Ao menos 15 eleitos têm candidatura indefinida e podem ter votos anulados

Levantamento aponta dois governadores, quatro senadores e nove deputados federais com registros ainda pendentes de decisão definitiva da Justiça Eleitoral; Deltan Dallagnol e Dr. Furlan estão entre os casos
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Ao menos 15 candidatos escolhidos nas urnas neste domingo (4) ainda dependem de decisões da Justiça Eleitoral para terem a situação do registro definitivamente resolvida. O levantamento considera eleitos para o governo dos estados e para o Congresso Nacional.

São dois governadores, quatro senadores e nove deputados federais nessa situação. Os processos estão em estágios diferentes: há candidatos que tiveram o registro autorizado, mas são alvo de recursos, outros que recorreram após decisões contrárias e casos que ainda aguardam análise definitiva.

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A existência de uma pendência judicial não significa automaticamente que os votos serão anulados. A consequência depende da situação específica de cada candidatura e da decisão definitiva da Justiça Eleitoral.

A legislação permite, em determinadas circunstâncias, que candidatos com recursos pendentes continuem na disputa. Por isso, o eleitor pode encontrar no sistema eleitoral candidatos identificados como concorrentes mesmo quando ainda existe uma controvérsia sobre o registro.

Nos casos em que o registro foi indeferido e existe recurso, os votos podem permanecer como anulados sub judice até a conclusão do processo. Se a decisão contrária ao candidato for revertida, esses votos poderão ser validados.

Deltan aguarda decisão do plenário do TSE

Um dos casos de maior repercussão é o de Deltan Dallagnol (Novo), eleito senador pelo Paraná com cerca de 2,88 milhões de votos.

Deltan Dallagnol (Novo)

Na véspera da eleição, o ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, havia indeferido o registro e determinado a nulidade dos votos da chapa.

Na manhã da eleição, porém, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu os efeitos da decisão individual. Deltan voltou à disputa com o registro deferido com recurso e os votos passaram a ser computados.

A medida não resolveu definitivamente a controvérsia. O plenário do TSE ainda deverá decidir se o registro será mantido.

A discussão envolve os efeitos da decisão que cassou o mandato de Deltan como deputado federal em 2023 e se aquele julgamento produz uma causa de inelegibilidade para a disputa de 2026.

Dr. Furlan também aguarda julgamento

Outro caso é o de Dr. Furlan (PSD), eleito governador do Amapá no primeiro turno com mais de 60% dos votos válidos.

Dr. Furlan (PSD)

O registro de Furlan é questionado em um recurso apresentado pelo Ministério Público Eleitoral. A controvérsia envolve a renúncia dele à Prefeitura de Macapá e a discussão sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa.

O relator do processo no TSE, ministro Dias Toffoli, votou pelo indeferimento da candidatura. O julgamento, entretanto, foi interrompido após o ministro André Mendonça pedir vista.

Até agora, nenhum outro ministro apresentou voto. Com isso, ainda não existe decisão definitiva do TSE sobre a candidatura do governador eleito.

Decisões podem provocar mudanças nos resultados

As consequências de um eventual indeferimento variam conforme o cargo e a situação do processo.

Nas eleições majoritárias, como as disputas para governador e senador, a validade definitiva dos votos de uma chapa que ainda está sob recurso depende da decisão final sobre o registro.

Nas eleições proporcionais, como a disputa para deputado federal, há regras específicas para o aproveitamento dos votos pelo partido quando um registro que estava pendente é posteriormente indeferido ou cancelado.

Por isso, uma decisão posterior à votação pode levar a uma nova totalização e provocar alterações na composição dos eleitos.

Caso Garotinho pode até interferir no segundo turno do Rio

A indefinição não atinge apenas candidatos que apareceram entre os eleitos. A situação de Anthony Garotinho (Republicanos), candidato ao Governo do Rio de Janeiro, também pode produzir impacto direto no resultado estadual.

Anthony Garotinho (Republicanos)

O registro de Garotinho foi indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, e os votos recebidos por ele estão sujeitos ao resultado definitivo do recurso.

Se esses votos forem definitivamente anulados, será necessário recalcular o percentual de votos válidos recebido pelos demais candidatos.

No resultado atual, Douglas Ruas (PL) terminou o primeiro turno com 49,27% dos votos válidos, enquanto Eduardo Paes (PSD) registrou 42,76%, levando a disputa para o segundo turno.

Segundo o cálculo apresentado a partir do cenário de anulação dos votos de Garotinho, Douglas passaria a 50,88% dos votos válidos. Nesse caso, o resultado da eleição para governador poderia ser alterado e a necessidade do segundo turno dependeria da nova totalização oficial.

Justiça Eleitoral ainda dará palavra final

Os processos pendentes deverão continuar sendo analisados pelos tribunais eleitorais mesmo após o encerramento da votação.

O TSE explica que a indicação de um candidato como “concorrendo” não significa necessariamente que o registro esteja definitivamente aprovado. É preciso observar a situação específica do processo e a existência de recursos.

A definição sobre a validade dos votos e a possibilidade de diplomação dependerá do resultado de cada julgamento. Candidatos com registro definitivamente indeferido não podem ser diplomados.

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