Dólar desaba mais de 4% e cai abaixo de R$ 5 após resultado do 1º turno

Moeda chegou a R$ 4,985 na manhã desta segunda-feira (5), enquanto investidores repercutem liderança de Flávio Bolsonaro sobre Lula nas Eleições 2026
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O dólar desabou mais de 4% frente ao real na abertura do mercado nesta segunda-feira (5), primeiro pregão após o primeiro turno das Eleições 2026. Às 9h09, a moeda americana recuava 4,44% e era negociada a R$ 4,985 na venda.

O movimento levou o dólar para abaixo da marca de R$ 5 e ocorre enquanto investidores repercutem o resultado da eleição presidencial. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O resultado contrariou a maior parte das pesquisas divulgadas na reta final da campanha, que indicava Lula numericamente à frente. A diferença nas urnas levou investidores a reavaliarem os cenários políticos e econômicos para o segundo turno.

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No mercado à vista, o dólar registrava queda de 4,44% às 9h09, cotado a R$ 4,985 para compra e venda.

O dólar futuro para novembro, contrato mais negociado no mercado brasileiro, também apresentava forte recuo. No mesmo horário, caía 4,38% na B3, aos R$ 5,023.

A reação começou antes mesmo da abertura dos negócios no Brasil. O EWZ, principal fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha ações brasileiras, chegou a subir mais de 10% no after market em Nova York após a definição do primeiro turno.

Resultado das eleições surpreende mercado

A intensidade da movimentação está relacionada principalmente à diferença entre o resultado das urnas e o cenário indicado por pesquisas divulgadas nos últimos dias da campanha.

Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula teve 53.876.617 votos, ou 45,16%. A distância entre os dois ficou em pouco mais de 2,2 milhões de votos.

Os dois candidatos disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

A reação dos ativos reflete expectativas dos investidores sobre os possíveis rumos da política econômica e fiscal a partir de 2027. Isso não significa, entretanto, que o resultado do segundo turno esteja definido. O comportamento dos mercados pode mudar conforme a campanha avance e novas informações sejam incorporadas aos preços.

Real se fortalece no primeiro pregão após eleição

Com a queda do dólar, o real registra forte valorização nesta segunda-feira. Antes da abertura, analistas já projetavam uma reação positiva dos ativos brasileiros diante do desempenho de Flávio Bolsonaro acima do indicado por parte das pesquisas.

O JPMorgan avaliou que o dólar poderia se aproximar de R$ 4,95 após a reprecificação provocada pelo primeiro turno. A instituição também destacou que movimentos posteriores dependerão de sinalizações sobre política fiscal, reformas e eventual equipe econômica.

Além do câmbio, os investidores acompanham nesta segunda-feira o comportamento da Bolsa e dos juros futuros, outros mercados diretamente afetados pela revisão das expectativas após a votação.

Segundo turno mantém eleição no radar dos investidores

Apesar da forte reação inicial, a corrida presidencial ainda terá três semanas de campanha até a votação decisiva.

Flávio e Lula agora buscam os votos destinados aos candidatos eliminados no primeiro turno, além dos eleitores que não compareceram às urnas.

Nesse período, pesquisas de intenção de voto, declarações sobre política econômica, alianças políticas e propostas apresentadas pelos dois candidatos poderão provocar novas oscilações no dólar, na Bolsa e nos juros.

A queda desta segunda-feira representa, portanto, a primeira reação do mercado ao resultado do primeiro turno, e não uma indicação definitiva sobre o comportamento do câmbio até a decisão presidencial.

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