O dólar desaba mais de 4% e volta a R$ 4,95, enquanto o Ibovespa salta 9,1% e rompe os 209.606 pontos, em recorde histórico. A arrancada dos ativos brasileiros acontece nesta segunda-feira (5) após o primeiro turno das eleições presidenciais, que coloca o senador Flávio Bolsonaro (PL) na frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No placar das urnas, Flávio soma 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. No placar dos mercados, o resultado reacende a aposta em ajuste fiscal e em um governo considerado mais previsível para as contas públicas.
Bolsa dispara, real lidera ganhos e renda fixa trava
O movimento começa cedo. Logo na abertura, o dólar à vista testa queda de 5% na mínima do dia, tocando R$ 4,95, ante os R$ 5,21 da sexta-feira. Entre as 31 moedas mais negociadas do mundo, o real assume a liderança de valorização.
Na B3, o Ibovespa dispara 9,1% e alcança 209.606 pontos, o maior nível de sua história. A alta espalha-se por praticamente todos os setores, com força especial em varejo, bancos, construção civil e empresas ligadas ao consumo interno.
Ações de Magazine Luiza saltam 25%, enquanto C&A sobe 18,6%. Entre os bancos, Itaú avança 9,15% e Banco do Brasil ganha 12,39%. Petrobras sobe cerca de 6% e a própria B3 dispara 27,79%, em reflexo direto do aumento no volume de negócios e da entrada de capital estrangeiro.
Os juros futuros também reagem. Contratos de DI passam a embutir uma taxa básica de 13% ao ano em dezembro, abaixo da Selic atual de 13,75%. A mudança de expectativa é tão brusca que as negociações com títulos públicos no Tesouro Direto são temporariamente suspensas, em um circuito de proteção usado em dias de forte volatilidade.
Efeito Flávio e aposta em ajuste fiscal
O gatilho para a reprecificação dos ativos é o mapa eleitoral. O avanço de Flávio Bolsonaro, somado ao fortalecimento do PL no Congresso, é lido como aumento da chance de um governo comprometido com correção das contas públicas. O partido se consolida como principal bancada do Senado, o que tende a facilitar a aprovação de medidas de ajuste.
“Como o segundo turno parece estar nas mãos de Flávio, os ativos brasileiros devem subir”, afirma Cathy Hepworth, chefe da equipe de dívida de mercados emergentes da gestora PGIM. “O real e os juros devem ter um desempenho muito bom”, completa.
O pano de fundo é uma dívida pública que atinge 82,9% do PIB, o maior patamar já registrado, após ter crescido cerca de dez pontos percentuais no atual governo. A trajetória preocupa investidores locais e estrangeiros e coloca a agenda fiscal no centro da disputa.
“O mercado financeiro passa a atribuir uma probabilidade maior de alternância de poder e, junto com ela, uma possibilidade maior de mudança na condução fiscal a partir de 2027”, avalia Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.
Do lado de Flávio Bolsonaro, a mensagem é de contenção. “Autocontenção de gastos virá com diálogo entre Poderes”, diz Daniella Marques, coordenadora da agenda econômica do candidato. No governo atual, o ministro da Fazenda, Durigan, tenta mostrar reação: “O gasto obrigatório vai crescer menos no Orçamento de 2027. Isso é resposta efetiva”, afirma.
Otimismo se espalha para fora e testa limites da euforia
O rali brasileiro começa ainda na madrugada, antes da abertura em São Paulo. Um ETF negociado no Japão que replica ações brasileiras chega a subir 14%. Em Nova York, o iShares MSCI Brazil, principal fundo que acompanha a Bolsa do país, avança cerca de 12% no pré-mercado, sinalizando a força do apetite estrangeiro.
“Do ponto de vista da governabilidade e da agenda econômica, as condições nunca foram tão favoráveis”, afirma Guilherme Abbud, CEO da gestora Persevera Asset Management. Para ele, a combinação de Congresso mais alinhado a uma agenda liberal e a expectativa de mudança no Planalto cria espaço para uma alta prolongada. “A reação deve ser muito forte, e há potencial para que a alta se prolongue por vários dias”, diz.
