A atividade ligada ao Airbnb movimentou mais de R$ 1,2 bilhão na economia de Belo Horizonte em 2025, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV). O levantamento mostra que os efeitos das hospedagens vão além do valor recebido pelos anfitriões e alcançam setores como alimentação, transporte, comércio e prestação de serviços.
O estudo estima que a atividade contribuiu com R$ 708 milhões para o Produto Interno Bruto (PIB) da capital mineira e gerou R$ 112 milhões em tributos. Aproximadamente 8 mil postos de trabalho foram sustentados direta e indiretamente ao longo do ano.
Para parte dos anfitriões, a plataforma também ganhou peso no orçamento doméstico. Dados coletados pelo Airbnb mostram que quase metade afirma receber hóspedes para ajudar a pagar despesas, enquanto aproximadamente 70% dos anfitriões de quartos privados utilizam os espaços para obter renda extra.
Airbnb movimenta mais de R$ 1,2 bilhão em BH
O levantamento é o primeiro realizado pela FGV com um recorte específico sobre o impacto econômico do Airbnb em Belo Horizonte.
Além dos mais de R$ 1,2 bilhão movimentados, a atividade foi responsável por mais de R$ 360 milhões em renda na cidade em 2025.
A metodologia considera tanto os impactos diretos, relacionados aos gastos de hóspedes e anfitriões, quanto os indiretos, que surgem quando esses recursos circulam por outros segmentos da economia.
Isso significa que o valor total não corresponde ao faturamento do Airbnb nem ao dinheiro recebido exclusivamente pelos proprietários dos imóveis.
Restaurantes, transporte e comércio também recebem recursos
Uma parcela importante do impacto econômico ocorre fora das acomodações.
Quando um turista reserva um imóvel, outros gastos realizados durante a viagem podem alcançar restaurantes, bares, supermercados, transporte, lojas e atrações turísticas.
Segundo dados da plataforma referentes a 2025, mais de 95% dos anfitriões de Belo Horizonte disseram recomendar restaurantes ou cafés da região aos hóspedes.
Mais de 80% afirmaram indicar parques e atividades ao ar livre, enquanto mais de 40% recomendaram estabelecimentos comerciais locais.
Renda ajuda anfitriões a pagar despesas
A hospedagem por temporada também passou a ter importância no orçamento de moradores que disponibilizam imóveis ou quartos na plataforma.
Quase metade dos anfitriões entrevistados pelo Airbnb afirmou que recebe visitantes para ajudar a cobrir despesas.
Entre aqueles que oferecem quartos privados, aproximadamente 70% disseram disponibilizar o espaço para conseguir renda extra.
Outro dado mostra que cerca de 70% dos anfitriões afirmaram que o dinheiro obtido por meio da plataforma ajudou a permanecer em suas próprias casas no último ano.
Os percentuais são baseados em respostas fornecidas por anfitriões do Airbnb em Belo Horizonte e, portanto, refletem a pesquisa realizada com usuários da própria plataforma.
Atividade sustenta cerca de 8 mil postos de trabalho
A FGV estima que a atividade relacionada ao Airbnb sustentou aproximadamente 8 mil postos de trabalho, considerando efeitos diretos e indiretos.
A conta inclui ocupações relacionadas diretamente ao atendimento dos visitantes e empregos mantidos em setores beneficiados pelos gastos gerados durante as estadias.
O impacto calculado para o PIB de Belo Horizonte foi de R$ 708 milhões, enquanto a arrecadação de tributos associada à atividade chegou a R$ 112 milhões em 2025.
Turismo amplia circulação de dinheiro em Belo Horizonte
O resultado ocorre em um cenário de fortalecimento da atividade turística na capital mineira, impulsionada por eventos, gastronomia, shows, Carnaval e atrações culturais.
Na Pampulha, por exemplo, levantamento da Belotur mostrou que 12,9% dos turistas pesquisados utilizavam imóveis alugados, incluindo plataformas como o Airbnb, como forma de hospedagem.
A expansão desse tipo de acomodação também permite que visitantes permaneçam em bairros fora dos circuitos hoteleiros tradicionais, ampliando a circulação dos gastos turísticos pela cidade.
Em todo o Brasil, estudo da FGV estima que a atividade ligada ao Airbnb movimentou R$ 113 bilhões em 2025, com contribuição próxima de R$ 63 bilhões para o PIB e mais de 700 mil postos de trabalho sustentados direta e indiretamente.