Ibovespa dispara quase 8% e supera 207 mil pontos após Flávio ficar à frente de Lula

Bolsa brasileira alcança máxima histórica no primeiro pregão após as eleições, enquanto mercado reavalia cenário fiscal e econômico para o segundo turno
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O Ibovespa disparou na manhã desta segunda-feira (5), primeiro pregão após o primeiro turno das Eleições 2026, e ultrapassou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. Às 10h19, o principal índice da Bolsa brasileira avançava 7,98%, aos 207.437,45 pontos.

A forte valorização ocorre após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno da eleição presidencial à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente.

O resultado provocou uma rápida reprecificação dos ativos brasileiros. Além da disparada da Bolsa, o dólar caiu mais de 4% e voltou a ser negociado abaixo de R$ 5, enquanto as taxas dos juros futuros recuaram.

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Ibovespa supera 207 mil pontos e bate recorde

O avanço desta segunda-feira colocou o Ibovespa em uma máxima histórica. O índice encerrou a sessão anterior abaixo dos 193 mil pontos e abriu o primeiro pregão pós-eleição em forte valorização.

Às 10h19, a alta chegava a 7,98%, aos 207.437,45 pontos. O contrato futuro do Ibovespa com vencimento mais curto, em 14 de outubro, também acompanhava o movimento e avançava 7,62%.

A reação já havia começado antes da abertura da B3. Ativos brasileiros negociados no exterior dispararam após a divulgação do resultado das urnas, antecipando a expectativa de um pregão de forte valorização no Brasil.

O Ibovespa disparou na manhã desta segunda-feira (5), primeiro pregão após o primeiro turno das Eleições 2026 | Foto: Reprodução

Resultado das urnas surpreende investidores

Flávio terminou o primeiro turno com 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula recebeu 53.876.617 votos, ou 45,16%.

A diferença de pouco mais de 2,2 milhões de votos contrariou o cenário indicado pela maior parte das pesquisas divulgadas na reta final da campanha, que mostrava Lula numericamente à frente.

A surpresa obrigou investidores a recalcular rapidamente os cenários para a eleição e para a condução da política econômica a partir de 2027.

Parte do mercado associa uma eventual vitória de Flávio a uma agenda econômica com maior ênfase no ajuste das contas públicas, controle da dívida e reformas. Essa é, contudo, uma expectativa dos investidores e dependerá das propostas apresentadas pelo candidato e do resultado do segundo turno.

Expectativa fiscal impulsiona Bolsa

O cenário fiscal aparece no centro da reação do mercado.

Investidores acompanham principalmente as sinalizações sobre controle das despesas públicas e trajetória da dívida. Uma percepção de menor risco fiscal tende a reduzir os prêmios cobrados nos juros futuros e, consequentemente, melhorar a avaliação de empresas mais dependentes do crédito e da atividade doméstica.

Nomes ligados à formulação econômica de Flávio também entraram no radar. Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, e Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia, aparecem entre os nomes próximos ao candidato que despertam atenção do mercado.

A composição definitiva de uma eventual equipe econômica, porém, não foi anunciada.

Bancos e varejistas lideram valorização

A alta se espalhou por praticamente toda a Bolsa brasileira.

Bancos e empresas mais expostas à economia doméstica ficaram entre os principais destaques. Por volta das 10h30, as ações do Banco do Brasil avançavam 11,72%, enquanto Itaú Unibanco registrava alta de 9,30%.

No varejo, o movimento era ainda mais intenso. Magazine Luiza disparava 22,60%, e C&A avançava cerca de 17%.

A Petrobras também operava em forte valorização, com alta próxima de 7%.

Empresas ligadas ao consumo, construção e varejo tendem a reagir mais intensamente a mudanças nas expectativas para os juros porque boa parte de suas atividades depende das condições de crédito.

Por volta das 10h30, as ações do Banco do Brasil avançavam 11,72%, enquanto Itaú Unibanco registrava alta de 9,30%. | Foto: Reprodução

Dólar cai abaixo dos R$ 5

A reação positiva aos ativos brasileiros também atingiu o mercado de câmbio.

Na abertura, o dólar chegou a recuar mais de 4%, voltando a ser negociado abaixo da marca de R$ 5.

A valorização simultânea do real e da Bolsa mostra que investidores estrangeiros e locais passaram a incorporar um cenário diferente daquele precificado antes da eleição.

Os juros futuros também apresentaram forte queda, refletindo a expectativa de parte do mercado de que uma política fiscal mais restritiva poderia contribuir para uma trajetória menor dos juros no futuro.

Segundo turno mantém mercado em alerta

Apesar da euforia desta segunda-feira, a eleição presidencial permanece aberta.

Flávio e Lula disputarão o segundo turno em 25 de outubro. Até lá, o mercado acompanhará pesquisas eleitorais, alianças partidárias e principalmente as propostas econômicas apresentadas pelas duas campanhas.

Sinalizações sobre gastos públicos, dívida, reformas, empresas estatais e composição das equipes econômicas podem provocar novas oscilações no Ibovespa, no dólar e nos juros.

A disparada desta segunda-feira representa, portanto, a reação inicial dos investidores ao resultado do primeiro turno. O avanço de quase 8% não significa que a trajetória será mantida até a votação decisiva, já que mudanças nas expectativas eleitorais podem provocar movimentos na direção contrária.

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