Petróleo dispara após Trump rejeitar proposta de trégua do Irã

Brent supera US$ 108 durante o pregão com impasse sobre acordo que previa reabertura do Estreito de Ormuz
Redação NC News
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Os contratos futuros do petróleo voltaram a registrar forte valorização nesta segunda-feira (28), depois de uma semana marcada por expectativas de avanço diplomático entre Estados Unidos e Irã. Durante o pregão, o Brent chegou a US$ 108,23 por barril, alta de 3,75%, enquanto o WTI alcançou US$ 95,97, avanço de 2,85%.

A mudança de direção ocorreu depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou uma proposta apresentada pelo Irã para tentar encerrar o conflito e avançar na reabertura do Estreito de Ormuz. A possibilidade de um acordo havia ajudado a reduzir parte da pressão sobre as cotações nos últimos dias.

Dólar cai a R$ 5,11 e Ibovespa sobe com petróleo em queda nesta segunda-feira

Impasse aumenta preocupação com oferta de petróleo

A proposta iraniana havia sido apresentada na semana passada durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e encaminhada aos Estados Unidos por meio de mediadores do Catar. O plano envolvia uma tentativa de encerrar as hostilidades e criar condições para a retomada do fluxo pelo Estreito de Ormuz.

Trump confirmou no sábado que não aceitou os termos apresentados pelo governo iraniano. Com a negativa, investidores passaram novamente a considerar a possibilidade de prolongamento do conflito e de novas dificuldades para o transporte de petróleo na região.

O impacto apareceu rapidamente nas cotações. No início desta segunda-feira, o Brent já registrava alta superior a 3%, enquanto o WTI também avançava. Ao longo do pregão, os ganhos chegaram a se aproximar de 4% no Brent.

Petróleo sobe após Trump rejeitar proposta iraniana de trégua; Brent chegou a US$ 108,23 por barril nesta segunda-feira (28).

Estreito de Ormuz segue no centro das atenções

O Estreito de Ormuz é estratégico para o mercado internacional de energia por conectar produtores do Golfo Pérsico às principais rotas marítimas. Antes do início dos ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã no fim de fevereiro, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente passava pela região.

Por isso, qualquer perspectiva de normalização do tráfego tende a aliviar as preocupações com a oferta. O movimento contrário também ocorre: sinais de prolongamento das restrições aumentam o chamado prêmio de risco incorporado ao preço do barril.

Nas últimas semanas, o mercado chegou a reagir positivamente às indicações de que o fluxo pelo estreito poderia aumentar. Autoridades iranianas também haviam sinalizado disposição para retomar negociações caso os Estados Unidos aliviassem a pressão militar e as restrições aos portos do país.

Mercado acompanha próximos passos de Washington e Teerã

A reação desta segunda-feira mostra como as negociações entre Washington e Teerã permanecem entre os principais fatores de volatilidade no mercado de energia.

Além de Ormuz, outras rotas da região enfrentam riscos relacionados ao conflito. O Estreito de Bab el-Mandeb também tem sido afetado pela atuação dos houthis, grupo do Iêmen alinhado ao Irã, ampliando as preocupações com o transporte de combustíveis.

O comportamento do petróleo nos próximos dias deverá continuar ligado aos sinais diplomáticos e à situação das rotas de exportação. Uma retomada efetiva do transporte por Ormuz poderia ampliar a oferta disponível no mercado, enquanto a continuidade do impasse tende a manter elevada a percepção de risco sobre o abastecimento global.

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