Apenas 13 dos 62 principais candidatos aos governos estaduais analisados pelo Instituto Trata Brasil apresentaram planos considerados abrangentes para o saneamento básico nas eleições de 2026. O levantamento avaliou propostas de candidatos apontados como mais competitivos nas disputas estaduais e identificou que a maioria aborda o tema, mas nem sempre apresenta metas e estratégias detalhadas.
A pesquisa analisou os planos de governo com base em quatro pilares: planejamento e coordenação para a universalização dos serviços, viabilização de investimentos, governança e regulação do setor e definição de metas concretas. O estudo classificou as propostas em quatro níveis: ausente, superficial, transversal e abrangente. ]
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De acordo com o levantamento, todos os 62 candidatos analisados fizeram alguma referência ao saneamento básico em seus planos. No entanto, apenas uma parcela menor apresentou propostas contemplando os quatro eixos considerados essenciais pelo instituto.
Universalização aparece como principal proposta nos planos
Entre os temas mais citados pelos candidatos está a universalização do acesso aos serviços de água e esgoto, mencionada por 87% das propostas analisadas. Outros pontos frequentes foram drenagem urbana, presente em 76% dos planos, saneamento rural, citado em 66%, e investimentos no setor, abordados por 58% dos candidatos.
Apesar da presença da universalização nos documentos, o estudo aponta que apenas 26% dos candidatos estabeleceram metas consideradas tangíveis para medir os avanços durante um eventual mandato. Segundo o Instituto Trata Brasil, a definição de objetivos claros é um dos principais desafios para transformar propostas em ações acompanháveis.
Estudo aponta diferença entre menção ao tema e compromisso com metas
A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, afirmou que o saneamento passou a aparecer mais nos debates eleitorais, mas ainda há dificuldade em apresentar compromissos objetivos sobre resultados esperados.
“De quatro anos atrás para agora, o tema começou a ser mais evidente. Entretanto, ainda é visto de uma maneira pouco abrangente. A grande questão é se comprometer com metas claras e objetivas.”
Segundo a análise, além das metas de expansão dos serviços, a regulação também aparece como um ponto de atenção. O instituto destaca que agências reguladoras técnicas e independentes têm papel na fiscalização da qualidade e da ampliação dos serviços de saneamento.
Regiões com desafios históricos seguem no centro do debate
O levantamento também apontou que estados com indicadores historicamente mais baixos de saneamento ainda enfrentam desafios para estruturar propostas detalhadas. A pesquisa reforça que a inclusão do tema nos planos de governo não significa, necessariamente, a existência de um planejamento completo para o setor.
Próximos passos
O saneamento básico continuará como uma das áreas acompanhadas durante o período eleitoral, principalmente pela necessidade de ampliar o acesso à água tratada, coleta e tratamento de esgoto e melhorar a infraestrutura urbana nos estados.
Os planos apresentados pelos candidatos devem servir como referência para o acompanhamento das políticas públicas após as eleições, permitindo comparar compromissos anunciados com resultados alcançados.