A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG) associou o incêndio que atingiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, a um ambiente de tensão política após o primeiro turno das eleições. Em publicação nesta quinta-feira (8), a petista mencionou a ditadura militar brasileira, criticou Flávio Bolsonaro (PL) e compartilhou relatos de ameaças dirigidas a estudantes.
O fogo atingiu a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da universidade na noite de quarta-feira (7), depois de manifestações estudantis realizadas no campus. Apesar da associação feita pela parlamentar, as causas do incêndio ainda não foram esclarecidas, e não há confirmação de que tenha sido provocado intencionalmente ou motivado por questões políticas.

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Ana Elisa relaciona incêndio a ameaças contra estudantes
Nas redes sociais, a deputada eleita compartilhou imagens do prédio em chamas e reproduziu mensagens que, segundo relatos, teriam sido enviadas a estudantes após manifestações de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao comentar a sequência dos acontecimentos, Ana Elisa fez referência aos 21 anos da ditadura militar brasileira e classificou Flávio Bolsonaro como fascista.
“O Brasil teve 21 anos de ditadura militar. Como se isso não bastasse, neste fim de semana, escolheu um fascista para ficar em primeiro lugar nas eleições. Os jovens foram às ruas, e eles já começaram a fazer o que todo fascista faz: tentar eliminar”, escreveu.
A declaração expressa a interpretação política da parlamentar sobre o episódio. Até o momento, as autoridades não estabeleceram relação entre o incêndio, os protestos e as ameaças mencionadas nas publicações.
Estudantes relataram ameaças antes do incêndio
Na terça-feira (6), estudantes da UFPE participaram de manifestações em defesa da democracia e da educação pública, além de atos de apoio à candidatura de Lula no segundo turno.
Depois das mobilizações, circularam mensagens com ameaças direcionadas a integrantes da comunidade acadêmica. Uma delas mencionava a possibilidade de uma explosão em um departamento da universidade caso Flávio Bolsonaro não vencesse a eleição presidencial.
A autoria e a autenticidade dessas mensagens ainda não foram confirmadas pelas autoridades.
O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE) também afirmou ter recebido relatos de ameaças contra estudantes antes do incêndio.
O parlamentar defendeu uma investigação para esclarecer se existe alguma relação entre as mensagens e o fogo. A hipótese, entretanto, ainda não foi comprovada.
Incêndio atingiu prédio com laboratórios e pesquisas
O incêndio ocorreu no prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), localizado na Cidade Universitária, na zona oeste do Recife, nas proximidades da Casa do Estudante.
A estrutura abrigava laboratórios e atividades de pesquisa nas áreas de fármacos, informática e genética.
O Corpo de Bombeiros mobilizou cinco viaturas para combater as chamas. O fogo provocou danos materiais significativos, mas não houve registro de feridos.
Pesquisadores relataram perdas de equipamentos, amostras e materiais utilizados em estudos acadêmicos. A universidade iniciou a avaliação dos prejuízos e manteve o prédio isolado.
UFPE registrou três incêndios em pouco mais de uma semana
O episódio foi o terceiro incêndio registrado na universidade em um intervalo de aproximadamente oito dias.
Em 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido pelo fogo. No domingo (5), outra ocorrência foi registrada no laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências.
A sequência de incidentes aumentou a preocupação entre estudantes, professores e pesquisadores, mas não há confirmação de que os três episódios tenham a mesma origem.
As circunstâncias de cada ocorrência precisam ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis.
Universidade e autoridades cobram investigação
A UFPE informou que avalia os danos provocados pelo incêndio e presta apoio à comunidade acadêmica afetada.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, determinou que a Procuradoria-Geral Federal acompanhe as apurações e adote as providências legais cabíveis, caso sejam necessárias.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, também manifestou solidariedade à universidade e informou que o governo federal acompanha a investigação.
As autoridades ainda precisam determinar onde o fogo começou, quais fatores contribuíram para a propagação das chamas e se houve falha técnica, acidente ou ação criminosa.
Declarações ocorrem durante disputa presidencial
A manifestação de Ana Elisa acontece em meio à campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Eleita deputada federal por Minas Gerais com mais de 524 mil votos, Ana Elisa ganhou projeção nas redes sociais e passou a colaborar com a estratégia digital da campanha petista.
A parlamentar tem utilizado suas plataformas para comentar acontecimentos políticos e criticar propostas e declarações de Flávio Bolsonaro.
No caso do incêndio da UFPE, a relação sugerida por Ana Elisa entre o episódio e a atuação de grupos políticos permanece uma suspeita. A definição sobre eventual responsabilidade criminal dependerá das investigações e das provas reunidas pelas autoridades.