A primeira-dama Janja Lula da Silva chamou atenção nesta segunda-feira (28) ao participar de uma cerimônia no Palácio do Planalto usando uma camisa do Flamengo sem a marca da Betano, patrocinadora máster do clube, e um colar com uma medalha de Nossa Senhora Aparecida.
A aparição ocorreu durante a sanção da Lei nº 15.522/2026, voltada ao desenvolvimento do futebol feminino. A escolha da roupa reuniu dois assuntos que ganharam espaço no debate público nos últimos dias: a proibição das apostas de quota fixa determinada por medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a controvérsia eleitoral envolvendo a padroeira do Brasil.
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Camisa do Flamengo aparece sem marca da Betano
Torcedora do Flamengo, Janja compareceu à cerimônia com uma camisa da equipe masculina. O uniforme tinha o patch referente ao título da Libertadores de 2025, mas não exibia a marca da Betano.
A ausência ganhou destaque poucos dias depois de Lula assinar a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país. A medida entrou em vigor com a publicação, mas precisa passar pelo Congresso para continuar produzindo efeitos.
Durante o evento desta segunda-feira, Lula também comentou a escolha do time da primeira-dama e voltou a abordar os impactos das casas de apostas no futebol brasileiro.

Medalha de Nossa Senhora Aparecida chama atenção
Além da camisa rubro-negra, Janja apareceu com um colar que trazia uma medalha de Nossa Senhora Aparecida. O símbolo religioso ganhou relevância política nos últimos dias depois da circulação de informações falsas que associaram o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a uma proposta para retirar da santa o título de padroeira do Brasil.
O projeto citado na controvérsia é o PL 2.623/2007. A proposta foi apresentada pelo então deputado federal Professor Victório Galli e pretendia modificar a legislação referente a Nossa Senhora Aparecida. O texto acabou arquivado em 2008. Flávio Bolsonaro não foi autor da proposta.
A informação incorreta ganhou repercussão depois de ser mencionada na GloboNews. A emissora posteriormente corrigiu a informação e pediu desculpas. Flávio também negou que pretenda retirar o título da padroeira.
Tema entrou na disputa eleitoral
A controvérsia ganhou dimensão eleitoral na reta final da campanha. No domingo (27), Lula falou sobre Nossa Senhora Aparecida durante entrevista à Band. Ao ser informado pelos entrevistadores de que a história envolvendo Flávio era falsa, o presidente disse não saber o que era fake news naquele episódio e afirmou que a santa continuaria sendo padroeira do Brasil.
A discussão também chegou à Justiça. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou na sexta-feira (25) a retirada de publicações que atribuíssem a Flávio Bolsonaro ou a integrantes de sua família a intenção de retirar o título de padroeira. Segundo a decisão, essa afirmação era “notoriamente inverídica”.
No domingo, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, reverteu parte da decisão ao determinar o restabelecimento de publicações que haviam sido retiradas com base na ordem do TSE. A defesa de Flávio voltou ao STF nesta segunda-feira para contestar a decisão.
Lei estabelece medidas para o futebol feminino
A cerimônia da qual Janja participou tinha como foco a nova legislação para o futebol feminino. A lei estabelece medidas destinadas à profissionalização gradual das competições, igualdade de oportunidades e proteção às mulheres que atuam na modalidade.
O texto também prevê proteção à gravidez e à maternidade, ações contra discriminação e violência e incentivo à presença feminina em funções como arbitragem, gestão e direção esportiva.