As pesquisas presidenciais desta semana colocam Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um cenário de disputa voto a voto, tanto no primeiro quanto no possível segundo turno. A poucos dias da votação, nenhum dos dois abre vantagem segura dentro da margem de erro.
Calendário apertado e dados em tempo real
O Datafolha divulga uma nova rodada de pesquisa nacional nesta quinta-feira, com entrevistas realizadas de 28 de setembro a 1º de outubro. O levantamento ouviu 2.506 eleitores em todo o país e tem margem de erro máxima de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
O instituto registra a pesquisa na Justiça Eleitoral sob o código BR-08039/2026, o que permite a divulgação legal dos números na reta final da campanha. O cronograma é montado para maximizar o impacto político: a divulgação de quinta-feira coincide com o debate presidencial da TV Globo, último grande evento de televisão antes da ida às urnas.
Na rodada anterior do Datafolha, Lula aparecia com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro. A diferença de 4 pontos estava dentro da margem de erro. Em um eventual segundo turno, o quadro também era apertado, com 47% para Lula e 45% para o senador, empate técnico na prática.
Empate técnico domina o cenário
O novo levantamento do Datafolha, que sai em meio à reta final da campanha, tende a confirmar o quadro de forte polarização. As campanhas trabalham com a hipótese de que qualquer oscilação de 1 ou 2 pontos possa mudar a narrativa dos últimos dias, mesmo que ainda esteja dentro da margem de erro estatística.
As equipes de Lula e de Flávio Bolsonaro monitoram não apenas o patamar de intenções de voto, mas também rejeição, avaliação de governo e desempenho por região e faixa de renda. Esses recortes determinam onde investir energia, viagens e propaganda segmentada até o fechamento oficial da campanha, na véspera do primeiro turno.
O próprio Datafolha enfatiza que esses números não antecipam o resultado final. Em nota metodológica, o instituto afirma: “Os dados de levantamentos eleitorais não devem ser compreendidos como previsões para o resultado final das eleições. Eles servem de termômetro para a opinião de eleitores no momento em que a pesquisa é feita”.
Quaest, agregadores e o xadrez do segundo turno
O cenário fica ainda mais complexo quando outras empresas entram no jogo. No sábado, véspera da votação, estão previstas novas pesquisas nacionais da Quaest e do próprio Datafolha, que devem ser as últimas antes do primeiro turno marcado para domingo, 4 de outubro de 2026. Serão os últimos retratos disponíveis para candidatos, marqueteiros e eleitores indecisos.
Enquanto isso, plataformas especializadas compilam a enxurrada de dados. O Poder360 reuniu 13 pesquisas nacionais realizadas entre 9 e 28 de setembro, todas registradas na Justiça Eleitoral. Nesse conjunto, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula em sete estudos para um eventual segundo turno, o petista lidera em quatro e há dois empates técnicos. O próprio agregador resume o quadro: “Senador fica numericamente à frente em 7 estudos e Lula em outros 4 sobre eventual 2º turno entre os 2”.
Esses levantamentos usam metodologias diferentes, com tamanhos de amostra e margens de erro variados, o que impede tratar os percentuais como se fossem uma única série contínua. A recomendação dos especialistas é olhar tendências gerais, não oscilações pontuais de cada instituto isoladamente.
Mercado em alerta e campanhas sob pressão
O retrato de empate técnico na disputa pelo Planalto aumenta a tensão não só na política, mas também na economia. Investidores acompanham com atenção a chance de cada candidato chegar ao segundo turno em posição mais confortável e o tipo de coalizão que conseguirão montar depois da posse.
Setores sensíveis a mudanças regulatórias, como energia, petróleo, bancos e infraestrutura, reagem a qualquer sinal de que um dos lados possa adotar políticas consideradas mais intervencionistas ou liberais. Em eleições anteriores, variações de poucos pontos em pesquisas de última hora bastaram para mexer em bolsas e câmbio.
No campo político, a pressão recai sobre os núcleos de comunicação e marketing. As pesquisas são usadas para testar slogans, calibrar ataques e medir o efeito de debates e programas de TV. A análise de dados em tempo quase real se torna peça central: um ajuste de discurso feito hoje pode influenciar milhões de eleitores ainda indecisos ou pouco informados.
Fotografia do momento, não oráculo
A discussão pública sobre o papel das pesquisas também ganha força nesta reta final. Insatisfeitos com números desfavoráveis costumam questionar institutos; quem aparece na frente tende a exaltá-los. Pesquisadores insistem que a função não é prever o futuro, mas registrar um instante.
Em material de esclarecimento ao público, o Datafolha reforça a ideia de que levantamento é uma imagem congelada de um cenário em movimento. O mesmo princípio orienta as explicações divulgadas pela TV sobre a sequência de pesquisas de Datafolha e Quaest: “As pesquisas vão mostrar as intenções de voto para o Palácio do Planalto na reta final da campanha”, diz um texto de apresentação.
O Poder360 segue linha semelhante e lembra, em sua compilação de levantamentos, que cada instituto mede a mesma disputa com lentes próprias e em datas diferentes. Para aprofundar esse debate, o editor de Pesquisas da casa, Jonathan Karter, comanda o podcast PoderDataCast, transmitido ao vivo às quintas-feiras e dedicado a destrinchar números de intenção de voto e opinião pública.
A tendência, na prática, é que a sucessão de pesquisas até sábado mantenha o clima de incerteza. A disputa deve seguir aberta até a contagem dos votos, com possibilidade concreta de um segundo turno decidido por margem estreita. A partir de segunda-feira, o país começa a medir não apenas quem vence, mas que tipo de governabilidade será possível em um ambiente tão dividido.
O que as pesquisas mostram hoje sobre Lula e Flávio Bolsonaro?
As pesquisas mais recentes mostram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico, com Datafolha registrando 40% para Lula e 36% para Flávio no primeiro turno e 47% a 45% em cenário de segundo turno, enquanto compilação de 13 estudos indica vantagens alternadas para cada um.
As pesquisas podem prever quem vai ganhar a eleição?
Pesquisas eleitorais não preveem o vencedor da eleição, porque medem apenas a intenção de voto no período em que são feitas e dentro de uma margem de erro; mudanças de humor do eleitorado e fatos de última hora até o dia da votação podem alterar o resultado em relação ao retrato captado pelos institutos.
Qual é o papel de Datafolha, Quaest e Poder360 na reta final?
Datafolha e Quaest realizam pesquisas nacionais registradas na Justiça Eleitoral, com entrevistas presenciais ou por telefone, enquanto o Poder360 compila 13 levantamentos recentes e mantém um agregador histórico, oferecendo ao público um panorama mais amplo da disputa presidencial e das oscilações entre Lula e Flávio Bolsonaro.