O candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) foi preso novamente pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (1º), em Boa Vista, durante a Operação Lemming. A investigação apura suspeitas de corrupção eleitoral e associação criminosa relacionadas às Eleições 2026.
A nova ação ocorre uma semana depois de Jalser ter sido preso em flagrante durante outra operação da PF. Segundo a investigação, documentos apreendidos naquela ocasião forneceram novos elementos sobre uma possível estrutura destinada à cooptação ilícita de eleitores. Jalser foi liberado no dia seguinte à primeira prisão, após audiência de custódia e pagamento de fiança de R$ 20 mil.
Além da nova prisão noticiada nesta quinta, a Justiça Eleitoral determinou o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão. Entre as medidas cautelares impostas aos investigados estão a proibição de contato, a vedação de saques em espécie e o bloqueio de bens e valores de até R$ 4.228.100.
Jalser Renier é preso pela PF por suspeita de crime eleitoral em Boa Vista
PF suspeita de plano para compra de 12 mil votos
De acordo com informações da investigação divulgadas nesta quinta-feira, a suspeita é de que existisse uma estrutura destinada à compra de votos de aproximadamente 12 mil eleitores, com previsão de movimentação de cerca de R$ 4 milhões. A apuração busca esclarecer a possível prática de corrupção eleitoral e associação criminosa.
A Operação Lemming é um desdobramento das diligências realizadas na semana passada. Segundo a Polícia Federal, documentos recolhidos durante a primeira ação foram analisados pelos investigadores e forneceram elementos para o aprofundamento da apuração.
A mãe de Jalser, Itelvina da Costa Padilha, também está entre os alvos das buscas realizadas nesta quinta-feira, segundo informações divulgadas pela imprensa local.
Primeira prisão ocorreu na semana passada
Jalser havia sido preso em flagrante em 24 de setembro, quando a Polícia Federal cumpria mandados relacionados à Operação Filargíria, investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.
Durante as diligências no escritório do candidato, agentes encontraram R$ 19 mil em espécie, celulares e documentos relacionados à campanha. A descoberta levou à abertura da frente de investigação sobre possíveis crimes eleitorais.
Na ocasião, o advogado Carlos Vilareal afirmou que as planilhas apreendidas continham nomes de cabos eleitorais, apoiadores remunerados e voluntários. A defesa contestou a interpretação dada ao material e afirmou esperar a correção da prisão pela Justiça Eleitoral.
Após passar uma noite na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista, Jalser foi liberado depois de audiência de custódia e pagamento de fiança.
Candidato disputa vaga na Assembleia de Roraima
Jalser Renier é candidato a deputado estadual pelo PSDB nas Eleições 2026. Ele presidiu a Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) e teve o mandato cassado em 2022 por quebra de decoro parlamentar.
A cassação havia provocado efeitos sobre sua elegibilidade. Em agosto deste ano, porém, o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar que suspendeu parcialmente esses efeitos e permitiu que Jalser participasse dos atos necessários para disputar as eleições.
Próximos passos
A Polícia Federal deve continuar analisando os documentos e demais elementos recolhidos nas operações para identificar a eventual participação de outras pessoas e esclarecer como teria funcionado a suposta estrutura de cooptação de eleitores.
O bloqueio de valores e as demais medidas determinadas pela Justiça têm, segundo a PF, o objetivo de preservar provas, impedir interferências na investigação e evitar a continuidade das condutas investigadas. As suspeitas ainda estão sob apuração e não representam conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal ou eleitoral dos envolvidos.