Trump exalta eleições no Brasil, detona votação nos EUA e dispara: “É corrupta!”

Ex-presidente dos EUA destaca eficiência eleitoral brasileira enquanto autoridades brasileiras investigam possível influência externa.
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Donald Trump elogiou a rapidez da apuração das Eleições 2026 no Brasil e aproveitou a comparação para voltar a atacar o sistema eleitoral dos Estados Unidos. Em publicação na Truth Social, o presidente americano afirmou que os resultados brasileiros foram conhecidos no mesmo dia da votação e classificou o processo de seu próprio país como “corrupto”.

A manifestação ocorreu após o primeiro turno da eleição presidencial brasileira, que colocou Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Trump não citou nenhum dos dois candidatos na publicação.

O comentário também acontece enquanto a Polícia Federal apura uma possível interferência externa no processo eleitoral brasileiro após a Advocacia-Geral da União (AGU) pedir esclarecimentos sobre US$ 1 milhão destinados pelo governo americano a um projeto voltado a organizações críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Na publicação, Trump destacou que a apuração brasileira foi concluída rapidamente após o fechamento das urnas.

“125 milhões de pessoas votaram hoje no primeiro turno da eleição presidencial do Brasil. Os resultados saíram logo após o encerramento da votação, NO MESMO DIA!”, escreveu.

Na sequência, o republicano citou locais governados por democratas nos Estados Unidos para questionar a velocidade da apuração americana.

“Em Detroit, Filadélfia, Califórnia e inúmeras outras cidades e estados dos EUA, os resultados, com números muito menores, muitas vezes levam semanas para serem manipulados, quer dizer, calculados. A votação nos Estados Unidos é CORRUPTA!!!”, afirmou.

Trump não apresentou evidências que sustentem a acusação de corrupção no sistema eleitoral americano.

Trump chegou a confundir Brasil com Índia

A publicação passou por uma correção depois de Trump inicialmente identificar o país como Índia.

Na primeira versão, o presidente americano parabenizou a “Índia” pela rapidez na divulgação do resultado da eleição presidencial.

A referência estava errada. A Índia não realizou eleição presidencial neste domingo, e a escolha do presidente indiano ocorre de maneira indireta.

Posteriormente, Trump editou a postagem e substituiu Índia por Brasil, mantendo a comparação entre a velocidade da apuração brasileira e o sistema eleitoral dos Estados Unidos.

Brasil tem apuração eletrônica

O sistema brasileiro permite que os votos registrados nas urnas eletrônicas sejam contabilizados e transmitidos à Justiça Eleitoral após o encerramento da votação.

Nos Estados Unidos, as regras eleitorais variam de acordo com cada estado. O uso amplo de cédulas de papel e votos enviados pelo correio, além de diferentes prazos estaduais para recebimento e processamento desses votos, pode prolongar a contagem.

A demora na definição de resultados em determinados locais, portanto, não comprova manipulação eleitoral.

Trump mantém há anos críticas ao sistema americano e já contestou resultados eleitorais sem apresentar evidências capazes de comprovar fraude em escala suficiente para alterar o resultado das eleições.

PF apura possível interferência externa no Brasil

A declaração de Trump ocorre enquanto a Polícia Federal conduz uma averiguação sobre possível interferência externa nas Eleições 2026.

O procedimento foi iniciado depois de uma representação encaminhada pela Advocacia-Geral da União.

A AGU acionou a PF após a revelação de que o governo dos Estados Unidos destinou US$ 1 milhão, aproximadamente R$ 5,2 milhões, a um projeto direcionado a organizações da sociedade civil brasileiras que questionam decisões do STF.

Batizada de “Countering Lawfare and Censorship in Brazil”, a iniciativa utiliza recursos do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado americano.

Os documentos divulgados até agora não identificam todas as organizações que receberão os recursos.

Também não há comprovação de que o dinheiro tenha sido repassado a candidatos, partidos ou campanhas das Eleições 2026.

PF diz que investigação está em andamento

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou no domingo (4) que o material foi encaminhado à Diretoria de Inteligência da corporação.

Segundo Rodrigues, a averiguação já começou, embora a formalização de um inquérito ainda dependa do avanço das análises.

A investigação pretende verificar a destinação dos recursos e se houve alguma iniciativa capaz de caracterizar interferência estrangeira em assuntos internos brasileiros.

A abertura da apuração não significa que a PF tenha constatado interferência dos Estados Unidos na eleição.

TSE diz não ter identificado interferência internacional

No domingo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que os relatórios disponíveis durante o primeiro turno não apontavam interferência internacional no processo eleitoral.

“Até o momento, não temos nenhum indicativo concreto de interferência internacional”, declarou.

Segundo o ministro, o monitoramento realizado pela Justiça Eleitoral também não havia identificado atuação estrangeira capaz de comprometer a votação ou a apuração.

A declaração diferencia dois fatos que ocorrem paralelamente: enquanto a PF investiga se recursos externos podem ter sido utilizados de maneira irregular no ambiente político brasileiro, o TSE afirma não ter identificado interferência concreta na realização da eleição.

Flávio e Lula disputam segundo turno

A manifestação de Trump ocorre no início da nova etapa da eleição presidencial.

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença ficou em pouco mais de 2,2 milhões de votos.

Os dois candidatos voltam às urnas em 25 de outubro.

Até agora, Trump não declarou apoio a nenhum dos candidatos no segundo turno na publicação em que comentou a rapidez da apuração brasileira.

As próximas semanas também deverão manter no radar das autoridades brasileiras a investigação sobre o financiamento americano. Caberá à PF determinar quem seriam os destinatários dos recursos e se houve alguma irregularidade na utilização do dinheiro no Brasil.

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