Estrangeiros colocam recorde de R$ 10 bilhões na Bolsa após 1º turno das eleições

Entrada de capital internacional na B3 foi a maior já registrada em um único dia e ocorre em meio à forte reação do mercado ao resultado das urnas
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Investidores estrangeiros colocaram R$ 10,06 bilhões na Bolsa brasileira após o primeiro turno das eleições de 2026. O volume representa a maior entrada líquida de capital internacional registrada em um único dia na história da B3.

O fluxo recorde ocorreu na segunda-feira (5), primeiro pregão depois da votação que colocou Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da disputa presidencial. O movimento acompanhou uma forte valorização dos ativos brasileiros.

Com a entrada registrada depois das eleições, o saldo de recursos estrangeiros na Bolsa em 2026 chegou a aproximadamente R$ 40 bilhões. Em sentido contrário, o fluxo acumulado de investidores pessoas físicas estava negativo em R$ 354 milhões.

Ibovespa sobe 9,1% e dólar cai a R$ 4,95 após 1º turno hoje

Entrada supera recorde registrado em abril

O ingresso de R$ 10,06 bilhões superou com folga o recorde anterior de entrada diária de capital estrangeiro na Bolsa.

A última marca havia sido registrada em abril deste ano, quando investidores internacionais colocaram aproximadamente R$ 8,3 bilhões no mercado acionário brasileiro.

O salto ocorre depois de meses de forte oscilação no comportamento dos estrangeiros. Em agosto, por exemplo, houve retirada expressiva de recursos da Bolsa em meio às incertezas econômicas e eleitorais.

Ibovespa disparou depois do primeiro turno

A movimentação dos investidores internacionais coincidiu com um dos pregões mais fortes da história recente da Bolsa brasileira.

Na segunda-feira, o Ibovespa avançou 7,70% e terminou aos 206.911,89 pontos, fechando acima dos 200 mil pontos pela primeira vez. Durante as negociações, o índice chegou aos 209.605,70 pontos, estabelecendo uma nova máxima intradiária.

O dólar também reagiu. A moeda norte-americana caiu 4,12% e encerrou o pregão cotada a R$ 5,0022.

Bancos e empresas mais sensíveis às expectativas domésticas estiveram entre os destaques. BTG Pactual avançou 22,52%, Bradesco subiu 13,57% em uma de suas classes de ações e Itaú teve valorização de 10,37%.

Resultado das eleições mudou percepção do mercado

Analistas atribuem parte da entrada de recursos à leitura feita pelos investidores sobre o resultado do primeiro turno e a composição do Congresso eleito.

Flávio terminou a primeira votação com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. O segundo turno será realizado em 25 de outubro.

Instituições financeiras passaram a revisar suas estratégias para o Brasil depois da votação. J.P. Morgan e Morgan Stanley elevaram suas recomendações para ações brasileiras, enquanto o Citi também aumentou sua exposição ao mercado do país.

Entre os principais pontos acompanhados pelos investidores está a possibilidade de mudanças na política fiscal a partir de 2027. Essas expectativas, porém, dependem do resultado do segundo turno e das medidas econômicas efetivamente apresentadas e aprovadas posteriormente.

Estrangeiros já haviam voltado às compras em setembro

O movimento não começou apenas depois da eleição. Em setembro, investidores internacionais já haviam retomado parte das compras de ações brasileiras depois da forte retirada registrada em agosto.

A entrada após o primeiro turno, porém, levou o fluxo a outro patamar e estabeleceu um novo recorde diário.

O capital estrangeiro tem peso relevante na B3 e pode ampliar tanto movimentos de valorização quanto de queda. Grandes entradas aumentam a demanda por ações brasileiras, enquanto retiradas rápidas podem pressionar os preços dos ativos.

Fluxo pode mudar rapidamente

Apesar do recorde, analistas destacam que parte desse dinheiro pode representar uma movimentação tática dos investidores internacionais diante da mudança nas expectativas.

Isso significa que os recursos podem permanecer no país caso o cenário continue favorável, mas também podem sair rapidamente diante de uma piora na percepção de risco.

O mercado agora acompanha as propostas econômicas apresentadas pelos candidatos no segundo turno, principalmente aquelas relacionadas às contas públicas, trajetória da dívida, impostos e capacidade de aprovação de reformas no Congresso.

Até a definição da eleição presidencial, marcada para 25 de outubro, o cenário político deve continuar entre os principais fatores capazes de provocar oscilações na Bolsa, no dólar e nos juros brasileiros.

Carregar Comentários