Juliana Paes, 47, transformou os exames de rotina no primeiro compromisso da agenda anual e diz que essa mudança de postura com o autocuidado foi decisiva para seguir dando conta do trabalho e da família com o marido, Carlos Eduardo Baptista, e os filhos Pedro, 15, e Antônio, 13. Em nova fase, a atriz associa diretamente sua própria organização de saúde à prevenção do câncer de colo do útero e à campanha Por um Futuro Sem Câncer de Colo do Útero, da qual é embaixadora.
“Entendi que cuidar de mim não é egoísmo, é o maior ato de amor que posso ter por mim e pela minha família”, afirma Juliana, ao defender que exames preventivos e vacinação contra o HPV sejam tratados como prioridade e não como algo “que a gente tenta encaixar” na rotina.
O que Juliana Paes falou sobre autocuidado?
Para Juliana, a virada veio depois de anos em que a própria saúde ficava para depois, empurrada por gravações, viagens e a rotina com os filhos. “Na correria de gravação, de decorar texto, de cuidar dos filhos, a gente pensa: ‘Ah, semana que vem eu ligo para marcar’, e essa semana vira um mês, que vira um ano”, admite.
Ela conta que passou a enxergar o cuidado com o corpo como condição para seguir presente em casa e no trabalho. “A minha grande virada de chave veio quando eu percebi que, para cuidar bem de quem eu amo e dar conta do meu trabalho, eu precisava estar inteira. Se a nossa bateria acaba, tudo ao nosso redor desmorona.”
Hoje, diz que o exame ginecológico anual entrou na lista de compromissos inadiáveis. “O meu exame preventivo não é algo que eu ‘tento’ encaixar na agenda; ele é o primeiro compromisso que eu marco no ano.” O recado que repete para si mesma e para outras mulheres é direto: “Não espere sentir dor para se cuidar”.
Por que Juliana Paes disse que cuidar de si não é egoísmo?
Na avaliação da atriz, muitas mulheres ainda se sentem culpadas por dedicar tempo à própria saúde. “Nós, mulheres, fomos ensinadas a colocar todo mundo na frente, antes da gente. É o trabalho, são os filhos, a casa, o marido… e a gente vai ficando por último”, comenta.
É nesse contexto que ela sustenta sua frase mais forte sobre o tema: “Entendi que cuidar de mim não é egoísmo, é o maior ato de amor que posso ter por mim e pela minha família”. Para Juliana, ir ao médico, fazer exames e reservar tempo para si é justamente o que permite seguir sustentando a casa, a carreira e os vínculos afetivos.
Se pudesse voltar no tempo, ela diz que daria esse conselho à própria versão mais jovem: “Nossa, se eu pudesse entrar numa máquina do tempo e dar um abraço na Juliana de alguns anos atrás, eu olharia bem no olho dela e diria: ‘Ju, desacelera um minuto. O mundo não vai parar se você tirar duas horas do seu dia para ir ao médico’”.
Entenda o contexto
Como embaixadora da campanha Por um Futuro Sem Câncer de Colo do Útero, da MSD Brasil, Juliana usa sua história pessoal para reforçar o recado de saúde pública: o câncer de colo do útero está ligado à infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV e pode ser amplamente prevenido com vacinação, exames de rastreamento e tratamento precoce de lesões.
“A prevenção é silenciosa, mas ela salva vidas”, resume. Ao se colocar como exemplo de alguém que já adiou consultas “por falta de tempo”, ela tenta aproximar o tema da realidade de outras mulheres e mostrar que mudar a agenda é possível.
Tabus, vergonha e conversa com os filhos
Além de falar sobre a própria rotina de exames, Juliana mira o silêncio que ainda cerca a saúde íntima feminina. “Eu acho que o maior tabu que a gente ainda precisa quebrar é o silêncio em torno do nosso próprio corpo, da nossa saúde íntima. Parece que falar de útero, de HPV, de ginecologista ainda é um assunto proibido, que dá vergonha. E essa vergonha pode matar mulheres todos os dias!”, alerta.
Em casa, o assunto é tema de conversa com Pedro e Antônio. Ela faz questão de frisar que prevenção não é responsabilidade exclusiva das mulheres. “Eu tenho dois filhos homens, e faço questão de conversar com eles sobre corpo, respeito e saúde de forma muito aberta. Eles precisam saber que a vacinação contra o HPV também é para eles, que a prevenção é um papel de todo mundo.”
Ao levar o tema para o espaço doméstico, a atriz tenta ajudar a construir uma geração para a qual falar de sexo, corpo e vacina não seja motivo de constrangimento, mas parte do cuidado mútuo.
Impacto da campanha e recado às mulheres
Com a visibilidade que tem na TV e nas redes, Juliana aposta que seu relato pode incentivar outras famílias a tirar dúvidas, buscar informação segura e manter a carteirinha de vacinação em dia. Ela acredita que influenciadores e artistas têm papel importante para aumentar a adesão à vacinação contra o HPV e aos exames preventivos.
“Se eu puder deixar um pedido para as mulheres que estão me ouvindo agora, é: percam o medo de falar sobre isso. Vamos conversar com nossas amigas, com nossas filhas, com nossas mães. Quando a gente compartilha informação sem tabu, a gente divide o peso e multiplica a cura”, diz.
Ao repetir que “a prevenção é silenciosa, mas ela salva vidas”, Juliana tenta transformar sua agenda cheia em vitrine de um outro tipo de prioridade: a de não esperar o corpo gritar para, enfim, ser ouvido.