O Brasil vai às urnas neste domingo (4) para escolher o próximo presidente da República. Entre os nomes que disputam o Palácio do Planalto estão candidatos com trajetórias bastante diferentes, que passam pelo movimento sindical, décadas de mandatos eletivos, governos estaduais, produção literária e movimentos políticos.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) estão entre os 12 candidatos com registro deferido pela Justiça Eleitoral para disputar a Presidência neste primeiro turno.
Os cinco chegam à eleição por caminhos distintos. Lula busca permanecer no cargo depois de uma trajetória iniciada no sindicalismo. Flávio tenta chegar ao Planalto após construir carreira política no Rio de Janeiro e no Senado. Caiado acumula décadas de vida pública. Cury estreia em uma eleição, enquanto Renan Santos disputa pela primeira vez um cargo eletivo.
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Conheça os candidatos
Lula: do sindicalismo à Presidência pela terceira vez
Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT, construiu uma das trajetórias políticas mais longas entre os nomes que disputam a eleição deste ano. Nascido em Garanhuns, em Pernambuco, mudou-se ainda criança com a família para São Paulo e trabalhou como metalúrgico antes de ganhar projeção nacional no movimento sindical.
Lula presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema durante o período das grandes greves do ABC paulista no fim dos anos 1970. Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores.

A primeira disputa presidencial ocorreu em 1989, quando perdeu no segundo turno para Fernando Collor. Voltou a concorrer em 1994 e 1998, sendo derrotado nas duas eleições por Fernando Henrique Cardoso.
A vitória chegou em 2002. Lula tomou posse em janeiro de 2003 e foi reeleito em 2006, permanecendo no Palácio do Planalto até o fim de 2010.
Anos depois, sua trajetória passou pela Operação Lava Jato. Lula foi condenado e preso em 2018. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal confirmou a anulação das condenações impostas pela Justiça Federal do Paraná, por entender que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos. Com isso, recuperou os direitos políticos.
Em 2022, voltou a disputar a Presidência e venceu Jair Bolsonaro no segundo turno, iniciando o terceiro mandato em janeiro de 2023. Agora, aos 80 anos, concorre novamente pelo PT, tendo Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice.

Flávio Bolsonaro: da política do Rio ao Senado e à disputa pelo Planalto
Flávio Bolsonaro, candidato do PL, construiu sua carreira política principalmente no Rio de Janeiro antes de chegar ao Senado e, em 2026, disputar a Presidência.
Nascido em Resende, no Rio de Janeiro, é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Formado em Direito, entrou na política eleitoral no início dos anos 2000.
Em 2002, aos 21 anos, foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro. Conseguiu novas vitórias e permaneceu na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro por quatro mandatos consecutivos.

A mudança para a política nacional ocorreu nas eleições de 2018. No mesmo pleito em que Jair Bolsonaro foi eleito presidente, Flávio conquistou uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro.
No Senado, passou a participar diretamente de debates nacionais e se consolidou como um dos principais nomes políticos ligados ao ex-presidente.
A candidatura presidencial de 2026 representa o maior passo da carreira eleitoral de Flávio até agora. O senador disputa o Palácio do Planalto pelo PL com Alfredo Gaspar como candidato a vice e utiliza o número 22 na urna.

Augusto Cury: escritor estreia na política disputando a Presidência
Augusto Cury chega às Eleições 2026 por um caminho diferente dos políticos tradicionais. O candidato do Avante construiu a carreira fora dos cargos eletivos e faz neste ano sua estreia em uma disputa eleitoral.
Nascido em Colina, no interior de São Paulo, Cury é médico psiquiatra, escritor, professor e conferencista. Tornou-se conhecido nacionalmente principalmente pela publicação de livros nas áreas de comportamento, educação e desenvolvimento pessoal.
Autor de dezenas de obras, ganhou projeção com títulos como “O Vendedor de Sonhos” e com trabalhos relacionados à chamada Teoria da Inteligência Multifocal.

Antes da campanha de 2026, Cury não havia ocupado cargo eletivo. A aproximação com a disputa presidencial ganhou força neste ano, quando se filiou ao Avante.
O partido anunciou sua pré-candidatura em abril e oficializou o nome durante convenção realizada em agosto, em São Paulo.
A chapa registrada na Justiça Eleitoral tem Júlio Delgado como candidato a vice-presidente. Cury aparece na urna como “Escritor Augusto Cury”, com o número 70.

Renan Santos: fundador do MBL disputa seu primeiro cargo eletivo
Renan Santos, candidato do Missão, também estreia nas urnas diretamente em uma disputa pela Presidência da República.
Empresário e ativista político, Renan ficou conhecido nacionalmente como um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), criado em 2014 e que ganhou projeção principalmente durante as manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Nos anos seguintes, o movimento passou a participar de debates eleitorais e lançou integrantes para cargos no Legislativo. Renan, entretanto, permaneceu principalmente na organização e articulação política do grupo, sem disputar pessoalmente um mandato.
O projeto que levou à candidatura presidencial passou pela criação do Partido Missão. A legenda obteve registro e lançou Renan como candidato ao Palácio do Planalto em 2026.
A eleição deste domingo é, portanto, a primeira em que Renan Santos aparece como candidato a um cargo eletivo.
A chapa registrada no TSE tem Aroldo Medina como vice. Renan concorre com o número 14.

Ronaldo Caiado: décadas no Congresso e dois mandatos como governador
Ronaldo Caiado, candidato do PSD, possui uma das carreiras políticas mais extensas entre os presidenciáveis desta eleição.
Médico e produtor rural, Caiado ganhou projeção nacional ainda na década de 1980 ligado a entidades do setor agropecuário. Em 1989, participou de sua primeira disputa pela Presidência da República, pelo então PSD.

Depois daquela eleição, construiu a maior parte da carreira no Congresso Nacional. Foi eleito deputado federal por Goiás em diferentes mandatos e chegou à liderança partidária na Câmara.
Em 2014, Caiado foi eleito senador por Goiás. Quatro anos depois, deixou o Senado após vencer a disputa pelo governo estadual no primeiro turno.
Em 2022, foi reeleito governador de Goiás, novamente no primeiro turno.
A candidatura de 2026 marca, portanto, o retorno de Caiado a uma eleição presidencial mais de três décadas depois de sua primeira tentativa de chegar ao Planalto.
Neste ano, deixou o União Brasil e se filiou ao PSD. A chapa presidencial tem Gilberto Kassab como candidato a vice. Caiado concorre com o número 55.

Disputa presidencial tem 12 candidatos
Os cinco nomes fazem parte de uma disputa maior. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, 12 candidaturas tiveram registro deferido para concorrer à Presidência em 2026.
Além de Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado, estão na eleição Romeu Zema (Novo), Samara Martins (UP), Hertz Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO), Clariana Barão (DC) e Wilson Grassi (Democrata).
O eleitor escolhe o presidente no sexto e último voto deste domingo. Na urna, são digitados dois números.
Para vencer no primeiro turno, uma candidatura precisa receber mais da metade dos votos válidos, excluídos brancos e nulos. Caso ninguém alcance essa marca, os dois candidatos mais votados disputarão o segundo turno em 25 de outubro.