Quem é Mancuso, acusado de vender diplomas falsos a estrelas do futebol

Ex-volante de Flamengo e Palmeiras e ex-auxiliar de Maradona é apontado em investigação sobre licenças de treinador negociadas por até R$ 100 mil; argentino nega irregularidades
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Alejandro Mancuso, ex-volante argentino com passagens por Palmeiras e Flamengo e que trabalhou como auxiliar de Diego Maradona na seleção argentina, está no centro de uma investigação sobre a negociação de licenças de treinador consideradas falsas pela Associação de Técnicos de Futebol Argentino (ATFA).

Segundo a investigação jornalística divulgada nesta quarta-feira (7), Mancuso teria oferecido a jogadores e ex-jogadores um caminho para conseguir quatro níveis de licença — C, B, A e PRO — sem cumprir integralmente o processo regular de formação. O pacote chegaria a cerca de R$ 100 mil. Mancuso nega ter vendido documentos falsos ou recebido dinheiro dos atletas.

Quem é Alejandro Mancuso?

Nascido em Ciudadela, na Grande Buenos Aires, em 1968, Mancuso iniciou a carreira profissional no Ferro Carril Oeste em 1988. No mesmo ano, transferiu-se para o Vélez Sarsfield, onde ganhou espaço antes de defender o Boca Juniors.

O argentino também chegou à seleção nacional. Estreou pela Argentina em 1992, conquistou a Copa América de 1993 e integrou o elenco que disputou a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos.

Em 1995, desembarcou no futebol brasileiro para defender o Palmeiras. No ano seguinte, transferiu-se para o Flamengo, onde atuou ao lado de nomes como Romário e conquistou o Campeonato Carioca de 1996 de forma invicta.

Na reta final da carreira, Mancuso ainda passou por Independiente, Badajoz, Santa Cruz e Bella Vista, do Uruguai, antes de deixar os gramados.

Mancuso trabalhou com Maradona na seleção argentina

Depois de encerrar a carreira como jogador, Mancuso passou a atuar em outras funções no futebol. O capítulo de maior projeção ocorreu ao lado de Diego Maradona, de quem era amigo.

Mancuso integrou a comissão técnica da Argentina comandada por Maradona e trabalhou como auxiliar durante a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.

A relação entre os dois, porém, acabou posteriormente em meio a acusações e uma disputa judicial. Maradona acusou Mancuso de ter utilizado seu nome e falsificado sua assinatura em um contrato comercial relacionado à China. O caso não resultou em condenação de Mancuso: anos depois, a Justiça argentina considerou inadmissível um recurso de Maradona em razão da prescrição.

Investigação aponta oferta de licenças por até R$ 100 mil

A nova controvérsia envolvendo Mancuso está relacionada à formação de treinadores. Segundo a investigação publicada nesta quarta-feira, ele teria oferecido um procedimento acelerado para jogadores conseguirem as licenças C, B, A e PRO atribuídas à ATFA.

O valor do pacote chegaria a aproximadamente R$ 100 mil e os documentos poderiam ser enviados pelo correio em poucos dias. A proposta seria apresentada como uma alternativa para atletas de carreira consolidada que não quisessem cumprir todo o período de formação.

A formação regular da ATFA, no entanto, é progressiva e envolve cursos, avaliações e atividades práticas. A entidade afirma que a experiência acumulada como jogador profissional não permite eliminar essas etapas.

Thiago Silva, Felipe Melo e Roberto Carlos estão entre citados

Entre os nomes mencionados na investigação estão Thiago Silva, Luiz Gustavo, Diego Lugano, Paolo Guerrero, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Dejan Petkovic e Paulinho. Roberto Assis, irmão e empresário de Ronaldinho Gaúcho, também aparece na apuração.

As circunstâncias envolvendo cada um são diferentes. Alguns relataram ter acreditado que estavam contratando uma formação ou procedimento regular, enquanto outros afirmaram que não chegaram a utilizar os documentos recebidos.

Thiago Silva, por exemplo, afirmou por meio de sua assessoria que realizou pagamento acreditando estar contratando cursos e que os certificados recebidos posteriormente nunca foram utilizados.

Felipe Melo teria passado a desconfiar do processo após as atividades presenciais previstas não acontecerem. Já Alex de Souza, que possuía formação pela CBF Academy, teria identificado uma inconsistência no certificado argentino recebido, que fazia referência ao futsal.

ATFA diz que documentos são falsos

A ATFA afirma que Mancuso nunca integrou a diretoria da associação, não possui vínculo contratual com a instituição e não tinha autorização para cobrar valores, representá-la ou emitir documentos em seu nome.

Entre as inconsistências apontadas nos documentos estão datas retroativas, erros em informações, QR Codes que não levavam ao sistema oficial de verificação e assinaturas atribuídas a dirigentes que já não exerciam determinadas funções.

A entidade argentina sustenta que as licenças apresentadas na investigação não são válidas e nega ter autorizado qualquer procedimento especial intermediado pelo ex-jogador.

Mancuso nega ter vendido certificados falsos

Mancuso nega as acusações. Questionado sobre as negociações, o argentino afirmou que nunca pertenceu à ATFA e que atuava apenas facilitando o contato de jogadores interessados na formação.

O ex-volante também negou ter vendido certificados falsos e contestou a afirmação de que teria recebido dinheiro dos atletas para fornecer as licenças.

As acusações apresentadas na investigação jornalística não significam que Mancuso tenha sido condenado por esse caso.

Caso chegou à Justiça argentina

A emissão das licenças também foi investigada na Argentina. Em 2025, foram realizadas diligências na sede da ATFA para apurar uma possível participação da entidade na emissão irregular de documentos destinados a atletas estrangeiros.

Segundo a associação, as buscas não encontraram registros que comprovassem a fabricação irregular dos diplomas dentro da instituição. O Ministério Público pediu o encerramento da investigação e, em dezembro de 2025, a Justiça Federal argentina arquivou o processo por inexistência de crime no âmbito daquela apuração.

A ATFA mantém a posição de que Mancuso não tinha autorização para representá-la e afirma que eventuais documentos ou cobranças feitos em nome da instituição não tiveram seu consentimento.

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