O novo Senado que assume em 2027 terá ao menos 51 parlamentares que já se posicionaram favoravelmente ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O número coloca novamente em evidência uma declaração de Gilmar Mendes feita antes das eleições, quando o decano da Corte afirmou não se impressionar com as promessas de afastamento de integrantes do tribunal.
Em agosto, durante a campanha eleitoral, Gilmar foi questionado sobre o avanço dessa pauta entre candidatos ao Senado e disse que não estava preocupado. O ministro comparou sua experiência diante de crises institucionais à de alguém acostumado a situações de pressão.
“Eu sou um enfermeiro que já viu sangue. Então, não me impressionam essas promessas de campanha”, afirmou na ocasião.
O cenário depois das urnas, porém, dá dimensão concreta ao crescimento do grupo. Levantamento publicado após as Eleições 2026 aponta ao menos 51 senadores que já manifestaram apoio ao impeachment de ministros do Supremo, ainda que alguns condicionem a posição às circunstâncias de cada eventual processo.
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Senado terá ao menos 51 parlamentares favoráveis a impeachment de ministros do STF
Grupo fica a três votos dos 54 necessários
A Constituição atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Para uma eventual condenação e perda do cargo, são necessários os votos de dois terços dos 81 senadores, ou seja, 54 parlamentares.
Com os 51 nomes identificados no levantamento, o grupo fica três votos abaixo desse patamar.
O número, entretanto, não significa que haja votos suficientes para afastar automaticamente qualquer ministro. Alguns senadores defendem o instrumento apenas diante de determinadas circunstâncias, e cada processo dependeria das acusações apresentadas e da própria tramitação no Senado.
Dos 27 senadores que continuarão com mandato a partir de 2027, 16 já manifestaram apoio à possibilidade de impeachment. Entre os 54 escolhidos nas urnas neste domingo (4), outros 35 se posicionaram favoravelmente, segundo o levantamento.
PL amplia presença no Senado
A eleição também ampliou a bancada do PL. A legenda terá 28 senadores na próxima legislatura, após eleger 19 nomes neste domingo.
Entre os novos integrantes do Senado que já se manifestaram favoravelmente à possibilidade de impeachment de ministros do Supremo estão Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), eleitas pelo Distrito Federal, Guilherme Derrite (PP), eleito por São Paulo, e Carlos Portinho (PL), pelo Rio de Janeiro.
A mudança na composição da Casa também coloca a eleição para a presidência do Senado no centro das articulações para 2027. O presidente da Casa possui papel decisivo na tramitação de pedidos de impeachment contra integrantes do STF.
Gilmar já dizia que transformar discurso em impeachment seria difícil
Quando falou sobre o tema em agosto, Gilmar Mendes reconheceu que a defesa do impeachment tinha apelo durante a campanha, mas avaliou que transformar o discurso eleitoral em um processo efetivo seria mais difícil.
“Entre o pensamento e a ação, o pensamento e o gesto, vai uma distância enorme”, afirmou.
Segundo o decano, mesmo candidatos eleitos com essa bandeira encontrariam “imensas dificuldades” para implementá-la, diante das barreiras políticas e institucionais existentes.
Resultado das urnas coloca avaliação de Gilmar à prova
A declaração foi dada antes de o eleitor definir a nova composição do Senado. Agora, o resultado das urnas mostra que parlamentares que defendem ou admitem o impeachment de integrantes do Supremo estarão próximos, numericamente, dos 54 votos exigidos para uma eventual condenação.
Isso não significa, porém, que exista atualmente maioria garantida para afastar um ministro específico. Uma manifestação genérica favorável ao instrumento não equivale necessariamente a um voto pela condenação em um processo concreto.
A partir de fevereiro de 2027, quando os novos senadores tomam posse, a relação entre Senado e Supremo passa a depender também da escolha do comando da Casa, das acusações eventualmente apresentadas e do posicionamento de cada parlamentar diante de casos específicos.