Poucos lugares permitem chegar tão perto da história da exploração espacial quanto os grandes museus aeroespaciais espalhados pelo mundo. Alguns guardam naves que realmente deixaram a Terra, cápsulas usadas por astronautas, foguetes gigantes e equipamentos que participaram de missões históricas.
Nos Estados Unidos, centros ligados à NASA preservam peças das missões Mercury, Gemini, Apollo e do programa dos ônibus espaciais. Na Europa, museus franceses mostram a trajetória do continente na corrida espacial, enquanto o Canadá destaca tecnologias desenvolvidas pelo país e utilizadas até mesmo a bordo dos ônibus espaciais norte-americanos.
Além do valor histórico, esses espaços transformaram ciência e engenharia em experiências para o público, combinando objetos originais, réplicas em escala real, planetários, simuladores e ambientes interativos.
FAB ativa novo museu aeroespacial com até 100 aeronaves em São Paulo
Space Center Houston guarda peças das missões Apollo
Em Houston, no Texas, o Space Center Houston funciona como centro de visitantes do Johnson Space Center, um dos locais mais importantes da história da NASA.
Aberto ao público em 1992, o complexo possui mais de 400 itens e permite conhecer diferentes etapas da exploração espacial norte-americana.
Entre os destaques estão a cápsula Mercury 9, a Gemini 5 e o módulo de comando da Apollo 17, missão que, em 1972, marcou a última vez em que seres humanos caminharam na Lua.
O complexo também abriga um Saturn V. Com mais de 100 metros de comprimento quando completamente montado, o foguete foi utilizado pela NASA nas missões que levaram astronautas à Lua.
Além das exposições, o visitante pode fazer um passeio que passa por áreas do Johnson Space Center, incluindo instalações relacionadas ao controle de missões e ao treinamento de astronautas.
Kennedy Space Center preserva o ônibus espacial Atlantis
Na Flórida, outra parte importante da história espacial norte-americana pode ser vista no Kennedy Space Center Visitor Complex.
O centro de visitantes fica junto à região de onde partiram algumas das missões mais importantes da NASA e possui espaços dedicados à corrida para a Lua e aos programas espaciais tripulados.
Uma das principais atrações é o ônibus espacial Atlantis. A nave realizou 33 missões antes de ser aposentada e hoje ocupa uma exposição própria.
O visitante também encontra o Rocket Garden, onde diferentes foguetes ajudam a mostrar a evolução dos veículos utilizados pelos Estados Unidos durante as primeiras décadas da exploração espacial.
Outro destaque é o Saturn V Center, dedicado ao enorme foguete associado às missões Apollo.
Smithsonian reúne ícones da aviação e da exploração espacial
Washington e o estado vizinho da Virgínia concentram outra coleção de importância histórica: o Smithsonian National Air and Space Museum.
O museu possui duas grandes unidades. A primeira fica em Washington, enquanto o Steven F. Udvar-Hazy Center está localizado próximo ao Aeroporto Internacional de Dulles, na Virgínia.
Na unidade de Washington, um dos objetos mais importantes é o Wright Flyer de 1903, aeronave dos irmãos Wright associada ao primeiro voo controlado e sustentado de uma máquina motorizada mais pesada que o ar.
A coleção avança pela história da aviação até chegar à exploração espacial, com galerias relacionadas à corrida para a Lua, ao Sistema Solar e aos satélites.
Já o Udvar-Hazy Center impressiona pelo tamanho das aeronaves expostas. Entre elas estão o supersônico Concorde, o avião de reconhecimento SR-71 Blackbird e o bombardeiro B-29 Enola Gay.
Para os apaixonados pelo espaço, porém, uma das grandes atrações é o Discovery.
O ônibus espacial realizou 39 missões entre 1984 e 2011 e passou um total de 365 dias no espaço. Depois da aposentadoria da frota, foi incorporado ao acervo do Smithsonian.
França tem foguete Ariane 5 em tamanho real
Fora dos Estados Unidos, a França reúne dois destinos importantes para quem acompanha a história da exploração espacial.
Em Toulouse está a Cité de l’espace, inaugurada em 1997 e concebida como um grande espaço de divulgação científica.
Uma das estruturas que mais chamam atenção é uma réplica em escala real do Ariane 5. Com aproximadamente 55 metros, o foguete se tornou um dos símbolos do programa espacial europeu.
O complexo também possui representações de equipamentos das missões soviéticas Mir e Soyuz, espaços interativos, planetários e ambientes que simulam operações de controle de uma missão espacial.
A proposta é fazer com que o visitante não apenas observe objetos, mas consiga compreender algumas das etapas envolvidas na preparação e execução de uma missão.
Museu de Le Bourget atravessa mais de um século de aviação
Nos arredores de Paris está o Musée de l’Air et de l’Espace, instalado no aeroporto de Le Bourget.
A instituição foi criada em 1919 e reúne uma coleção que atravessa diferentes períodos da história da aviação e da exploração espacial.
O acervo inclui dezenas de aeronaves e uma área dedicada ao espaço. Foguetes Ariane aparecem ao lado de objetos e réplicas relacionados à corrida espacial.
Entre os itens apresentados estão representações do Sputnik 1, da Vostok 1 — nave associada ao voo histórico de Yuri Gagarin — e do veículo lunar soviético Lunokhod 1.
A coleção também ajuda a contar a participação francesa na exploração espacial, incluindo o foguete Diamant-A, utilizado no lançamento do primeiro satélite francês, o Astérix, em 1965.
Canadarm é destaque em museu de Ottawa
O Canadá também preserva sua contribuição à exploração espacial no Canada Aviation and Space Museum, em Ottawa.
Entre as peças de maior destaque está um braço robótico Canadarm que esteve instalado no ônibus espacial Endeavour.
A tecnologia canadense foi utilizada durante missões dos ônibus espaciais para movimentar cargas e auxiliar operações no espaço.
O museu também apresenta conteúdos sobre a participação do Canadá em pesquisas realizadas fora da Terra, incluindo estudos relacionados aos efeitos das viagens espaciais sobre o corpo humano.
Brasil prepara museu com até 100 aeronaves em São Paulo
O Brasil também trabalha para ampliar sua estrutura dedicada à preservação da história da aviação.
No Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo, está sendo implantado o Museu Aeroespacial Paulista, projeto da Força Aérea Brasileira que pretende reunir aviação civil e militar em um complexo de aproximadamente 100 mil metros quadrados.
O acervo poderá chegar a cerca de 100 aeronaves. Entre os exemplares destacados pela direção do projeto estão aviões ligados à Segunda Guerra Mundial, como P-47, Corsair, Spitfire e Messerschmitt.
O projeto prevê dez hangares, oficina de restauração que poderá ser observada pelos visitantes, áreas educativas e espaços dedicados à exploração espacial.
O museu foi ativado pela FAB em 2026, mas ainda está em implantação. A previsão trabalhada atualmente é de abertura ao público em 2027, sem uma data definitiva anunciada.
Quando estiver concluído, o espaço deverá colocar São Paulo no mapa dos grandes centros dedicados à preservação da história da aviação e aproximar o público brasileiro de aeronaves, ciência, engenharia e exploração espacial.