Projeções de bancos internacionais ajudam a alimentar o otimismo. Estimativas usadas por gestores indicam que, com ajuste fiscal crível, o real ainda poderia se valorizar cerca de 6% adicionais, os juros dos títulos públicos convergiriam para perto de 13% e as ações teriam margem para subir até 50%. No cenário inverso, de frustração fiscal, a mesma simulação aponta risco de enfraquecimento relevante da moeda, juros perto de 15,5% e queda de até 21% na Bolsa.
Parte da violência do movimento de hoje vem justamente do posicionamento conservador que predominou nas últimas semanas. Muitos investidores preferiram ficar protegidos em derivativos, à espera de uma definição mais clara das urnas, e agora correm para aumentar a exposição a ativos brasileiros.
Quem ganha, quem perde e o que vem com o 2º turno
No curto prazo, a valorização do real reduz o custo de importações e alivia a pressão sobre combustíveis e bens industriais, o que ajuda a conter a inflação. Empresas que dependem de insumos em dólar, como varejistas e indústrias, se tornam as principais beneficiadas.
A queda dos juros futuros melhora a perspectiva para o crédito, a construção civil e setores intensivos em financiamento, além de valorizar empresas de shopping centers e consumo. A suspensão temporária no Tesouro Direto, porém, expõe o outro lado da moeda: a sensibilidade do mercado de dívida pública a choques políticos.
Do ponto de vista político, o presidente Lula reage imediatamente e promete uma campanha intensa até o segundo turno, marcado para 25 de outubro, em busca de reverter a desvantagem. A disputa segue apertada, e a mesma volatilidade que hoje beneficia os ativos pode se inverter com pesquisas desfavoráveis ou sinais de recuo na agenda fiscal.
Apesar da euforia, analistas lembram que o movimento desta segunda-feira precifica expectativas, não entregas. O comportamento de dólar, Bolsa e juros nos próximos meses vai depender da clareza dos programas econômicos, da composição da equipe responsável pelo Orçamento e da disposição concreta de conter gastos obrigatórios.
Até lá, o mercado deve seguir operando ao ritmo das pesquisas, dos acenos de campanha e de cada sinal sobre o futuro das contas públicas. O rali de hoje mostra o prêmio que investidores estão dispostos a pagar por previsibilidade fiscal — e o tamanho da correção caso essa promessa não se cumpra.
Por que o dólar caiu abaixo de R$ 4,95 após o 1º turno das eleições?
O dólar cai para R$ 4,95 hoje porque o resultado do 1º turno, com 47,03% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro contra 45,16% de Lula, aumenta a aposta em ajuste fiscal, melhora a percepção de risco do Brasil, atrai capital estrangeiro e reduz a demanda por proteção cambial em dólar.
Como o avanço do bolsonarismo nas eleições impactou o dólar e o Ibovespa hoje?
O avanço do bolsonarismo, com Flávio Bolsonaro liderando o 1º turno e o PL fortalecendo a bancada no Senado, derruba o dólar a R$ 4,95, uma queda de 5%, e impulsiona o Ibovespa em 9,1%, a 209.606 pontos, refletindo expectativa de ajuste fiscal e maior facilidade para aprovar reformas.
Qual foi a reação do mercado financeiro, incluindo o dólar, após o resultado do 1º turno?
Após o 1º turno, o mercado reage com dólar a R$ 4,95, Ibovespa em alta de 9,1% e recorde em 209.606 pontos, ETFs no exterior subindo até 14%, ações de varejo e bancos disparando e juros futuros recuando, com contratos já precificando Selic de 13% em dezembro, abaixo dos atuais 13,75%.
Como a cotação do dólar hoje influencia o desempenho do Ibovespa?
A cotação do dólar em R$ 4,95 hoje, bem abaixo dos R$ 5,21 de sexta-feira, barateia importações, melhora a perspectiva de inflação, reduz juros futuros e aumenta o apetite por risco, o que favorece especialmente ações de varejistas, bancos e consumo, ajudando o Ibovespa a subir 9,1% e atingir 209.606 pontos.
Qual é a cotação do dólar hoje e como acompanhar em tempo real?
O dólar comercial é negociado hoje na casa de R$ 4,95, após queda intradiária de cerca de 5% frente aos R$ 5,21 da última sexta-feira, em reação ao 1º turno. Acompanhar em tempo real é possível por aplicativos de bancos, corretoras, plataformas digitais de cotações e sistemas de home broker das instituições financeiras.