Irã mantém Estreito de Ormuz fechado apesar de negociar corredor temporário com Omã

Teerã condiciona reabertura da passagem estratégica ao fim da guerra e à suspensão do bloqueio imposto pelos Estados Unidos.
Redação NC News
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O Irã afirmou nesta quarta-feira (26) que o Estreito de Ormuz continuará fechado, apesar das negociações com Omã para criar um corredor temporário de navegação na região.

A passagem, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo e gás, tornou-se um dos pontos mais sensíveis da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo passavam pela região.

O anúncio mantém a tensão sobre uma possível normalização do tráfego marítimo. Ao mesmo tempo em que Teerã negocia uma alternativa com Omã, o governo iraniano deixa claro que não pretende reabrir completamente a passagem enquanto suas principais exigências não forem atendidas.

Irã negocia corredor temporário com Omã

As negociações entre os dois países preveem a criação de uma rota temporária para permitir a passagem de embarcações e uma operação conjunta para a remoção de minas marítimas.

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al Busaidi, afirmou que espera anunciar em breve o corredor e os procedimentos necessários para restabelecer uma navegação segura.

A proposta também inclui discussões sobre uma solução permanente para o tráfego e sobre a futura administração do estreito.

Por que o Irã não reabre o estreito?

A resposta de Teerã veio do vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi.

Segundo ele, os Estados Unidos precisam cumprir compromissos que, na visão iraniana, foram violados durante o conflito. O governo iraniano condiciona a reabertura do Estreito de Ormuz a três pontos principais:

fim da guerra em todas as frentes; suspensão do bloqueio imposto pelos Estados Unidos;
uma solução para a situação no Iêmen, onde atuam os rebeldes houthis, aliados de Teerã.
Gharibabadi afirmou ainda que a resposta iraniana às novas sanções americanas será direcionada aos interesses econômicos dos Estados Unidos.

O que é o Estreito de Ormuz?

O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima localizada entre o Irã e a Península Arábica e conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã.

Sua importância econômica é enorme porque por ali passa uma parcela significativa do petróleo e do gás destinados ao mercado internacional.

Por isso, qualquer interrupção prolongada no tráfego pode provocar alta nos preços da energia, aumento dos custos de transporte e pressão sobre a inflação em diversos países.

Antes da guerra, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás exportados no mundo passava pela região.

Trump diz que minas foram retiradas

Enquanto o Irã afirma que o estreito permanece bloqueado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou uma versão diferente sobre a situação das minas.

Trump afirmou que, segundo a Marinha americana, todas as minas nas águas internacionais do Estreito de Ormuz foram retiradas ou destruídas.

O presidente também ameaçou destruir embarcações iranianas caso novas minas sejam instaladas na região.

A declaração mostra uma das contradições que dificultam a retomada da navegação.

Mesmo com Washington afirmando que as minas foram neutralizadas, o tráfego comercial continua extremamente reduzido e Teerã mantém sua exigência de que o conflito seja encerrado antes de uma reabertura completa.

Petróleo volta ao centro da crise

O fechamento de Ormuz tem impacto direto sobre o mercado internacional de petróleo.

A interrupção da passagem reduziu drasticamente o fluxo de embarcações e provocou forte volatilidade nos preços da commodity desde o início da guerra.

Nesta quarta-feira, porém, o petróleo operava em queda, em meio ao otimismo provocado pelas negociações entre Irã e Omã. O Brent chegou a ser negociado abaixo de US$ 90 por barril.

O movimento mostra como qualquer sinal de avanço diplomático pode afetar imediatamente os mercados.

Mas uma queda momentânea nos preços não significa que o problema esteja resolvido.

Guerra chega perto de completar seis meses

O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Israel e Estados Unidos realizaram ataques contra o Irã.

Teerã respondeu com ataques contra países aliados de Washington na região e passou a restringir fortemente a circulação pelo Estreito de Ormuz.

Os Estados Unidos também estabeleceram um bloqueio aos portos iranianos e ampliaram a pressão econômica sobre o governo de Teerã.

Nesta semana, Washington anunciou novas sanções contra parceiros comerciais do Irã em setores como ouro, tecnologia, ativos digitais, aviação e transporte marítimo.

O impasse em Ormuz se tornou, portanto, uma das principais frentes econômicas do conflito.

O que pode acontecer agora?

Irã e Omã continuam negociando um corredor temporário, que poderia permitir a retomada gradual da navegação e a retirada das minas.

Ao mesmo tempo, Teerã afirma que uma reabertura definitiva dependerá de mudanças nas condições da guerra e do bloqueio americano.

Isso significa que o corredor negociado com Omã pode representar um primeiro passo para reduzir a crise, mas não equivale à reabertura completa do Estreito de Ormuz.

A próxima etapa das negociações deverá definir justamente como a rota funcionará, quais embarcações poderão utilizá-la e como será feita a operação de segurança.

Entenda o contexto

O Estreito de Ormuz é uma das principais passagens marítimas do planeta e concentra uma parcela importante do comércio mundial de energia.

Com a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, a região se transformou em um dos principais focos do conflito.

Agora, Irã e Omã tentam criar uma saída diplomática, com um corredor temporário e uma operação conjunta de desminagem.

Mas Teerã mantém uma condição clara: a reabertura total do estreito depende do fim da guerra e da suspensão do bloqueio americano.

Enquanto isso, a circulação de navios continua limitada e o mercado acompanha cada movimento das negociações.

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