A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou publicamente voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2022. O vídeo com a manifestação voltou a circular nesta sexta-feira (2), após a magistrada conceder uma liminar que alterou regras previstas para o debate presidencial da TV Globo, posteriormente cancelado pela emissora.
Na gravação feita em 2022, quando ainda não integrava o TSE, Estela afirmou que votaria em Lula e relacionou a escolha à defesa da democracia e do sistema de Justiça. Quatro anos depois, como ministra da Corte Eleitoral, ela foi responsável pela decisão que suspendeu a regra da Globo que previa a exibição do púlpito identificado de um candidato ausente e a possibilidade de os participantes presentes formularem perguntas direcionadas a ele.
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Quem é Estela Aranha, ministra do TSE que proibiu púlpito vazio de Lula em debate da Globo
Estela declarou voto em Lula em 2022
No vídeo que voltou a repercutir nas redes sociais, Estela manifestou apoio a Lula no segundo turno da disputa presidencial de 2022.
“Eu voto em Lula no 2º turno, voto 13, porque, como advogados, nós não temos outra opção que não seja o Lula para estancar o aumento do autoritarismo, para defender o Estado Democrático de Direito e a democracia no país.”
Na mesma manifestação, ela afirmou que os advogados deveriam votar no então candidato petista “inclusive para salvar o próprio sistema de Justiça”.
A declaração foi feita antes de Estela assumir uma cadeira no Tribunal Superior Eleitoral. Ela tomou posse como ministra efetiva da Corte em 1º de agosto de 2025, em uma das vagas destinadas à classe dos juristas.
Estela foi nomeada por Lula para o TSE
Estela foi nomeada ministra efetiva do TSE pelo presidente Lula em julho de 2025, após integrar uma lista tríplice elaborada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A Constituição estabelece que duas das sete vagas de ministros efetivos do TSE são ocupadas por advogados escolhidos pelo presidente da República a partir de listas tríplices elaboradas pelo STF.
Antes de chegar à Corte Eleitoral, Estela exerceu funções no governo federal. Ela foi secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça durante a gestão de Flávio Dino e também atuou como assessora especial da Presidência da República.
Decisão suspendeu regra sobre candidato ausente
A repercussão do vídeo ocorre um dia depois de Estela analisar uma ação apresentada contra as regras estabelecidas pela Globo para o debate presidencial.
A ministra suspendeu o trecho da ata que permitia manter no cenário o púlpito vazio e identificado do candidato que não comparecesse. A regra também previa um momento em que os candidatos presentes poderiam dizer quais perguntas fariam ao ausente.
Como Lula já havia informado que não participaria do encontro, a decisão teve efeito sobre a forma como a ausência do presidente seria apresentada durante o programa.
Na decisão, Estela argumentou que permitir manifestações dirigidas a um candidato ausente, sem possibilidade de resposta ou contraposição durante o próprio debate, poderia gerar desequilíbrio entre as candidaturas.
A ministra também considerou que a exposição reiterada de um púlpito vazio identificado poderia produzir efeitos que ultrapassassem a simples informação aos eleitores sobre a ausência.
Declaração antiga não integra fundamentação da decisão
A manifestação eleitoral de Estela em 2022 e a decisão tomada por ela em 2026 são fatos distintos. Na decisão sobre o debate, a ministra apresentou fundamentos relacionados às regras eleitorais, à igualdade entre as candidaturas e ao caráter facultativo da participação em debates.
A reportagem do Poder360 destaca o voto declarado pela ministra quatro anos antes. O fato de Estela ter manifestado uma preferência eleitoral em 2022, por si só, não demonstra que a decisão judicial de 2026 tenha sido tomada para favorecer Lula.
A liminar foi concedida depois de uma ação contra as regras da Globo e poderia ser submetida aos mecanismos de revisão previstos no processo eleitoral.
Globo cancelou debate após decisões judiciais
Além da determinação de Estela, a Globo recebeu uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinando a inclusão de Renan Santos (Missão) no debate.
A emissora decidiu cancelar o programa e afirmou que as decisões recebidas pouco antes de sua realização provocaram “insegurança jurídica” e, na avaliação da empresa, interferiram nas regras previamente estabelecidas.
O debate estava marcado para a noite desta quinta-feira (1º), a três dias do primeiro turno das Eleições 2026.