A Polícia Civil prendeu, nesta quarta-feira (7), seis suspeitos de integrar um grupo que extorquia uma moradora de Porto Alegre de 27 anos, ameaçando invadir a casa dela e matá-la caso não fizesse depósitos em dinheiro. A ação, batizada de Operação Dark Link, mira a desarticulação da quadrilha e o fim das ameaças, que já haviam causado prejuízo de cerca de R$ 6 mil à vítima.
LEIA TAMBÉM
Homem acusado de socar barriga da companheira grávida tenta fugir pela janela e é preso no Rio
Polícia mira quadrilha que usava redes sociais
Deflagrada pela 16ª Delegacia de Polícia da Capital, a operação cumpre nove mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão em Porto Alegre, Viamão, Gravataí e Cachoeirinha, na Região Metropolitana, e em Tramandaí, no Litoral Norte.
Segundo a Polícia Civil, a investigação começou em junho, após a vítima procurar ajuda ao ser coagida, por cerca de um mês, a fazer transferências sob ameaça de morte. “Os criminosos exigiam pagamentos da vítima pelas redes sociais, alegando pertencer a uma facção criminosa com atuação na zona sul de Porto Alegre. Eles ameaçavam invadir a casa dela e até matá-la caso não fizesse os depósitos”, informou a 16ª DP.
Os detidos foram levados à sede da delegacia em Porto Alegre para a realização das formalidades legais, como identificação e interrogatório. A polícia ainda apura o papel de cada um no esquema e se há outros envolvidos foragidos.

Entenda o contexto
De acordo com a investigação, o grupo se valia de perfis em redes sociais para abordar a vítima, criar um clima de terror e forçar pagamentos sucessivos, sempre sob a suposta chancela de uma facção que atuaria na zona sul da cidade. A tática buscava impedir que a jovem recorresse às autoridades, ao sugerir que qualquer reação poderia desencadear represálias violentas.
A ofensiva desta quarta-feira é vista internamente como resposta a um padrão de crime que vem migrando para o ambiente digital, em que ameaças e chantagens são disparadas por mensagens, dificultando a identificação imediata dos autores. Ao cumprir simultaneamente mandados em diferentes municípios, a Polícia Civil tenta romper a articulação do grupo e evitar que a prática se repita com outras vítimas.
Com a operação em andamento, os investigadores devem analisar celulares, computadores e documentos apreendidos para rastrear o caminho do dinheiro extorquido, mapear eventuais conexões com facções maiores e identificar se o mesmo método foi usado contra outras pessoas na Região Metropolitana e no Litoral Norte.
A vítima, que já não está mais sob ameaça direta com as prisões de hoje, deve ser encaminhada para atendimento e orientação, em articulação com a rede de proteção, enquanto o inquérito segue para subsidiar futuras denúncias do Ministério Público.