Eduarda Campopiano (PL), eleita deputada estadual mais votada de São Paulo, publicou um ataque contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL) poucas horas depois do encerramento do primeiro turno das Eleições 2026.
Na madrugada desta segunda-feira (5), Campopiano usou o X para se referir a Erika, uma mulher trans, como “homem biológico” enquanto comparava os resultados obtidos pelas duas nas urnas.
A publicação ocorreu após Campopiano receber 1.956.238 votos para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Erika, por sua vez, foi reeleita deputada federal com 1.596.472 votos e alcançou a maior votação já registrada por uma mulher para a Câmara dos Deputados.
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A publicação foi feita por volta de 1h20, segundo o Metrópoles, poucas horas depois de Campopiano confirmar a eleição para a Alesp.
Ao celebrar o próprio desempenho, a parlamentar eleita direcionou a provocação a Erika Hilton.
“E o homem biológico Erika Hilton nunca será a mulher mais votada de SP”, escreveu Campopiano.
A declaração foi classificada como transfóbica pela Folha de S.Paulo e por outros veículos por negar a identidade de gênero de Erika Hilton, que é uma mulher trans.
As duas parlamentares concorreram a cargos diferentes. Campopiano disputou uma vaga de deputada estadual, enquanto Erika buscava a reeleição para deputada federal.
Campopiano recebeu quase 2 milhões de votos
Aos 23 anos, Eduarda Campopiano terminou a eleição com 1.956.238 votos e liderou a disputa pelas 94 cadeiras da Assembleia Legislativa paulista.
Vereadora de Praia Grande, no litoral de São Paulo, Campopiano havia conquistado seu primeiro mandato eletivo em 2024, quando recebeu 3.583 votos.
Dois anos depois, ampliou a projeção por meio das redes sociais e conquistou uma cadeira na Alesp.
Campopiano se apresenta publicamente como conservadora e antifeminista. Em seus perfis, utiliza a descrição de “maior inimiga das feministas de São Paulo”.
Erika Hilton bate recorde para a Câmara
Erika Hilton também alcançou uma marca histórica nas eleições deste domingo.
A deputada do PSOL recebeu 1.596.472 votos e se tornou a mulher mais votada da história em uma eleição para a Câmara dos Deputados.
Ela superou o recorde de Joice Hasselmann, que havia recebido 1.078.666 votos em São Paulo nas eleições de 2018.
No ranking nacional para deputado federal em 2026, Erika terminou atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL-MG), que recebeu 3.119.318 votos, e Lucas Pavanato (PL-SP), com 3.038.438.
Embate entre Campopiano e Erika não começou agora
A publicação desta segunda-feira não representa o primeiro confronto político entre as duas.
Campopiano já havia criticado Erika após a eleição da parlamentar do PSOL para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
Segundo a Folha, integrantes do PL também já utilizaram a expressão “homem biológico” para contestar a identidade de gênero de Erika durante embates políticos anteriores.
As duas possuem forte presença nas redes sociais e representam campos políticos distintos. Enquanto Campopiano construiu sua projeção com um discurso conservador e antifeminista, Erika atua em pautas relacionadas aos direitos das mulheres, da população LGBTQIA+ e dos trabalhadores.
Erika recebeu ameaça de morte no dia da eleição
O ataque publicado por Campopiano ocorreu um dia depois de Erika Hilton receber uma ameaça de morte por e-mail.
Segundo a assessoria da deputada, a mensagem continha ofensas transfóbicas e afirmava que o responsável teria acesso a informações pessoais e ao endereço da parlamentar.
Erika registrou boletim de ocorrência e reforçou a segurança antes de sair para votar. A parlamentar chegou ao local de votação por volta das 16h35 de domingo acompanhada por seguranças.
Não há indicação de relação entre a ameaça recebida por Erika e a publicação feita posteriormente por Campopiano.
Até a publicação da reportagem que revelou o novo episódio, Erika Hilton ainda não havia se manifestado publicamente sobre a postagem de Campopiano.