O Brasil registrou melhora no mercado de trabalho, com queda do desemprego, mas também alcançou um novo recorde de inadimplência entre as famílias. Os dados divulgados nesta terça-feira (29) mostram um cenário de aumento da ocupação acompanhado por maior dificuldade dos consumidores em manter pagamentos em dia.
A taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o menor nível para o período desde o início da série histórica da Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de pessoas ocupadas chegou a 103,5 milhões.
Ao mesmo tempo, os dados do Banco Central apontaram que a inadimplência das famílias no crédito livre atingiu 8% em agosto, o maior patamar da série histórica iniciada em 2011. O índice considera pagamentos com atraso superior a 90 dias.
Desemprego fica em 5,3% em agosto e Brasil bate recorde de 103,5 milhões de ocupados
Mais pessoas trabalhando, mas dívidas pressionam orçamento
O avanço da ocupação não eliminou a pressão financeira sobre parte das famílias. Segundo o Banco Central, o endividamento das famílias chegou a 49,9% da renda acumulada em julho, enquanto o comprometimento da renda com pagamento de dívidas ficou em 28,7%.
Entre os fatores que influenciam o aumento da inadimplência estão os juros elevados e o custo do crédito. No crédito livre, modalidade em que as taxas são negociadas entre bancos e clientes, a inadimplência das pessoas físicas alcançou novo recorde.
Crédito cresce, mas calotes aumentam
Os dados do Banco Central também mostram que as concessões de crédito cresceram em agosto, com alta de 1,7% no mês. O estoque total de financiamentos do sistema financeiro chegou a R$ 7,4 trilhões.
Apesar da expansão do crédito, a inadimplência média do sistema financeiro avançou para 5% no período. Entre as famílias, os atrasos superiores a 90 dias chegaram a 6% considerando a carteira total de crédito.
Mercado de trabalho mantém números positivos
Os dados do IBGE indicam que a população ocupada atingiu o maior nível da série histórica, com crescimento concentrado principalmente em novas ocupações. A renda média real do trabalhador também apresentou avanço no período.
Especialistas apontam que o cenário reúne dois movimentos diferentes: de um lado, mais brasileiros empregados; de outro, famílias ainda enfrentando dificuldades para equilibrar renda e compromissos financeiros.
Próximos passos
Os indicadores econômicos devem continuar sendo acompanhados pelo governo, Banco Central e mercado financeiro para avaliar os efeitos do crédito, dos juros e da renda sobre o consumo das famílias.