo Mitke Brandão Reis afirmou que tomou conhecimento recentemente das acusações divulgadas e que ainda não teve acesso integral aos procedimentos investigatórios ou administrativos relacionados ao caso.

Por esse motivo, segundo o advogado Valdomiro Magalhães, o professor não deve se manifestar publicamente sobre o mérito das acusações neste momento.

“Todos os esclarecimentos serão prestados perante as autoridades competentes, no momento oportuno, após o conhecimento integral dos fatos e dos elementos eventualmente constantes dos respectivos procedimentos.”

A defesa acrescentou que confia na apuração pelas instituições, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.

Próximos passos

O afastamento cautelar está previsto inicialmente por 60 dias e ocorre enquanto os fatos são investigados. A apuração administrativa deverá definir se há elementos para a adoção de outras medidas contra o servidor.

A estudante afirma que pretende acompanhar os procedimentos relacionados ao caso e teme que o professor retorne às atividades antes de uma conclusão definitiva. O afastamento cautelar, por si só, não significa condenação nem reconhecimento de culpa do docente.

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