Do sindicalismo ao Planalto: relembre a trajetória de Lula, da prisão ao retorno à Presidência

Metalúrgico que ganhou projeção nas greves do ABC chegou quatro vezes ao Palácio do Planalto, passou 580 dias preso, recuperou os direitos políticos e disputa a reeleição neste domingo (4)
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega às urnas neste domingo (4), aos 80 anos, em busca de permanecer na Presidência da República. A nova disputa eleitoral acrescenta mais um capítulo a uma trajetória política que começou no movimento sindical do ABC Paulista e passou por derrotas eleitorais, três mandatos presidenciais, prisão e retorno ao Palácio do Planalto.

Nascido em Garanhuns, Pernambuco, em 1945, Lula mudou-se ainda criança com a família para São Paulo. Trabalhou como metalúrgico e ganhou projeção nacional como liderança sindical durante as grandes greves do ABC no fim da década de 1970.

A ligação com São Bernardo do Campo permanece até hoje. Foi na cidade que Lula construiu sua carreira sindical e política e é também onde tradicionalmente registra seu voto nas eleições. Neste domingo, o presidente votou pela manhã na Escola Estadual João Firmino Correia de Araújo, no bairro Assunção.

Lula vota em São Bernardo durante o primeiro turno das Eleições 2026

Das greves do ABC à fundação do PT

Lula chegou à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema e se tornou um dos principais nomes das mobilizações de trabalhadores que desafiaram o regime militar no fim dos anos 1970.

Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT). Naquele mesmo período, foi preso durante uma greve dos metalúrgicos do ABC, episódio que se tornou parte importante de sua trajetória política.

A primeira eleição disputada por Lula ocorreu em 1982, quando concorreu ao governo de São Paulo e foi derrotado. Quatro anos depois, foi eleito deputado federal constituinte.

Lula discursa para uma multidão durante mobilização de trabalhadores no ABC Paulista, período em que ganhou projeção nacional como liderança sindical.

Três derrotas antes de chegar ao Planalto

A primeira candidatura de Lula à Presidência ocorreu em 1989, na primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar. Ele chegou ao segundo turno, mas perdeu para Fernando Collor.

Lula voltou a disputar o Planalto em 1994 e 1998. Nas duas ocasiões, foi derrotado no primeiro turno por Fernando Henrique Cardoso.

A vitória presidencial só viria na quarta tentativa. Em 2002, Lula derrotou José Serra no segundo turno e assumiu a Presidência em janeiro de 2003.

 

Dois mandatos consecutivos

Lula foi reeleito em 2006 e permaneceu no Palácio do Planalto até o fim de 2010. Ao deixar a Presidência, foi sucedido por Dilma Rousseff, também do PT.

Durante os oito anos de seus dois primeiros governos, programas sociais e políticas de transferência de renda ganharam destaque, enquanto o período também foi marcado por escândalos políticos, entre eles o mensalão.

Depois de deixar o cargo, Lula permaneceu como uma das principais lideranças do PT e continuou participando diretamente das articulações políticas e eleitorais do partido.

 

Lava Jato, condenação e prisão

A trajetória do petista mudou com as investigações da Operação Lava Jato. Lula foi condenado em processos que tramitaram na Justiça Federal do Paraná e, em abril de 2018, começou a cumprir pena na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

A prisão impediu que ele disputasse a eleição presidencial daquele ano. Lula permaneceu preso durante 580 dias e deixou a prisão em novembro de 2019, após o Supremo Tribunal Federal mudar o entendimento sobre a execução da pena antes do trânsito em julgado.

Lula presta depoimento ao então juiz Sergio Moro durante processo da Operação Lava Jato, em Curitiba.

Em 2021, o ministro Edson Fachin, do STF, anulou as condenações relacionadas à Lava Jato ao concluir que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os casos. A decisão restabeleceu os direitos políticos de Lula.

A anulação das condenações não representou uma declaração de inocência sobre o mérito das acusações. Posteriormente, a Segunda Turma do STF também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no processo do triplex.

 

Retorno às urnas e terceiro mandato

Com os direitos políticos recuperados, Lula voltou a disputar a Presidência em 2022. No segundo turno, derrotou Jair Bolsonaro e retornou ao Palácio do Planalto doze anos depois de encerrar seu segundo mandato.

Lula tomou posse pela terceira vez em janeiro de 2023, tornando-se o primeiro político brasileiro a exercer três mandatos como presidente eleito pelo voto popular.

Durante o terceiro governo, o petista voltou a colocar programas sociais, investimentos públicos, política externa e recuperação de políticas ambientais entre as prioridades da administração, ao mesmo tempo em que enfrentou um Congresso com forte presença de partidos de centro e de oposição.

 

Lula volta às urnas em 2026

Quatro anos depois da vitória sobre Bolsonaro, Lula disputa novamente a Presidência. Neste domingo, ele participa de sua sétima eleição presidencial desde a redemocratização.

A candidatura encerra, até aqui, um percurso eleitoral iniciado há quase quatro décadas: derrotado em três eleições consecutivas antes de chegar ao Planalto, Lula venceu as três disputas presidenciais seguintes das quais participou — 2002, 2006 e 2022 — e agora tenta conquistar um novo mandato.

O resultado das urnas deste domingo definirá o próximo capítulo de uma trajetória que atravessa o sindicalismo do ABC, a fundação do PT, quatro décadas de eleições presidenciais, três passagens pelo Palácio do Planalto e 580 dias de prisão.

 

Lula posa após votar no primeiro turno das Eleições 2026, neste domingo (4), em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
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