Afogamentos quase dobram no DF em 2026; setembro já é o mês com mais casos

Distrito Federal registrou 101 ocorrências até 14 de setembro, contra 56 em todo o ano passado; Lago Paranoá concentra parte dos acidentes
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O Distrito Federal registrou 101 afogamentos entre janeiro e 14 de setembro deste ano, segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). O número já representa quase o dobro das 56 ocorrências registradas em todo o ano de 2025.

Setembro concentra, até agora, o maior número de casos de 2026, com 15 ocorrências. Janeiro aparece na sequência, com 13. Na última semana, dois homens morreram após ocorrências no Lago Paranoá — um policial militar durante treinamento e um motociclista que caiu no lago após um acidente na Ponte do Bragueto. Os dois casos ainda não estavam contabilizados no levantamento de 101 ocorrências.

LEIA MAIS

Detento faz rival refém na Papuda, engole faca artesanal e vai parar no hospital

Piscinas e Lago Paranoá concentram maioria dos casos

Entre 2022 e 2025, o DF registrou 234 ocorrências de afogamento. Desse total, 79,3% aconteceram em piscinas ou no Lago Paranoá. As piscinas responderam por 45,2% dos acidentes, enquanto o lago concentrou 34,1% dos registros.

O Lago Paranoá também acumula 25 mortes por afogamento entre 2022 e 2025. O local é um dos principais espaços de lazer de Brasília e recebe atividades esportivas, passeios náuticos e banhistas, especialmente nos períodos de calor.

Além dos afogamentos, o CBMDF registrou 346 ocorrências aquáticas entre 2022 e 2025 que exigiram atuação da corporação. A maior parte dos atendimentos envolveu embarcações que ficaram à deriva.

Dois casos recentes terminaram em morte

Em 21 de setembro, o soldado Lucas Duran da Silva, de 28 anos, morreu durante um treinamento de mergulho no Lago Paranoá. O policial integrava o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) e participava de uma atividade com outros militares.

As circunstâncias da morte ainda são apuradas. Informações divulgadas na época apontaram que o policial teria sofrido um mal súbito durante o treinamento. A PCDF investiga o caso.

Dias depois, em 27 de setembro, um homem e o filho caíram de moto no Lago Paranoá após baterem contra a mureta da Ponte do Bragueto. A criança sobreviveu, enquanto o pai, Rogério Salles Brandão, precisou ser reanimado e morreu no hospital no dia seguinte.

Outro caso ocorreu em 7 de setembro, quando o CBMDF localizou o corpo de um homem não identificado boiando próximo à Ponte JK. A Polícia Civil foi acionada para investigar e identificar a vítima.

Histórico de mortes inclui crianças e acidentes em piscinas

O Lago Paranoá também foi cenário de outras mortes por afogamento ao longo deste ano. Em 30 de julho, um adolescente de 13 anos morreu após se afogar na região conhecida como Poção, próxima à barragem do Paranoá.

Em janeiro, o estudante de educação física Arlisson Carlos, de 22 anos, morreu depois de se afogar na Orla da Ponte JK. Ele chegou a ser reanimado pelos bombeiros e levado ao hospital, mas não resistiu.

Também foram registradas mortes em piscinas e outros pontos de lazer. Em 22 de janeiro, um piscineiro de 63 anos morreu após se afogar em uma piscina no Núcleo Bandeirante. Em 15 de março, um homem de 47 anos morreu após um afogamento na Cachoeira Entre Lagos, no Itapoã.

Em 7 de maio, um bebê de 1 ano morreu afogado em uma residência no Park Way. Já em 30 de julho, uma mulher morreu após ficar cerca de sete minutos submersa em um pesque-pague em São Sebastião.

Bombeiros indicam pontos de atendimento no Lago Paranoá

Para quem frequenta o Lago Paranoá, o CBMDF recomenda dar preferência aos pontos fixos de socorro mantidos pela corporação: Ponte JK, Piscinão do Lago Norte, Praia dos Orixás, Ponte do Bragueto e Ermida Dom Bosco.

A corporação também mantém postos extras de guarda-vidas no lago aos sábados, domingos e feriados. Em orientação publicada pelo CBMDF, a corporação destaca que áreas sem guarda-vidas apresentam risco significativamente maior para ocorrências fatais.

Álcool e excesso de confiança aumentam os riscos

O CBMDF alerta que o consumo de bebida alcoólica antes de entrar na água pode comprometer o julgamento e os reflexos e aumentar a vulnerabilidade do banhista.

“O maior inimigo na água é a bebida alcoólica”, alerta a corporação.
Os bombeiros também recomendam que as pessoas não superestimem a própria capacidade de natação. Quem não sabe nadar ou não tem domínio suficiente deve evitar áreas profundas.

Em caso de afogamento, a orientação é acionar o guarda-vidas, quando houver um profissional no local, e ligar imediatamente para o 193. O CBMDF recomenda informar a localização exata e o máximo possível de detalhes para facilitar a chegada das equipes.

A corporação também orienta que pessoas sem treinamento em salvamento aquático não entrem na água para tentar retirar a vítima, pois podem acabar se tornando uma segunda vítima. A recomendação é manter alguém observando o ponto onde a pessoa desapareceu para indicar a referência aos bombeiros durante as buscas.

Carregar Comentários