Lula pressiona Flávio sobre fim da escala 6×1: “Qual conta ela deixa de pagar?”

Presidente quer redução para 40 horas semanais sem corte de salário; candidato do PL critica modelo em discussão e defende jornada mais flexível
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para cinco dias de serviço e dois de descanso, sem diminuição salarial. Em manifestação nesta terça-feira (6), o presidente também levou o tema para a disputa eleitoral e criticou a posição de Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário no segundo turno.

O debate ganhou força porque o Senado iniciou a discussão da PEC 221/2019. A proposta já foi aprovada em dois turnos pela Câmara e estabelece uma transição da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de repouso remunerado e sem redução de salário.

Flávio se posiciona contra o modelo aprovado pela Câmara e defende uma alternativa baseada em maior flexibilidade para a definição da jornada. O candidato do PL sustenta que empregado e empregador deveriam ter mais liberdade para negociar a quantidade de horas trabalhadas e a remuneração correspondente.

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Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que pretende transformar a redução da jornada em uma mudança efetiva para os trabalhadores. O presidente defendeu expressamente o modelo de cinco dias trabalhados e dois de descanso.

“O que defendemos são 5 dias de trabalho e 2 dias de folga por semana, sem redução de salário.”

Segundo Lula, a mudança permitiria ampliar o tempo disponível para descanso, saúde e convivência familiar.

“Porque o trabalhador e a trabalhadora querem melhorar de vida, mas também querem tempo para viver, descansar, cuidar da saúde e estar com a família.”

A proposta em discussão prevê uma transição. Caso seja promulgada, a jornada máxima cairá inicialmente de 44 para 42 horas semanais e, posteriormente, chegará às 40 horas.

Lula (PT) voltou a defender o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para cinco dias de serviço e dois de descanso | Foto: Reprodução

Lula critica posição de Flávio

Lula também direcionou as declarações ao adversário no segundo turno e afirmou que Flávio é contrário à proposta nos moldes defendidos pelo governo.

“Já Flávio Bolsonaro é contra. Para ele, quem trabalhar menos tem que ganhar menos.”

Na sequência, o presidente associou a discussão à renda das famílias que dependem do salário mensal.

“Queria ver ele explicar para uma mãe de família qual conta ela deixa de pagar para poder descansar. A comida? A luz? O aluguel?”

A declaração representa a interpretação de Lula sobre a proposta defendida pelo adversário. Flávio, por sua vez, afirma que seu modelo busca dar liberdade ao trabalhador para escolher a própria jornada e critica uma redução obrigatória da carga horária sem alteração proporcional dos custos para as empresas.

Flávio defende jornada flexível

Flávio já criticou o fim da escala 6×1 no formato atualmente analisado pelo Congresso. O candidato do PL propõe ampliar a negociação entre trabalhadores e empregadores, permitindo diferentes cargas horárias conforme as necessidades de cada profissional.

Nesse modelo, uma pessoa poderia optar por trabalhar menos horas, com remuneração proporcional, ou ampliar a jornada dentro dos limites legais para aumentar os rendimentos.

Na terça-feira, ao ser questionado sobre a PEC que está no Senado, Flávio voltou a defender sua alternativa.

“Nossa alternativa é infinitamente melhor ao modelo analisado pelo Senado.”

O plano de governo registrado pelo candidato não estabelece o fim da escala 6×1 nem fixa uma redução geral da jornada para 40 horas. O documento defende maior liberdade de negociação das condições de trabalho.

Flávio argumenta ainda que uma redução obrigatória da jornada sem diminuição salarial pode aumentar custos para empresas e provocar efeitos sobre preços, empregos e informalidade. Esses possíveis impactos são argumentos apresentados pelo candidato e seus aliados e dependem, entre outros fatores, do formato final da mudança e da resposta dos diferentes setores da economia.

Lula e Flávio divergem sobre escala e modelo de trabalho | Foto: Reprodução

PEC já passou pela Câmara

A PEC 221/2019 avançou significativamente no Congresso ao longo deste ano. A Câmara aprovou a proposta em dois turnos em maio.

No primeiro turno, foram 472 votos favoráveis e 22 contrários. No segundo, o placar foi de 461 votos a favor e 19 contra.

O texto estabelece jornada máxima de 40 horas semanais distribuídas em cinco dias, com dois dias de descanso remunerado. Um deles deve ocorrer preferencialmente aos domingos.

A proposta chegou posteriormente ao Senado, passou pela Comissão de Constituição e Justiça e entrou na fase de discussão no plenário.

Próximos passos

Por alterar a Constituição, a proposta precisa cumprir um rito mais rigoroso. No Senado, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis, equivalentes a três quintos dos 81 senadores, em cada um dos dois turnos.

Antes da primeira votação, o texto precisa cumprir as sessões de discussão previstas pelo regimento da Casa.

Caso os senadores aprovem exatamente o texto recebido da Câmara, a PEC poderá ser promulgada pelo Congresso. Se houver alterações substanciais, a proposta terá de retornar aos deputados.

A discussão ocorre em pleno segundo turno presidencial e transformou a jornada de trabalho em um dos pontos de confronto entre Lula e Flávio. A definição sobre a PEC, porém, cabe ao Congresso e não depende diretamente do resultado da eleição presidencial.

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