O número de brasileiros aptos a votar no exterior atingiu um recorde nas Eleições 2026. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 918.876 eleitores com domicílio eleitoral fora do Brasil podem participar da escolha para presidente e vice-presidente da República neste domingo (4).
O contingente cresceu 31,82% em relação às eleições de 2022, quando 697.078 pessoas estavam habilitadas a votar fora do país. São 221.798 novos eleitores em quatro anos, em um movimento que acompanha a expansão da comunidade brasileira no exterior.
Apesar do crescimento, o impacto efetivo desses votos na disputa presidencial depende do comparecimento às urnas e da distribuição das escolhas entre as candidaturas. Especialistas ouvidos pela DW destacam que, isoladamente, o eleitorado no exterior não determina o resultado, mas representa um contingente relevante dentro da votação nacional.
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Eleitorado no exterior cresceu mais de 31%
Os 918.876 brasileiros aptos a votar fora do país representam pouco mais de 0,5% do eleitorado nacional. Para efeito de dimensão, o contingente é superior ao número de eleitores individualmente registrados no Acre, Amapá e Roraima.
O crescimento vem ocorrendo há várias eleições. Em 2014, pouco mais de 354 mil brasileiros estavam habilitados a votar no exterior. Em 2022, eram cerca de 697 mil. Agora, o número supera 918 mil.
O aumento também acompanha a expansão da comunidade brasileira vivendo em outros países. Dados citados pela reportagem da DW apontam que essa população passou de aproximadamente 3 milhões em 2016 para 4,9 milhões em 2023.
Comparecimento pode definir tamanho do impacto
Um dos principais fatores para entender a participação desse eleitorado é a abstenção. Historicamente, uma parcela expressiva dos brasileiros registrados fora do país não comparece às seções eleitorais.
As distâncias entre a residência e os locais de votação estão entre os obstáculos. Dependendo do país, brasileiros precisam viajar para outra cidade para chegar à seção em que estão cadastrados.
O professor Bruno Schaefer, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, destaca que a mobilização desse eleitorado é importante para dimensionar quantos dos quase 1 milhão de eleitores efetivamente participarão da votação.
“Combater a abstenção com mobilização vai ser central.”
Segundo o pesquisador, o contingente de quase 1 milhão de eleitores aptos pode resultar em um número significativamente menor de votos efetivamente registrados, dependendo do comparecimento.
Estados Unidos concentram maior eleitorado
Os Estados Unidos possuem o maior contingente de brasileiros aptos a votar fora do país. São aproximadamente 265,4 mil eleitores, número cerca de 45% superior ao registrado nas eleições de 2022.
Os brasileiros votam em cidades como Atlanta, Boston, Chicago, Hartford, Houston, Los Angeles, Miami, Nova York, Orlando, São Francisco e Washington.
Em outros países, a distância também representa um desafio. No Japão, por exemplo, brasileiros que vivem longe das cidades onde funcionam as seções precisam se deslocar para participar da eleição.
Comportamento do eleitorado mudou em eleições anteriores
Os resultados registrados fora do país variaram nas últimas disputas presidenciais.
Segundo os dados apresentados pela reportagem da DW, candidatos identificados com a direita receberam mais votos no exterior nas eleições de 2010, 2014 e 2018. Em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 51,28% dos votos válidos registrados fora do Brasil no segundo turno.
A pesquisadora Teresa Schneider, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, afirma que o comportamento desse eleitorado não deve ser considerado fixo e pode mudar conforme o perfil das comunidades brasileiras em cada país e ao longo das gerações.
Quem mora no exterior vota apenas para presidente
O brasileiro que transferiu o domicílio eleitoral para outro país participa apenas da eleição para presidente e vice-presidente da República.
Não há votação no exterior para governador, senador, deputado federal ou deputado estadual.
As seções funcionam de acordo com o horário local. Por causa dos fusos, a votação brasileira começou na Nova Zelândia quando ainda era sábado (3) no horário de Brasília e se estende ao longo deste domingo em diferentes regiões do mundo.
Votos fazem parte da totalização nacional
Os votos registrados no exterior são incorporados à totalização nacional da eleição presidencial.
Após o encerramento de cada seção, a urna realiza a apuração e emite o Boletim de Urna com os votos registrados naquele equipamento.
Neste domingo, boletins de seções em países onde a votação já terminou começaram a ser divulgados por causa da diferença de fuso horário. Esses números representam resultados locais e não devem ser confundidos com a totalização oficial da eleição presidencial.
A divulgação oficial dos resultados pelo TSE começa a partir das 17h, pelo horário de Brasília.