Estudo da Fiocruz detecta cocaína em cinco rios do Rio de Janeiro

Substância apareceu em 59 das 60 amostras analisadas; pesquisadores também identificaram seu principal metabólito em todas as coletas e alertam para impactos na vida aquática.
Redação NC News
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Um estudo coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou a presença de cocaína e de benzoilecgonina, principal metabólito da droga, em cinco rios da capital e da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Os corpos d’água analisados desembocam na Baía de Guanabara.

Os pesquisadores coletaram 60 amostras de água ao longo de um ano, entre julho de 2022 e junho de 2023. A cocaína foi identificada em 59 delas, enquanto a benzoilecgonina apareceu em todas as amostras analisadas.

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Cinco rios foram monitorados

O levantamento analisou os rios Irajá e Carioca, os canais do Cunha e do Mangue, na cidade do Rio de Janeiro, além do Rio Meriti, em Duque de Caxias. As coletas foram realizadas mensalmente.

Segundo o estudo, as concentrações encontradas frequentemente superaram os níveis registrados em águas superficiais de outros locais do mundo. A reportagem que divulgou os resultados destaca comparações com pesquisas realizadas na Bélgica, Espanha e Estados Unidos.

Cocaína foi detectada em 59 das 60 amostras coletadas em cinco rios que desembocam na Baía de Guanabara.

Contaminação foi maior no período chuvoso

Os pesquisadores observaram concentrações mais elevadas durante a estação chuvosa, entre outubro e março. O maior nível foi registrado em janeiro.

Na maioria das amostras, a quantidade de benzoilecgonina foi superior à de cocaína. O metabólito é produzido após a droga ser processada pelo organismo e eliminada, o que aponta para a contribuição do esgoto sanitário na chegada dessas substâncias aos rios.

Pesquisa avaliou efeitos em organismos aquáticos

Além de monitorar os rios, os cientistas realizaram testes com embriões de peixe-zebra expostos a diferentes concentrações de cocaína e benzoilecgonina.

Os experimentos identificaram efeitos morfológicos, estresse oxidativo e alterações relacionadas ao desenvolvimento dos organismos. A exposição à benzoilecgonina também provocou aumento da frequência cardíaca nos embriões em todas as concentrações testadas.

Pesquisadores defendem monitoramento

Diante dos resultados, os autores apontam a necessidade de considerar a cocaína e a benzoilecgonina em programas de monitoramento e avaliação de riscos ecológicos, especialmente em ecossistemas aquáticos de regiões altamente urbanizadas.

O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da Fiocruz em parceria com instituições como Uerj, UFRJ e Unirio. Os resultados foram publicados na revista científica Aquatic Toxicology.

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